Quais são os motivos por trás da dor de cabeça em crianças?

O incômodo pode ser um problema frequente para muitos adultos, mas o que fazer quando é o pequeno que reclama de dores nesta região?

Por Isabelle Aradzenka Atualizado em 12 nov 2021, 18h28 - Publicado em 14 nov 2021, 10h00

Um dia longo no trabalho, tarefas da casa, problemas familiares… Só de falar em algumas destas situações, já conseguimos lembrar daquelas pontadas incômodas de dor de cabeça que elas podem causar.

Analgésicos ou apenas um momento de relaxamento costumam resolver o problema para os adultos. Mas o que fazer quando a reclamação vem dos pequenos? Será que eles sentem as dores da mesma forma?

De fato, crianças com menos de seis anos podem sofrer com dores na cabeça. Mas antes de tomar uma atitude, é preciso entender se esse é realmente o problema, já que, pela própria imaturidade, nem sempre eles conseguem verbalizar onde exatamente é a dor ou podem confundir sintomas.

“Mesmo que a criança fale que está com dor de cabeça, a confiabilidade da informação é reduzida. Às vezes, ela faz a reclamação e logo depois sai por aí brincando e correndo. Nesses casos, provavelmente a dor não existe ou não é tão intensa. Então, é preciso examiná-la com muito cuidado e verificar se existe algum sinal indireto desse incômodo”, explica o neuropediatra Carlos Takeuchi, vice-presidente do Departamento de Neurologia e Neurocirurgia da Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP).

Claro que é preciso validar o incômodo trazido pelo filho, mas há outros indícios primários que merecem uma observação mais atenta, como:

  • Se a luz e o barulho incomodam;
  • Se, ao dormir, a dor melhora;
  • Qual o horário que dói mais;
  • Se a criança está pálida, gelada e menos agitada;
  • Se a criança vomitar.

Depois de averiguar a presença dos sinais indiretos, entender as possíveis causas por trás da dor é o próximo passo para buscar o cuidado adequado ao pequeno.

Entenda as dores de cabeça mais comuns: 

  • Dores por tensão muscular

Um dia cheio de exercícios físicos exagerados, uma noite mal dormida pelo uso incorreto do travesseiro ou até o exagero das telinhas e dos dispositivos eletrônicos podem causar dores musculares no pequeno e, posteriormente, gerar um quadro de dor de cabeça, explica Paulo Telles, pediatra e membro da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).

Além disso, o pediatra complementa que a dor por tensão muscular geralmente leva a uma sensação de aperto ao redor da cabeça. Diferente de quadros de enxaqueca, que se apresentam através do latejamento.

  • Dores por maus hábitos alimentares

Passar um longo período sem comer ou fazer grandes intervalos entre as refeições, mastigar chicletes e outros petiscos muito duros e até a ingestão de bebidas e alimentos gelados, como picolés e raspadinhas também podem causar dores de cabeça nos pequenos, esclarece o pediatra.

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  • Dores por infecções virais

De acordo com Paulo, uma das causas mais comum de dores de cabeça aguda nas crianças são os quadros virais, como gripes, resfriados, sinusites e outras infecções.

“Não podemos esquecer também das temidas meningites, seja de causa viral ou bacteriana. Podem ser graves e vir com outros sintomas, como rigidez no pescoço, confusão, febre e vômitos”, finaliza o pediatra.

  • Dores por problemas na visão

Também existem as dores de cabeça causadas por problemas de visão. Mas apesar de serem muito conhecidas, a verdade é que elas atingem apenas uma pequena parcela das ocorrências em crianças, como explica Fabio Ejzenbaum, oftalmologista coordenador do Grupo de Trabalho de Oftalmologia Pediátrica da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).

“Um dos problemas visuais que podem gerar dor de cabeça na criança é a necessidade de uso de óculos. Tanto para aquela que precisa para perto, pois está forçando muito os olhos para leitura na escola, quanto para aquela que precisa para longe”, explica Fábio.

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Westend61/Getty Images

Dores muito intensas exigem investigação!

Já sabemos alguns dos motivos que podem estar por trás das principais queixas de dores de cabeça dos pequenos aos pais. Mas se as reclamações persistirem, quando saber que é a hora certa para procurar um especialista ou dar um medicamento?

O pediatra Paulo Telles explica que pode ser feito o uso de um analgésico em dores pontuais, mas o importante nessa hora é tentar averiguar a intensidade das dores na criança.

  • Leve: o pequeno sente dor e até pode falar sobre isso, mas ela não altera nenhuma de suas atividades, como a escolinha, a lição de casa, as brincadeiras e o sono.
  • Moderada: a dor impede que seu filho faça algumas das suas atividades normais e pode acordá-lo do sono.
  • Grave: a dor é muito forte e impede que seu filho faça quase todas as suas atividades normais.

Além da própria intensidade, há outros indícios que os pais podem prestar atenção na hora de examinar a necessidade de encaminhamento a um pediatra:

  • Quando as dores são acompanhadas de febre, rigidez no pescoço ou vômitos frequentes;
  • Quando as dores são graves, sem melhora após uso de analgésicos;
  • Quando as dores acordam o pequeno do sono ou pioram ao deitar-se;
  • Quando as dores são frequentes (mais de 2 vezes na semana), ou estiver atrapalhando as tarefas diárias.

Existem também sinais mais graves que podem acompanhar os demais e indicam um problema mais sério, como uma criança que andava normalmente e passa a apresentar dificuldade no movimento ou a cair no chão.

“Se ela tem alguma alteração de equilíbrio importante, vômitos e a própria dor de cabeça, você pode suspeitar de um tumor. A partir daí é indicado um exame de imagem e, se constatado, geralmente o tratamento é cirúrgico”, finaliza o neuropediatra Carlos.

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