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O que é a bactéria Streptococcus A e como ela age em crianças

Casos recentes de infecção em uma cidade de Minas Gerais, ainda sob análise, têm chamado a atenção. Entenda a situação e saiba como proteger seu filho

Por Isabelle Aradzenka
Atualizado em 1 nov 2023, 11h06 - Publicado em 26 out 2023, 14h34

Três mortes de crianças na cidade de São João del Rei, em Minas Gerais, estão sendo investigadas por terem características semelhantes àquelas causadas por bactérias do grupo Streptococcus A. Por enquanto, a Streptococcus pyogenes consta apenas no atestado de óbito de uma delas, de 10 anos, enquanto os outros dois laudos são aguardados pela Secretaria de Saúde local. Segundo a prefeitura, todos os casos aconteceram entre 24 de setembro e 23 de outubro e as crianças não tinham relação entre si.

Além disso, a instituição relatou a internação (sem óbito) de outra paciente por 16 dias, que teve o diagnóstico confirmado laboratorialmente. Mais quatro crianças internadas com sintomas suspeitos estão sendo observadas.

Diante desse cenário, familiares estão pedindo a suspensão das aulas. A prefeitura informou um processo de desinfecção e limpeza das escolas, que as manterá fechadas até 5 de novembro, mas a Secretaria de Saúde do Estado de Minas Gerais informou que não há critérios que comprovem um surto da bactéria na cidade.

Em 2022, uma onda incomum de infecções por Streptococcus do grupo A no Reino Unido também chamou a atenção. Para se ter uma ideia, ao longo de um mês, foram 74 mortes em diferentes faixas etárias – entre elas, sete crianças de 1 a 4 anos faleceram apenas uma semana após a infecção.

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Na foto, é possível ver uma criança deitada em cama de hospital. O foco está na mão, com curativo e acesso venoso. O resto da imagem está desfocado. Ela tem a pele branca e os lençóis são claros.
(Cavan Images/Getty Images)

O que são as Streptococcus?

Existem várias bactérias do gênero Streptococcus. Alguns dos tipos mais conhecidos e responsáveis por causar doenças são as do grupo B (Pneumoniae e Agalactiae) e do grupo A (Viridans e Pyogenes), explica Cristiana Meirelles, médica infectologista, pediatra e gerente médica da Beep Saúde. “Todas elas têm formato redondo e coloração roxa quando observadas no microscópio, podendo se agrupar em cadeia”, completa.

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Grande parte dessas bactérias já está presente no organismo do adulto ou da criança sem fazer mal algum. Entretanto, alguma condição clínica ou desequilíbrio pode levar à multiplicação de um tipo de Streptococcus, e então vemos a manifestação de doenças.

A Streptococcus do grupo A (responsável pelos casos registrados em São João del Rei e na Inglaterra) está ligada a doenças como escarlatina, febre reumática, infecções respiratórias, entre outras. A forma mais comum dela se manifestar é através de faringotonsilite, uma inflamação da faringe e das tonsilas palatinas (amígdalas), pontua a infectologista.

Em crianças, o quadro começa com o surgimento abrupto de uma dor de garganta (levando à dificuldade de se alimentar). O sintoma pode vir acompanhado de febre, dor de cabeça, dor abdominal, náusea e vômitos. Pus na garganta, aumento dos gânglios do pescoço e manchas vermelhas no céu da boca são outros sinais menos comuns.

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Quando, além dessas queixas, também há erupções avermelhadas na pele, que começam na virilha e axila e depois se espalham para o tronco e as extremidades, seguidas de descamação, o quadro pode se caracterizar como escarlatina, diz Cristiana.

Como ela é transmitida e como se proteger?

Habitualmente, a Streptococcus A só está presente na região da pele e da boca. “Essa espécie se diferencia das demais do gênero pelo seu comportamento, características químicas e aspecto, sendo a mais capaz de causar doença”, diz a infectologista.

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Ela é transmitida através do contato entre as pessoas – como beijos, compartilhamento de talheres e secreções de espirros e tosse ou feridas de infectados. A Agência de Segurança em Saúde do Reino Unido assegura que uma boa higiene das mãos e das vias respiratórias é importante para impedir a propagação do germe. “Ao ensinar seu filho a lavar as mãos corretamente com sabão por 20 segundos, usar um lenço ao tossir ou espirrar e manter-se afastado de outras pessoas quando ele se sentir mal, você poderá reduzir o risco de a criança contrair ou espalhar a infecção”, reforçou em nota.

Bebê deitado e mão adulta segurando termômetro

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Sintomas e tratamento

O tratamento para infecção pela Streptococcus é realizado com a administração de antibiótico. “Geralmente é aplicada a penicilina, em via intramuscular ou oral. Repouso, ingestão adequada de líquidos, dieta leve, analgésicos e antitérmicos para controle de dor e febre também são alguns dos cuidados”, orienta a infectologista.

Além disso, a autoridade de Saúde britânica alertou, no ano passado, que as crianças podem ocasionalmente desenvolver uma infecção bacteriana ao mesmo tempo que uma viral, o que iria deixá-las mais doentes.

“É muito raro que uma criança chegue a um quadro grave, e a maioria das doenças circulando podem ser gerenciadas em casa. No entanto, os pais sabem melhor do que ninguém como o seu filho costuma se comportar, e saberão quando ele não está respondendo de forma normal”, orientou o comunicado.

A instrução é para entrar em contato com um profissional de saúde aos perceber que:

  • A criança está piorando
  • Ela não está se alimentando ou come muito menos do que o costume
  • O bebê teve uma fralda seca por 12 horas ou mais e mostra sinais de desidratação
  • Temperatura de 38°C em crianças com menos de 3 meses, e 39°C ou mais nas com 3 a 6 meses
  • O bebê está mais quente do que o normal quando você toca as costas ou o peito, e há presença de suor
  • A criança está muito cansada ou irritada

Leve à emergência caso:

  • Seu filho esteja com dificuldade para respirar (você pode notar grunhidos entre a respiração)
  • Haja pausas enquanto a criança respira
  • A pele, língua ou os lábios estejam azuis
  • A criança esteja mole, não acorde ou se mantenha acordada
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