7 maneiras de mostrar para o seu filho que ele não precisa ser perfeito

Os deslizes vão acontecer, e quanto antes mostrarmos para os pequenos que a perfeição não é um objetivo possível - e nem desejável - melhor.

Seja você uma pessoa perfeccionista ou não, já deve ter se pegado comparando o desenvolvimento do seu filho com alguma tabelinha que viu na internet ou certificando se ele está se dedicando 100% nas lições de casa. Afinal, como negar aquela angústia, lá no fundo, pelo pequeno ter demorado um pouquinho mais para desfraldar ou por não estar se alfabetizando na mesma velocidade que os coleguinhas?

Desejar sempre o melhor para o filho é natural, mas precisamos prestar atenção em quando isto passa de uma busca saudável pelo bem-estar da criança e vira uma cobrança – como se ela não pudesse errar ou cometer deslizes. Pois é, papais, bem sabemos que a perfeição é impossível de ser alcançada e o quanto antes os pequenos entenderem isto, melhor.

Para ajudar a elucidar esta questão, conversamos com especialistas e chegamos em algumas atitudes dos adultos que podem ajudar a mostrar para a criança que ela não precisa ser perfeita. Mudando um pouco a abordagem – no modo de falar, corrigir ou parabenizar o seu filho -, pode ser que ele consiga encarar as falhas de forma muito mais leve daqui pra frente.

1. Assuma as próprias imperfeições

Desde que nascemos, aprendemos por observação, como lembra Tiago Tamborini, psicólogo e especialista em comportamento de crianças e adolescentes. De acordo com ele, nós somos altamente suscetíveis ao exemplo. Assim sendo, quando o adulto é capaz de pedir desculpas ao errar, isso ajuda de forma direta para que seu filho compreenda que o erro faz parte da vida. 

“Toda vez que o pai ou a mãe consegue assumir as suas imperfeições, fica mais fácil para o filho entender que ser imperfeito faz parte”, conclui. Só de sentir que seu cuidador lida de forma natural com os erros, faz com que a criança procure agir da mesma forma – o que automaticamente ajuda a ir na contramão do perfeccionismo.

2. Não vincule os elogios a si mesmo

Pode parecer bobagem, mas algumas palavrinhas que usamos na hora de parabenizar o pequeno podem fazer com que ele pense que a única forma de agradar os pais é fazendo tudo sempre certo. Por isso, o psicólogo recomenda: “não façam dos elogios uma maneira de vinculação afetiva”.

“É comum que os pais, na tentativa de elogiar o filho para que ele continue melhorando, falem coisas do tipo ‘ficou lindo, a mamãe está muito orgulhosa’ ou ‘que maravilha, o papai fica muito feliz quando você acerta”, exemplifica ele. Assim, a criança enxerga que acertar é importante para os pais e vai naturalmente buscar estar correta como forma de agradá-los e fazê-los feliz. E o oposto também se aplica: errar, portanto, seria ver a mãe triste ou infeliz. 

Mas então o que dizer para o pequeno nestes casos? “É muito importante que no elogio valorize-se o esforço, a tentativa, e esteja sempre ligado à criança“, afirma o especialista. Frases como “olha como você está feliz porque você acertou” ou “que bacana que você não desistiu e chegou lá” são exemplos de como estabelecer uma relação do filho com a conquista, que não esteja ligada à satisfação da mãe e do pai.

3. Seja honesto quando a situação exigir

Sabe aquele momento em que o seu filho faz um desenho com um pouco de desleixo e pergunta se você gostou? A dica de Tiago é que os pais sejam honestos na observação – quando a situação permitir, claro – para que o pequeno vá se familiarizando com o erro.

“Não tem problema constatar que o desenho do filho não está bonito e dizer ‘puxa, filho, você já fez melhores’. Frustrar a criança na expectativa de que tudo que ela faz é maravilhoso também mostra que nem sempre está ótimo, e tudo bem. Isto faz com que ela inclusive perceba que, quando recebe um elogio, ele é verdadeiro“, explica o psicólogo.

4. Evite comparações!

Como você se sentiria se sua chefe te falasse que aquela pessoa no mesmo cargo que o seu está tendo um rendimento muito superior e por isto você tem que melhorar? Pois é, o mesmo vale para as crianças que são comparadas com os colegas de turma, com os irmãos, primos…

“A comparação nunca vai ser um caminho de estímulo, porque ela descontextualiza o momento da pessoa, suas habilidades e vários outros aspectos”, pontua o especialista em comportamento infantil. “Isto faz com que a criança tenda a se desmotivar diante dos acertos ou buscar incessantemente a perfeição como maneira de reconhecimento”, completa. 

A única forma de usar a comparação como recurso, eventualmente, seria usando a própria criança como modelo. “Se for para comparar, que seja com ela mesma, dizendo por exemplo ‘acho que o desenho que você fez semana passada estava mais cuidadoso’. Assim, você mostra que seu filho é capaz, como já demonstrou ser”, recomenda Tiago.

5. Deixe que a criança sinta as emoções depois de perder

Muitos pais se angustiam com o filho não saber perder, mas a verdade é que muitas vezes este comportamento tem a ver com a idade e com a fase do desenvolvimento em que ele se encontra, como esclarece o psicólogo. “Até os oito anos, a criança não tem completamente consolidado o registro do ganho e perda, e é natural que não goste de perder”, diz.

Quando o jogo ou a brincadeira acabar sem a vitória do pequeno – e ele reagir com birra ou de forma raivosa -, o papel dos pais é entender o momento e não validá-lo. “Não deem atenção em excesso à reação do filho e não tentem forçar o ensinamento para que ele aprenda rapidamente a perder. A melhor coisa é deixar que ele vivencie suas emoções e, em um outro momento, buscar um resultado diferente”, comenta o especialista.

6. Cuidado com as projeções

Se formos analisar o curso da história, não faz muito tempo desde que os adultos puderam pensar em ter ou não filhos como uma escolha. Embora seja uma conquista positiva, ela traz consigo um empecilho: os pais podem acabar enxergando a concepção da criança como um projeto.

E como todo projeto que investimos tempo, dedicação e afeto, podemos nos responsabilizar de forma negativa quando ele sai dos eixos que imaginamos. “Os pais muitas vezes não conseguem lidar com as imperfeições dos filhos porque enxergam como suas próprias imperfeições – como se a birra ou a malcriação fossem falhas dos pais, por exemplo”, explica Tiago.

“Mas eles não são extensões do seu desejo –  eles têm subjetividade, identidade própria, fases – e temos que entender que são momentos de orientar, e não de nos sentirmos culpados”, acrescenta o psicólogo.

7. Reconheça quando for hora de reduzir as cobranças

Para além das situações do dia a dia que já pontuamos, alguns períodos mais delicados pedem que os pais pisem um pouco no freio das cobranças – e isto vale para o momento de pandemia do novo coronavírus em que vivemos. De acordo com Sueli Bravi Conte, educadora, psicopedagoga e mantenedora do Colégio Renovação, a dinâmica das aulas à distância é inédita para todos, e os adultos podem acabar exigindo mais do que deveriam dos pequenos.

“Os pais podem esperar que todos os brinquedos estejam no devido lugar na hora que querem ou que os filhos fiquem durante toda a atividade online sentados assistindo sem se distraírem, por exemplo. Mas isto é irreal e não ocorre nem na sala de aula”, relata Sueli.

Ela ainda explica que a pandemia faz com que tanto os adultos quanto as crianças fiquem mais ansiosos – e, nestes momentos, mais do que nunca, não dá para esperar perfeição. “O perfeito hoje é a criança conseguir fazer as coisas dentro de seus limites e ser valorizada por isto”, conclui a educadora.

O pequeno não guardou os materiais depois da brincadeira? “Se possível, vá pegá-los junto com ele, ajude-o a guardar”, indica a psicopedagoga. “Por mais que não esteja totalmente sozinho, ele também está fazendo a parte dele, e é importante saber quando reduzir as cobranças”, acrescenta.

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