Guia da vacinação: como proteger você e o bebê durante a gravidez

Em época de baixa cobertura vacinal e volta de doenças, a atenção se volta à proteção da gestante. Saiba que vacinas precisam ser tomadas.

O retorno do sarampo, que está assustando o país, reforça a importância das vacinas, que registraram recentemente quedas históricas na cobertura. Recentemente, a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) lançou uma campanha voltada ao calendário de vacinação da gestante, público em risco de sofrer com a volta de doenças já erradicadas.

“De maneira geral, as infecções que ocorrem na gestação tendem a ser mais severas, pois a resposta imunológica da mulher é modificada no período”, explica a infectologista Rosana Richtmann, da Maternidade Pro Matre Paulista. “Além disso, a vacina impede a passagem do micro-organismo para o feto e garante saúde para o recém nascido nos primeiros meses, pois os anticorpos produzidos pela mãe passam para ele”, completa a médica.

Em estudos com a vacina da gripe, por exemplo, a injeção mostrou diminuir a incidência parto prematuro, pois pegar a doença é um fator de risco para a antecipação do nascimento. Nem todas as vacinas, contudo, estão liberadas na gestação. Algumas, como a do sarampo, devem ficar para depois do nascimento, mas não podem passar batidas. 

Vacinas que a gestante deve tomar

Todas estão disponíveis na rede pública e não contêm vírus ou bactérias vivas, por isso não oferecem nenhum risco ao bebê:

  • Influenza – Que protege contra o vírus da gripe. A dose deve ser tomada a cada gestação, o mais cedo possível, inclusive no primeiro trimestre de gravidez.
  • Tríplice bacteriana (dTpa) – Atua para barrar difteria, tétano e coqueluche. Deve ser repetida em cada gravidez a partir da 20ª semana.
  • Dupla adulto (dT) – Se a mulher não estiver protegida adequadamente contra tétano e difteria, com registro das vacinas anteriores, precisa receber duas doses da vacina dT. A primeira, dois meses depois da dTpa, e a segunda, entre 4 e 6 meses após a primeira. 
  • Hepatite B – Também para gestantes que não completaram todo o esquema de imunização. São três doses, com intervalo de um mês entre a primeira e a segunda, e de seis meses entre a primeira e a terceira. 

Em casos especiais, os médicos podem recomendar outras vacinas que estão liberadas para as grávidas, mas disponíveis somente na rede particular, como a da meningite meningocócica conjugada ACWY e Hepatite A. Isso ocorre quando a gestante foi exposta a algum risco direto de contrair alguma dessas doenças, em regiões/épocas de surto ou se ela for portadora de doenças crônicas como diabetes e certos problemas cardíacos.

Se você quiser saber um pouco mais sobre as doenças evitadas pelas vacinas na gestação, clique aqui.

E a vacina do sarampo?

A vacina é contraindicada para gestantes, que devem tomar outras medidas de proteção contra a doença que está em surto e pode causar problemas ao bebê. “No primeiro trimestre, o sarampo está relacionado ao aborto espontâneo e, no segundo, ao trabalho de parto prematuro. Mais perto do parto, o risco é de infecção grave no recém-nascido”, conta Rosana. “O ideal é que elas evitem frequentar, nesta época do ano locais com muita aglomeração de pessoas e fechados na medida do possível”, destaca a médica.

Caso tenha tido contato com alguém com a doença, ela deve procurar o médico, pois é possível administrar anticorpos já prontos para combater o vírus. Embora a vacina não seja recomendada para gestantes, mulheres que participaram da atual campanha e porventura engravidaram podem ficar tranquilas. “Os relatos de campanhas anteriores mostram que não ocorreram complicações em recém-nascidos de mulheres que se vacinaram”, desta Rosana.

Depois do nascimento, aí sim a mulher pode tomar a vacina, mesmo que esteja amamentando.

Vacinas no pós-parto

Em tempos de possibilidade de epidemia, Rosana recomenda atualizar a caderneta durante o puerpério se ela estiver sem as doses corretas das vacinas de vírus vivo atenuado, como a tríplice viral do sarampo, dengue e catapora. Os anticorpos fabricados pela mãe continuam sendo transmitidos ao bebê, dessa vez pelo leite materno, e o fato da mulher estar protegida cria uma barreira contra a transmissão de vírus e bactérias oportunistas.

A SBIm criou um site para orientar as famílias sobre o tema, o Vacinas para Grávidas.

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