5 incríveis benefícios pouco conhecidos da amamentação

Além dos já populares aumento do vínculo emocional e contribuição para a imunidade, o aleitamento materno possui outras vantagens a curto e longo prazo.

Por Ketlyn Araujo Atualizado em 28 abr 2022, 21h31 - Publicado em 29 abr 2022, 10h00

Que amamentar é um ato extremamente benéfico não só para a pessoa lactante quanto para o bebê, você provavelmente já sabe. Segundo Juliana Luzio, nutricionista infantil, consultora de amamentação e coordenadora da organização LeME (que promove o direito à amamentação) entre os benefícios mais conhecidos da prática estão o fato de que amamentar evita mortes infantis por diarreia e infecções respiratórias e, a longo prazo, diminui as chances de se ter obesidade, alergias, hipertensão e diabetes.

Além disso, diz a pediatra Márcia Fonseca Borges, durante a amamentação o bebê tem maior contato com a mãe, o que fortalece o vínculo, mas o aleitamento também é capaz de reduzir as chances de desenvolvimento de anemia, proteger contra a morte súbita, fortalecer o sistema imunológico e atuar na melhora da digestibilidade.

Já para a pessoa que amamenta, falam as especialistas, algumas das vantagens mais divulgadas são a diminuição do risco de anemia e de sangramentos no pós-parto, bem como uma redução na taxa de mortalidade materna. Para completar, a lactante tem menos chances de ter câncer de mama, de ovário e de endométrio, e de desenvolver doenças como a diabetes tipo 2.

A lista, porém, não para por aí. Com o auxílio das experts Juliana e Márcia reunimos, a seguir, mais 5 benefícios não tão conhecidos assim ligados à amamentação – e destrinchamos as explicações por trás de cada um deles.

1. Ajuda no fortalecimento da saúde bucal da criança

A amamentação, explica Juliana, melhora o desenvolvimento da cavidade bucal dos pequenos. Isso porque os movimentos que a criança naturalmente faz na intenção de retirar o leite da mama acabam funcionando como exercícios para a boca e os músculos do rosto, auxiliando no alinhamento dos dentes e no desenvolvimento da mastigação e da fala.

Além disso, a especialista pontua que crianças amamentadas que não utilizam bicos artificiais, ou seja, chupeta e mamadeira, evitam os problemas que esses materiais podem causar, como os ligados ao desenvolvimento orofacial dos maxilares e à respiração bucal.

“Os movimentos realizados pela criança durante a amamentação direcionam a formação dos ossos do rosto, fortalecem e tonificam língua, bochechas e lábios. Isso contribui favoravelmente para o desenvolvimento de habilidades orais não só para a amamentação em si, mas também para a respiração e formação das arcadas dentárias”, corrobora Márcia.

2. Contribui para a redução da possibilidade de doenças cardiovasculares

Segundo a consultora de amamentação, estudos relatam que o aleitamento, para a criança, também apresenta efeitos a longo prazo, prevenindo doenças da vida adulta. Entre as vantagens está a diminuição do risco de se ter diabetes tipo 2, obesidade e hipertensão arterial, causas ligadas ao desenvolvimento de doenças cardiovasculares.

“A OMS publicou um estudo apontando que indivíduos amamentados apresentaram valores menores das pressões sistólica e diastólica [contrações do músculo cardíaco], menores níveis de colesterol total e risco 37% menor de apresentarem diabetes tipo 2”, exemplifica Juliana.

3. Evita diferentes tipos de infecções, como a de ouvido

bebê mamando
burakkarademir/Getty Images

Amamentar, para o bebê, é benéfico também por contribuir para a prevenção de diferentes infecções, como as respiratórias, diarreicas e, ainda, de ouvido – esta última muito comum na infância.

O motivo está ligado à musculatura usada no ato de amamentar, desvenda Márcia, a qual fecha a tuba auditiva, impedindo que o leite vá da boca ao ouvido. Juliana, inclusive, ressalta que o risco de infecções do ouvido médio, que podem ser causadas pelo refluxo de leite, diminui em crianças amamentadas, exatamente por isso.

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Não por acaso, crianças e bebês quando amamentados através do seio são capazes de fazê-lo deitados, sem causar nenhum problema, o que não acontece com o uso de mamadeiras, objetos que exigem posições mais específicas e certo grau de inclinação.

“Dados do Ministério da Saúde mostram que, em crianças amamentadas exclusivamente, por três ou seis meses, quando comparadas a crianças alimentadas unicamente com leite de outra espécie, a redução identificada é de 50% de episódios de otite média aguda”, enfatiza Juliana.

4. Atua em benefício da saúde pública, da sociedade e do planeta

Além de barato e prático, o aleitamento materno, na opinião de Juliana, promove também benefícios para a sociedade como um todo, para a saúde pública e para o planeta em que vivemos. Isso porque, fala ela, bebês amamentados adoecem com menos frequência em comparação aos que tomam fórmula, por exemplo.

Com esses bebês menos dias doentes, os pais podem voltar mais rápido às suas atividades de rotina, geram menores gastos com o serviço de saúde, bem como menos gastos financeiros para a família da criança. Por fim, amamentar, por ser um ato natural, reduz o impacto ambiental causado pelas indústrias de fórmulas e de mamadeiras.

5. Para a mãe, reduz sintomas ligados à ansiedade e depressão

Finalmente, ressalta Márcia, uma vantagem não tão abordada ligada à amamentação, para a lactante, tem a ver com uma possível diminuição nos sintomas de ansiedade e depressão, incluindo da depressão pós-parto.

A razão tem a ver com a ocitocina, o famoso “hormônio do amor”, que é estimulado durante a sucção do mamilo pelo bebê, e trabalha as questões de interações psicológicas e afetividade. 

Desta maneira, o aleitamento ajuda a reduzir o estresse, contribuindo, assim, para o bem-estar emocional e psicológico das puérperas.

Mas e quando amamentar se torna uma dificuldade?

Mãe-com-dor-amamentando-seu-bebê
zamrznutitonovi/Getty Images

Apesar de todos os benefícios apontados, ambas as profissionais deixam bem claro que amamentar não dói, ou melhor, não deveria doer. Caso a mãe sinta dor, tenha fissuras, desconforto ou qualquer dificuldade, o ideal é que ela procure por auxílio, seja em um banco de leite, seja por meio de consultores de amamentação e pediatras especializados, que estejam atualizados, promovam, protejam e apoiem a amamentação.

É importante ressaltar, ainda, que às vezes o aleitamento não está sendo possível por outras questões, como um cansaço acumulado, privação do sono ou falta de uma rede de apoio ativa. Márcia pontua que, por exemplo, não dá para cobrar a pessoa que amamenta, se quem está em volta não está contribuindo para o favorecimento do aleitamento materno: “essa pessoa precisa estar limpa, descansada, alimentada e hidratada para conseguir nutrir outro ser”, diz.

“Muitas vezes, e apesar de querer, a mulher não consegue amamentar como gostaria. Por isso é que a responsabilidade de amamentar não pode ser só da mãe, ela precisa ser compartilhada. Ser rede de apoio é também saber ajudar uma mãe a se informar e buscar ajuda de profissionais capacitados, e nunca dizer que ela não é capaz”, encerra Juliana.

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