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9 coisas que você não deveria dizer para os seus filhos

Certas falas, por mais que naturalizadas pela sociedade, quando repetidas podem influenciar no desenvolvimento da criança e em seu comportamento no futuro.

Por Ketlyn Araujo
24 fev 2022, 16h13

Especialistas em psicologia infantil costumam reforçar que o comportamento das crianças é, naturalmente, influenciado por aquilo que seus pais e responsáveis costumam dizer e fazer dentro de casa, mesmo que o pequeno tenha também a interferência do que é aprendido na escola e suas próprias vivências e internalizações. 

Dessa forma, durante a primeira infância, crianças tendem a absorver, direta ou indiretamente, o conteúdo dito por seus tutores e, por isso mesmo, é preciso tomar cuidado com o que se fala ou se repete, na intenção de evitar traumas futuros, reprodução de falas preconceituosas ou dificuldades emocionais na vida adulta.

Vale ressaltar, como sempre, que uma educação livre de falhas não existe, mas que quando olhamos para a criação dos pequenos mediante o viés da parentalidade positiva, o esforço de rever falas e comportamentos, tratando a criança com mais respeito e menos punição, costuma ser benéfico.

Pensando nisso, e com base em conteúdos já aprofundados pela nossa equipe com a participação de especialistas, selecionamos 9 ideias ou frases que, embora naturalizadas por parte da sociedade, são prejudiciais – e você deveria evitar falar para os seus filhos.

“Não foi nada!”

Quando a criança está machucada, física ou emocionalmente, o melhor caminho para acolher os medos dela e estar presente como uma figura de cuidado é evitar dizer que “não foi nada” para, no lugar, iniciar uma conversa franca.

Pergunte sobre o que ela está sentindo, se há algo que ela gostaria que você fizesse para que ela se sinta acolhida – um curativo, uma comidinha gostosa, um abraço -, e dê carinho. No mais, não minimize a dor ou sofrimento da criança, para que ela não naturalize essas situações achando que este é o “normal”.

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E isso vale desde um arranhão no joelho até situações em que a família tenha passado por um susto ou acidente, como bem apontam os profissionais ouvidos nesta matéria. Quando crianças passam por um trauma, elas precisam ser amparadas e escutadas pelos seus familiares, que devem evitar qualquer tipo de julgamento ou desvalorização dos sentimentos dos pequenos.

“Eu faço tudo por você, por que não pode fazer isso por mim?”

Frases que contam com uma alta carga de chantagem emocional como este exemplo acima devem ser evitados. Isso porque, falar para a criança que faz tudo por ela esperando algo em troca, mais do que problemático, pode ser um comportamento bastante tóxico – à medida que coloca no pequeno a responsabilidade de retribuir tudo aquilo que você, como responsável, faz por ela.

De acordo com a parentalidade positiva, tópico também já abordado por nós, o melhor é apostar em uma educação livre de punições ou chantagens, na qual errar é, sim, permitido, mas que isso não significa falta de amor ou respeito.

“Limpe seu prato!”

menina fazendo careta pra comida

Você não força um adulto a continuar comendo quando ele não quer mais, certo? Então por que deveríamos fazer isso com as crianças? Se a sua resposta foi “porque ela não sabe quanto deve comer”, o indicado é exatamente que os pais a ajudem a entender seus limites e necessidades. 

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Mandar a criança limpar o prato, por mais que possa indicar uma preocupação em relação à nutrição da criança e o desperdício de alimentos, pode ser altamente prejudicial para o futuro do pequeno.

Isso porque, conforme já pontuamos nesta matéria, desde a introdução alimentar a criança precisa de incentivos que levem a compreensão da saciedade, ou seja, se o que comeu foi suficiente ou se ela precisa de mais. Caso isso seja desrespeitado pelos próprios responsáveis, há grandes chances de ela perder o contato de sua própria relação com a comida, bem como desencadear episódios de estresse e de má relação com a alimentação. 

“Senta que nem mocinha”

Não apenas incentivar meninas a “sentarem como mocinhas”, como usar o termo como sinônimo de educação e gentileza, além de reforçar um grande estereótipo de gênero (meninas são delicadas x meninos são bagunceiros), coloca uma pressão gigante para que garotas, desde os primeiros anos de vida, tenham a maturidade de uma “mocinha”, ou seja, de uma mulher adulta.

Se a sua intenção é fazer com que sua filha cresça com mais amor próprio, é fundamental que ela tenha a liberdade de agir com a inocência de uma criança enquanto a fase durar. Ela pode sim sentar em um banco, por exemplo, respeitando o limite da pessoa ao lado, mas isso não tem nada a ver com gênero e sim com compreensão do espaço alheio

“Menino não chora”

Parece óbvio reforçar isso em 2022, mas vamos lá: meninos que crescem achando que não podem demonstrar emoções, pois elas são sinônimo de fraqueza, tendem a desenvolver dificuldade para lidar com relacionamentos e outros conflitos durante a vida adulta.

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Incentivar seu filho a chorar quando ele tiver vontade e, principalmente, conversar sobre seus sentimentos para dar nome (e entendimento) à eles, é o mais importante. É preciso que fique claro para a criança que podemos sentir uma gama infinita de sentimentos e que não há nada de errado com isso.

São ensinamentos como esse que ajudam a criar garotos mais conscientes de seus sentimentos e ações e, consequentemente, mais longe do machismo e que respeitem as mulheres. Todos saem ganhando.

“Estou feia, preciso de uma dieta”

Na nossa matéria sobre distúrbio de imagem em crianças pequenas, especialistas explicam que comentários frequentes e negativos que os pais fazem sobre a própria aparência funcionam como ponto de partida para que a autopercepção da criança fique em conflito.

Ou seja, para que os pequenos desenvolvam o amor próprio, é preciso que eles estejam em um ambiente no qual os pais ou responsáveis – maiores figuras de admiração nesta idade – evitem comentários autodepreciativos e trabalhem o entendimento de seus corpos.

Dessa forma, mesmo que você esteja descontente com a sua aparência, deixe o assunto para quando estiver longe da criança. O mesmo vale para dietas mirabolantes e comentários maldosos sobre a aparência das pessoas: por mais que isso possa passar como “inocente”, no fundo, é capaz de colocar ainda mais pressão estética no pequeno/a. 

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“Você não está se esforçando o suficiente”

Esta vale para quando a criança está aprendendo uma atividade nova, descobrindo seu lado criativo ou se aventurando em um esporte inédito. Como pais e mães, é natural querer enxergar o progresso dos filhos, mas tudo tem a ver com a maneira como isso é colocado.

Primeiro, apenas o próprio indivíduo vai saber se está ou não se esforçando o bastante para algo. Segundo, em vez de apontar o erro ou colocar pressão para que a criança seja perfeita ou a melhor naquilo que se dispôs a fazer, elogie o esforço, reconheça os pequenos progressos e, mais do que isso, converse sobre a atividade em questão para saber se ela realmente está gostando e se sentindo motivada. Se a resposta for “não”, o caminho é ajudá-la a descobrir algo que curta, sem julgamentos ou expectativas da sua parte. 

Mãe-e-filho-cozinhando-juntos
(Brooke Lark/Raw Pixel)

“Quer apanhar?”

Bater em crianças pode desencadear uma série de danos na vida adulta, entre eles, dificuldade em estabelecer limites, repetição do padrão violento, associação da dor com o amor e baixa autoestima.

Da mesma forma, usar palavras e frases na intenção de ameaçar bater na criança (mesmo que a agressão física não vá se concretizar de fato), também prejudica o entendimento do pequeno sobre o que é uma relação familiar saudável, e pode fazer com que ela acredite que respeito se ganha com base na violência e no poder.

“Dá um beijinho nele/a”

Da mesma forma que você não força um adulto a limpar o prato, você também não forçaria um adulto a beijar um desconhecido na bochecha ou abraçá-lo. Portanto, tome cuidado para não naturalizar este tipo de comportamento também nos pequenos, que geralmente ficam bastante desconfortáveis (e com razão) quando são incentivados a beijar ou abraçar desconhecidos – sejam eles membros da família ou não.

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Em vez disso, ensine sobre consentimento, e peça para que a criança conte sobre qualquer aproximação de caráter duvidoso. Livros com a temática podem ajudar a iniciar a conversa, que tende a torná-las adultos que sabem seus próprios limites.

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