Febre em bebê e criança: como identificar e o que fazer?

Entenda o que a elevação da temperatura corporal do seu filho significa e quando ela é motivo de preocupação

Por Vanessa Gomes Atualizado em 29 jul 2022, 12h48 - Publicado em 29 jul 2022, 16h00

Você encosta no seu filho e sente ele mais quentinho. Já vem logo aquele desespero: será que é febre? E o que essa febre significa? Está alta? Devo dar antitérmico? É preciso correr para o pronto-socorro? As dúvidas são muitas, a gente sabe, sobretudo para os pais de primeira viagem – mas respire. Vamos com calma!

A calma, aliás, é fundamental. Isso porque, ao contrário do que muita gente pensa, febre nem sempre indica um problema. “Estamos tentando combater a ‘febrefobia’”, explica o pediatra Tadeu Fernandes, presidente do Departamento Científico de Pediatria Ambulatorial da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). “Ela é nossa amiga, não inimiga. Quando você tem febre, é o seu organismo trabalhando contra um agente agressor”, afirma. Por isso, nem sempre é necessário fazer algo ou tentar baixá-la. Às vezes, basta esperar e simplesmente observar.

O que é a febre?

De acordo com Fernandes, a febre é a elevação de uma espécie de “termostato” que temos no sistema nervoso central, em resposta a uma agressão ao organismo (causada por um vírus ou uma bactéria, por exemplo). “A febre é um sinal, não uma doença”, diz o especialista da SBP. “Se você combater a febre a níveis mínimos, a índices baixos, vai bloquear justamente a defesa do corpo da criança contra um agente agressor”, diz.

Pele quentinha é sinal de febre?

Antes de tudo, vale lembrar que a maneira de aferir a temperatura faz toda a diferença. Encostar a mão na testa ou na bochecha e perceber a criança “quentinha” não necessariamente significa que ela está febril. Sim, ela provavelmente ficará mais quente se estiver com febre, mas, para entender melhor qual é a situação, é importante usar uma ferramenta adequada, como o termômetro.

A partir de quantos graus é considerado febre? 37 graus é febre?

Neste caso, não há uma resposta exata. A temperatura corporal considerada febre varia dependendo da referência que se utiliza. “A Academia Americana de Pediatria (AAP) usa 37,2ºC. O tratado de pediatria da SBP usa 37,8ºC. Recentemente, escrevemos um documento da SBP em que usamos como referência a temperatura de 37,2ºC a 37,3ºC. Então, é uma definição apenas teórica. Não significa que a partir desse número precisa ser dado o antitérmico”, explica Tadeu Fernandes.

Existe um termômetro mais indicado?

A melhor ferramenta, segundo o médico, é o termômetro digital, usado na axila por três minutos, até apitar. Os infravermelhos, que passaram a ser muito usados durante a pandemia, na testa ou no pulso, são úteis para triagens, mas são menos específicos.

Como baixar a febre?

Banho frio, álcool na axila, compressas… Os métodos caseiros funcionam para baixar a febre em crianças? A princípio pode ser que a temperatura caia, mas o especialista da SBP reforça que nenhuma dessas técnicas é indicada. Elas podem até piorar o problema, causando choque térmico. Se for necessário reduzir a febre, é preciso esperar o efeito do antitérmico indicado pelo médico do seu filho. Enquanto aguarda, você pode até colocá-lo no banho, em temperatura normal, só para acalmar, relaxar, distrair.

Mão segura um termômetro marcando 39,2 graus. Ao fundo, desfocada, uma criança deita
yaoinlove/Getty Images

Febre em crianças: quando medicar?

As medidas a serem tomadas em caso de febre dependem de alguns fatores. “As palavras mágicas são: estado geral”, orienta o pediatra. Para ele, o antitérmico deve ser usado não de acordo com o número exibido no visor do termômetro, mas quando a febre incomodar a criança. “Se seu filho estiver com 38,5ºC e brincando no parquinho, deixe que ele continue brincando. Na hora em que se sentir amuado, cansado, você pode dar o antitérmico. Não existe número fixo’”, afirma.

Vale a mesma lógica para casos em que a criança não apresenta uma temperatura tão alta, porém está ofegante e abatida. “Ela pode precisar de cuidados médicos mais urgentes do que outra criança que está com 37,8ºC ou 38ºC, mas que está sem outros sinais de alerta”, compara o médico.

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Na hora de escolher o antitérmico, converse com o pediatra do seu filho. Geralmente, nas primeiras consultas de rotina, os médicos indicam o medicamento ideal em caso de elevação de temperatura. O importante, segundo o pediatra da SBP, é respeitar as orientações do profissional e não alternar antitérmicos diferentes. “Use o mesmo [remédio] e aguarde o tempo necessário entre uma dose e outra, de quatro em quatro horas ou de seis em seis horas, na maior parte das vezes. Intercalar medicamentos diferentes oferece maiores chances de intoxicação”, alerta.

Caso a temperatura volte a subir antes do horário indicado para a próxima dose, observe a hidratação. Crianças com febre tendem a perder líquido pelo suor. Veja se a fralda está molhada, se o bebê ou a criança continua fazendo xixi. A diminuição da frequência pode ser sinal de desidratação. Capriche na oferta de líquidos, sobretudo de água.

Quando é preciso ir ao pronto-socorro?

Vale a mesma dica do antitérmico: observe o contexto e o estado geral da criança. Se ela está com a respiração normal, se apresenta outros sintomas, se está abatida, se está ofegante. Se for apenas febre, mas seu filho estiver se alimentando, brincando, agindo normalmente, é possível esperar um pouco mais e observar. O ideal é tentar agendar uma consulta com o pediatra, que já conhece o histórico médico e acompanha a criança há mais tempo. Caso a criança esteja incomodada ou demonstrando outros sinais preocupantes, busque atendimento mais rápido.

“Existe um estudo grande, feito na Espanha, que mostra que 75% dos pais procuram o pronto-socorro antes de a criança ter 24 horas de febre”, conta Fernandes. “É impossível para o médico dar um diagnóstico definitivo para uma febre tão recente porque, em geral, primeiro vem a febre. Então, 24, 48 ou até 72 horas depois é que vai aparecer uma doença, uma virose, uma doença mão-pé-boca, amigdalite, pneumonia, meningite…”, exemplifica. A recomendação é observar o que está acompanhando este sintoma.

Febre em recém-nascidos: sim, é sinal de alerta!

Atenção! As orientações dadas até agora nem sempre valem quando o bebê é recém-nascido. Em crianças de até dois ou três meses, a febre pode, sim, ser um sinal mais importante. Como o sistema imunológico é muito imaturo, as infecções tendem a se espalhar mais rapidamente pelo organismo. Portanto, o pediatra indica que a família busque atendimento o quanto antes. “Existe um protocolo específico de exames laboratoriais em casos de bebês dessa idade”, explica.

Febre em bebê: o que pode ser?

A elevação da temperatura é um sinal de que o corpo está usando uma ferramenta – o aumento de calor – para expulsar algum agente agressor. E quais seriam esses agentes? “Sem sombra de dúvida, 90% das febres são de origem viral. E, para origem viral, vale lembrar, não é preciso usar antibiótico”, diz o médico da SBP. A febre pode ainda ser sinal de otite, resfriado, gripe, viroses do sistema digestivo… Além disso, pode indicar a presença de bactérias, como em situações de infecção urinária, pneumonia, meningite bacteriana, entre outros.

É possível também que o nascimento dos dentes leve os bebês a ter febre – o que não deve ser motivo de preocupação. “A erupção do dente pode causar febre baixa, porque é uma agressão, um rompimento. Pode dar febre, mas geralmente é baixa”, afirma o especialista. A elevação da temperatura às vezes se trata uma reação a algumas vacinas, já que, em geral, estamos falando de um vírus (ainda que inócuo), inserido no corpo para estimular a produção de anticorpos. É uma resposta normal e esperada.

Portanto, a dica é que os pais se lembrem sempre de que a febre é um sinal de que o mecanismo de defesa do corpo da criança está funcionando como deveria. Observe com atenção, converse com o pediatra e evite o pânico – que só tende a piorar qualquer situação.

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