Confessionário: “Ter filho aos 40 me deu coragem para mudar a minha vida”

Ao descobrir que realizaria o sonho de ser mãe de uma menina, Fernanda Freitas percebeu que a idade era o que menos importava em sua gestação.

Por Ketlyn Araujo Atualizado em 15 ago 2021, 10h33 - Publicado em 15 ago 2021, 10h00

Quando descobriu, de surpresa, que estava grávida aos 40 anos de idade, a jornalista Fernanda Freitas já havia tido dois outros filhos, hoje com 14 e 10 anos, respectivamente. Enfrentar uma gravidez na maturidade, para ela, foi uma mistura de sentimentos.

“Logo quando engravidei, a reação das pessoas foi de surpresa. Não chegou a ser bem um preconceito, mas ouvia comentários do tipo: ‘Você é corajosa’, ‘Vai começar tudo de novo…’, ‘Outro filho, nessa idade?’. Alguns deles me deixaram, sim, desconfortável, mas não me chateei. De certa forma, antes de passar pela experiência, isso tudo era também o que eu pensava”, conta, neste relato de coração aberto sobre o mais complexo e o melhor de enfrentar uma gravidez considerada tardia pela sociedade.

Sangramentos, contrações prematuras e a pandemia de coronavírus também fizeram parte da gestação de Liz, que apesar dos contratempos nasceu saudável com 38 semanas. Foi o sonho de ser mãe de uma menina, aliás, que fez com que Fernanda não se importasse tanto assim ao se deparar com o teste de gravidez positivo.

“Quando eu soube que teria a menina que sempre sonhei, a idade foi o que menos importou, até porque me sinto extremamente jovem aos 40, mais do que me sentia aos 30”, reforça ela.

No Dia da Gestante, Fernanda divide sua história inspiradora e capaz de motivar mais mulheres que têm o desejo de serem mães, mas acham que a “hora certa” já passou.

Veja o depoimento completo:

“Eu sempre sonhei em ser mãe. Meu primeiro filho, João, chegou quando eu tinha 26 anos. Três anos depois, engravidei novamente, dessa vez do Felipe. Meus meninos foram duas bençãos. Eu e meu marido sempre amamos crianças e tínhamos o desejo de termos três filhos – ainda mais porque eu sonhava muito em ter uma menina, que ainda não tinha vindo.

Depois de ter sido mãe duas vezes, porém, a vida foi tomando outros rumos. Após a chegada do caçula acabei focando muito no trabalho, e ao ser mãe de dois percebi que não era algo tão fácil. Assim que o Felipe nasceu eu coloquei o DIU, mas entreguei tudo nas mãos de Deus. Falei para ele que, se a filha que eu tanto sonhei tivesse de vir, que viesse com ou sem contraceptivo, e na hora ‘certa’.

Sete anos se passaram e eu tirei o DIU, e mesmo já não planejando mais ter filhos – pois me aproximava dos 40 anos – segui usando outros métodos contraceptivos, como a camisinha e a tabelinha. Já tinha me conformado que não seria mais mãe de menina, minha esperança era de, talvez, me tornar avó de uma menina (risos).”

  • Presente de aniversário

    “Na semana em que completei 40 anos engravidei, mas comemorei o meu aniversário grávida sem nem saber disso. Um mês depois da data vieram os sintomas, e aí fiz o teste: positivo. Quase morri, não estava mais nos meus planos. Levou uma semana para que a ficha do meu marido caísse, fora o ‘medo’ de ser outro menino (risos).

    Ansiosa, com oito semanas de gestação, fiz o teste de sexagem fetal e descobri que a minha garota tão sonhada estava a caminho.

    Como disse, ser mãe aos 40 depois de dois filhos praticamente criados não estava no meu planejamento, e confesso que me deu um certo pânico ao perceber que teria de recomeçar tudo de novo, sem contar o risco natural de seguir com uma gestação nesta idade, já considerada mais perigosa.”

  • A dor e a delícia de ser mãe aos 40

    “Tive dois sangramentos durante a gestação, e enfrentei a pandemia de coronavírus grávida, logo no início do isolamento. Fiquei em home office, tive contrações aos quatro meses e precisei tomar progesterona até o final da gravidez. Tive uma ameaça de parto prematuro com 29 semanas, mas graças a Deus e apesar dos riscos e anseios, tudo correu bem e a nossa Liz nasceu saudável, com 38 semanas.

    No começo, logo quando engravidei, a reação das pessoas foi de surpresa. Não chegou a ser bem um preconceito, mas ouvi comentários do tipo: ‘Você é corajosa’, ‘Vai começar tudo de novo…’, ‘Outro filho, nessa idade?’. Alguns deles me deixaram, sim, desconfortável, mas não me chateei. De certa forma, antes de passar pela experiência isso tudo era também o que eu pensava.

    Quando eu soube que teria a menina que sempre sonhei, porém, a idade foi o que menos importou, até porque me sinto extremamente jovem aos 40, até mais do que me sentia aos 30.”

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  • Filhos como parte da rede de apoio

    “A vantagem de recomeçar a maternidade depois de tanto tempo é o fato de que os filhos mais velhos também me ajudam, de todas as formas, desde ao fazer uma mamadeira enquanto visto uma roupa, até ao ficar com a Liz para que eu possa chegar mais tarde em casa do trabalho ou sair a sós com o meu marido.

    Além do meu marido, minha rede de apoio hoje é maravilhosa e, além dos meninos que ajudam bastante a olhar a nossa bebê, tenho a minha mãe que mora embaixo da minha casa, e a babá. Não sei o que seria de mim sem eles.

    Na minha opinião, o maior desafio da maternidade é educar. Morro de medo de errar, mas o ser humano erra sempre. Então, procuro buscar conhecimento para educar meus três filhos da melhor forma possível. Quando percebo que errei com algum deles, procuro me retratar e explicar que as mães também erram, mas que vou me esforçar para não fazer mais isso.”

  • Maternidade + maturidade

    “Acho que esse paradigma de gravidez tardia está cada vez mais desmistificado. Acredito que quando mães pararem com esse olhar de preconceito sobre elas mesmas, e passarem a encarar uma gestação tardia como uma conquista, a sociedade também vai reconhecer a beleza de ser mãe na maturidade.

    Para mim, isso deveria ser regra, já que hoje me sinto mais preparada para ser mãe do que há 15 anos, quando engravidei pela primeira vez. A sabedoria vem com o tempo e com a experiência de vida, e os desafios da maternidade nos exigem maturidade.

    Ser mãe não é fácil: encarar um puerpério, amamentar, lidar com as pressões sociais – ainda mais se você é mãe e trabalha fora -, dar conta de todos os papeis que nos exigem não é algo que qualquer pessoa tira de letra, não.

    Se mais mulheres pudessem ser mães na maturidade, veriam que não há idade melhor para se viver a maternidade. Hoje curto muito mais meus filhos, com muitos mais sabedoria e paciência em comparação a quando era mais jovem.”

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  • Coragem para mudar

    “A chegada de um filho aos 40 me deu coragem para também mudar o rumo da minha própria vida, já que deixei um emprego de coordenadora de TV e apresentadora de um telejornal local para me dedicar ao trabalho autônomo. Hoje, continuo dirigindo e apresentando um programa de entrevistas, o ‘Talentos e Negócios’, do qual sou idealizadora, mas também atuo como influenciadora digital. Administro muito melhor meus horários entre família e trabalho, e estou muito mais feliz.

    O amor de uma mãe não tem idade! A melhor parte dessa experiência é exatamente este amor que um filho desperta na gente, é surreal. Ser amada por um filho reconforta a alma, nos dá uma força que nem imaginávamos ter, nos faz querer ser melhores a cada dia, e a inocência e a sinceridade da criança é algo que nos ensina muito.

    Nunca é tarde para ser mãe, e se a sua saúde te permite ter um filho, significa que você é capaz. Com um bom obstetra e investindo na medicina preventiva, você se prepara para engravidar, fazendo exames e preparando o organismo para uma gestação saudável. Se você tem esse sonho, confie e vai!”.

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