5 aspectos para levar em consideração na hora de escolher o nome do bebê

Eleger o nome da criança vem acompanhado por várias expectativas - do casal e da família. Saiba como fazê-la de forma tranquila e evitando estresse.

Por Ketlyn Araujo Atualizado em 1 out 2021, 13h27 - Publicado em 3 out 2021, 10h00

Algumas pessoas decidem sobre o nome dos filhos quando ainda são bem jovens e nem têm planos concretos relacionados à maternidade ou paternidade em vista. Por outro lado, há quem deixe para escolher como vai chamar a criança apenas após o nascimento, ao olhar para ela para ver o que combina melhor. Em todos os casos, porém, eleger o nome do bebê passa por referências e vontades pessoais, acordos entre o casal, dúvidas, mudanças e expectativas de amigos e familiares – que muitas vezes precisam ser quebradas.

Por ser algo bastante particular, não há ‘certo ou errado’ e nem regras a serem seguidas, mas alguns pontos de vista podem ser trabalhados para que ela seja feita de maneira tranquila e não desperte um estresse desnecessário. Para te ajudar a bater o martelo e evitar arrependimentos, conversamos com a psicóloga Airam Chaves, pós-graduada em psiquiatria e saúde mental da infância e adolescência, e Ingrid B. Yokoyama, psicóloga da Vibe Saúde, que, a seguir, destacam 5 aspectos para considerar na hora de escolher o nome do bebê.

1. Pesquise sobre diferentes significados – e lembre-se dos apelidos!

É através do nome, fala Ingrid, que a criança será apresentada para o mundo pela primeira vez, já que ele é um dos aspectos que, de certa forma, nos tornam únicos, e parte fundamental para a criação da nossa identidade. Por isso é essencial que, antes da decisão, a mãe, o pai ou o casal considere tudo aquilo que o nome representa, incluindo possíveis apelidos, “brincadeiras”, associações e o fato de que a criança se tornará um adulto, com seus próprios desejos e autonomia.

Questione: “faz sentido atribuir este nome ao novo integrante da família?”, exemplifica ela.

Portanto, pesquise sobre o significado dos nomes que mais te agradam e, se julgar necessário, faça uma lista com as principais ideias e suas interpretações correspondentes. Lembre-se de que nomes muito datados, ou seja, que são tendência apenas em determinadas épocas, tendem a cair no esquecimento ou perder o sentido com o passar do tempo – se isso for um problema para você, é melhor evitá-los. Outros pais, no entanto, podem achar este aspecto interessante, exatamente por lembrar de um período específico.

“É importante que os pais tenham conhecimento sobre o significado do nome escolhido para o bebê, pois isso poderá influenciar na personalidade daquele ser que está por vir”, acrescenta Airam.

  • 2. Considere sugestões de pessoas queridas – mas lembre-se de que você pode frustrá-las

    Sugestões de familiares e amigos próximos podem ser consideradas, caso você ainda não tenha ideia sobre como vai chamar o bebezinho, mas evite nomeá-lo apenas para agradar a alguém que você ama – e sim, isso inclui seu parceiro ou parceira.

    Airam sugere entender a opinião do outro, respeitá-la e aceitá-la, apenas se ela se enquadrar nos principais motivos da escolha do nome, que, na opinião dela, precisa ter uma ‘emoção’ por trás daquele simples conjunto de letras. Está tudo bem em resistir à pressão e não aceitar as ideias de pessoas queridas, não se cobre e nem se culpe por isso.

    Caso haja alguma tradição familiar que você deseja seguir (como dar o nome do avô ou começar com alguma letra específica) busque conciliar todas as informações corretas referentes a ela para escolher o nome do bebê sem arrependimentos futuros.

  • 3. Prepare-se para lidar com o julgamento alheio

    Escolheu o nome do bebê? Prepare-se para lidar com possíveis julgamentos, pois infelizmente muita gente ainda peca por falta de noção, e se acha no direito de desqualificar a escolha da mãe, do pai ou do casal.

    Airam diz que, neste sentido, é necessário que você tenha certeza sobre a escolha do nome, já que as opiniões de terceiros até podem te influenciar, mas isso tem muito mais a ver com a sua própria autenticidade sobre suas decisões. Para contornar situações desagradáveis, procure ser gentil e firme no que você já havia definido, agradeça pelas sugestões e mostre autonomia – se preciso, tenha na manga um discurso ensaiado (inclusive combinado pelo casal) na intenção de evitar a fadiga.

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    “Levando em consideração que muitas vezes as sugestões indesejadas não se limitam somente à escolha do nome da criança, é interessante pensar sobre de que maneira os envolvidos têm lidado, no geral, com essas intromissões”, reforça Ingrid, ou seja, é essencial avaliar de quem estes comentários estão vindo, qual a participação destas pessoas na vida da família e o que é, de fato, relevante ou não na fala de cada um.

    A psicóloga ressalta, ainda, que a partir de todas estas reflexões surge o diálogo como importante ferramenta pra resolver possíveis conflitos e impor limites quando necessário.

    “Cabe até mesmo pensar se essa preocupação em relação a julgamentos já se fazia presente na vida dos pais anteriormente ou não. Com isso, vale ressaltar os benefícios da terapia para reconhecimento de tais questões e processo de autoconhecimento”, sugere.

  • 4. Na dúvida, mantenha as opções em aberto

    Airam reforça que a chegada do bebê é um momento que vai além do esperado pela família, ou seja, atravessa desejos e surpresas. Diante disso, diz ela, podemos compreender que a escolha do nome é algo que concretiza o desejo do inconsciente e, portanto, precisa ser feito com zelo e cuidado.

    Novamente, listar opções diversas – até, quem sabe, por ordem de prioridade – e mantê-las em aberto até o nascimento ou até mesmo convívio com a criança pode ser a solução para quem ainda não sentiu segurança sobre definir como ela vai se chamar.

    mãe e filha
    Jose Luis Pelaez Inc/Getty Images

    “Também é importante pensar que nada é totalmente previsível e, se percalços surgirem no decorrer do caminho em relação a isso, alguns aspectos podem ser revistos, conversados e remanejados”, corrobora Ingrid.

    A escolha do nome é, então, uma construção entre todas as partes que vão participar mais ativamente dos cuidados com a criança, sendo que cada um deve contribuir com aquilo que lhe couber, até existir um consenso. A maneira pela qual essa construção vai acontecer, explica a profissional, é própria de cada família, e livre de regras.

  • 5. Opte pelo que for melhor para você ou para o casal

    Por fim, respeite as suas necessidades e seus limites, seja como mãe solo, pai solo ou como casal. Sobre contar ou não o nome do bebê antes do nascimento, também não existem regras, e a decisão deve estar ligada às vontades de cada um.

    Logo, ter em mente o seu desejo, a forma como quer desenvolver determinadas atividades, realizar certas escolhas e reconhecer quem você gostaria que participasse deste processo, acrescenta Ingrid, são algumas das maneiras de já conseguir demarcar os próprios limites, fazendo esta ‘seleção’.

    Aprender a transmitir isso a terceiros, se apropriando das suas vontades e as deixando claras, muitas vezes é fundamental e pode ser proveitoso, comenta a psicóloga, que sugere novamente o acompanhamento psicoterápico nos casos em que pais tenham dificuldades para estabelecer limites sobre a chegada do bebê.

    “Cabe pensar que não contar o nome talvez não seja a solução em si, mas sim perceber o que está gerando tal incômodo para que se considere tomar esta atitude. Uma vez que o nome é uma das formas que o bebê é apresentado ao mundo, que tipo de benefício real se obteria em não contar? O que está levando os cuidadores a seguirem este caminho? Existem outras possibilidades a serem exploradas? A partir destes questionamentos, convém reavaliar a conduta”, arremata.

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