Colares, pulseiras e brincos podem representar perigo aos bebês?

Os riscos passam por engasgue, sufocamento e alergias, mas estando atento a algumas características dos objetos e ao momento de uso, é possível evitá-los.

Por Nathalie Ayres Atualizado em 7 fev 2022, 17h10 - Publicado em 25 jan 2022, 12h24

Para algumas mães, manter seu bebê bem arrumado é uma das atividades prazerosas da rotina, mostrando suas roupinhas combinadas com acessórios como bonezinhos, faixas e bijuterias. Inclusive, já existem joalherias especializadas no público infantil, com pulseiras com espaço para gravar o nome, correntinhas e brinquinhos. Mas quanto o uso deste tipo de apetrecho pode representar um perigo ao pequeno?

“Para a segurança dos bebês, o principal é prestarmos atenção a modelos, formatos e tipos de materiais que possam trazer perigo. Reconhecer riscos em potencial a engasgos, ingestão, perfurações ou alergias, é muito importante e pode nortear escolhas mais seguras”, alerta a pediatra Renata Rodrigues Aniceto, membro do Departamento Científico de Pediatria Ambulatorial da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).

Apesar da lista de riscos soar aflitiva, não é preciso correr e tirar todos os acessórios de seu bebê. Conversamos com especialistas para entender como reconhecer situações de perigo e a melhor maneira de evitá-las:

  • Alergias:

O primeiro ponto de atenção ao pensar em acessórios infantis é o seu material. “O níquel é o principal agente causador de dermatite de contato alérgica e bijuterias são geralmente constituídas por este metal”, reforça a pediatra Caroline Peev, do Hospital Infantil Sabará. Atenção também às peças de materiais plásticos, sintéticos e coloridos artificialmente.

O ideal é preferir itens que são feitos de ouro e prata, materiais menos alergênicos e ficar atento se o pequeno apresentar vermelhidão no local, dor e coceira, com o aparecimento de bolhas que, ao se romperem, causam uma ferida.

  • Engasgue:

O bebê costuma ter o reflexo de levar objetos à boca. “Brincos de formatos maiores, tarraxas, contas de colares e pulseiras, devido ao tamanho, podem impactar em diversos pontos das vias aéreas da criança, levando ao sufocamento e risco de parada respiratória”, enumera Aniceto.

Mesmo acessórios menores, como brincos e pedrinhas, podem ser engolidos e causar algum ferimento interno, apesar de possuírem um potencial de impacto menor nas vias áreas. Portanto, o ideal é que o manejo destes itens seja feito apenas pelos pais, quem também deve supervisionar o uso dos filhos. 

  • Sufocamento:

A utilização de correntes ao dormir pode ser um problema. “O bebê pode rolar no berço na hora do sono, puxar o colar achando que é um brinquedo, ou a corrente pode se enroscar no lençol”, exemplifica Peev. Para evitar qualquer possibilidade do sufocamento, o indicado é retirar o acessório do pequeno antes de levá-lo à cama.

  • Gangrena:

Alguns acessórios, como anéis, podem ficar apertados rápido demais, causando problemas na circulação do dedo e até gangrenas. “As crianças têm uma velocidade de crescimento mais rápida. Se a alteração da circulação não for percebida no dedo de um bebê, por exemplo, pode ser necessário cirurgia para retirar a área afetada”, considera Peev. Com este alerta, vale repensar o uso do item.

  • Ferimentos:

Já o problema dos acessórios de ouro e prata é que muitas vezes são duros e, em alguma queda ou impacto, podem machucar. É difícil prever o que uma criança pode fazer brincando sozinha ou com outras, portanto, os itens representam um risco em potencial. “Já presenciei o caso de uma criança de dois anos com ferimento no pescoço devido ao uso de colar: o irmão mais velho enroscou a mão enquanto estavam brincando”, comenta Peev.

Além dos colares, anéis e pulseiras podem enroscar em outros objetos, machucando o pequeno ao tentar se desvencilhar. Os objetos feitos de nylon também trazem o risco de cortes sérios em bebês muito pequenos. Logo, o ideal é deixar seu filho sem este tipo de acessório na hora de brincar por aí!

  • Problemas bucais:

Mesmo que a criança não engula o objeto que levar à boca, ela pode tentar mordê-lo e causar algum tipo de machucado em sua gengiva, como cortes ou arranhões. Dependendo da força que ele usar e idade que tiver, a dentição também pode ser prejudicada. Portanto, o reforço é que a utilização destes acessórios pede monitoramento dos pais, o tempo todo!

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Piotr Stryjewski/Getty Images
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Ah, e os colares de âmbar?

Nas redes sociais, influenciadoras mostram que para evitar as dores do nascimento dos primeiros dentinhos dos bebês usam os famosos colares de âmbar. No entanto, não há evidências científicas de que o acessório previne ou tenha algum impacto positivo sobre este mal-estar passageiro. Assim, os riscos citados são os mesmos de quando falamos do uso de qualquer outro tipo de corrente infantil.

Ainda sobre o âmbar, Peev faz o alerta sobre a procedência do produto. “O maior agravante é que atualmente, para baratear o colar, eles têm sido feitos de plástico ou outros materiais que podem ocasionar alergia”, considera a pediatra.

Atenção redobrada aos ímãs

Além dos outros pontos de atenção já citados, um problema que precisa de atenção dos pais é a ingestão de imãs, que podem estar presentes em alguns fechos de acessórios. Este tipo de material poderia fazer com que fosse mais fácil encaixar colares e pulseiras no bebê, por exemplo. Só que ele é bastante perigoso.

“Quando mais de um imã é ingerido ao mesmo tempo, eles podem se atrair dentro do organismo e causar danos. São relatados casos da ação magnética entre imãs no intestino levando à perfuração do tecido e necessidade de cirurgia de emergência”, lembra Aniceto.

A contaminação por chumbo deve ser considerada

O contágio por chumbo também pode causar diferentes problemas, principalmente em crianças pequenas. No entanto, é importante ressaltar que estes prejuízos só ocorrem após uma exposição crônica ao metal pesado, ou seja, constante.

“É mais grave para bebês e crianças abaixo de cinco anos, porque causa danos em seus cérebros (potencialmente irreversíveis), com prejuízos neurológicos, cognitivos e físicos para toda a vida. Além disso, o chumbo pode se depositar nos dentes e ossos”, considera Aniceto.

O metal pesado pode ser absorvido pelo organismo do bebê quando ele engole objetos que o contenham, como alguns tipos de bijuterias. “Vale lembrar que atualmente estamos expostos a diversas fontes de chumbo, como na água dos canos, tintas e soldas em latas de comida e especiarias, cosméticos e brinquedos”, enumera a especialista.

O que levar em conta sobre furar a orelha do bebê

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E já que estamos falando em acessórios, faz sentido citarmos também o ato de furar a orelha do bebê. Do lado comportamental, a decisão dos pais caminha por uma longa discussão sobre ser ou não um desrespeito com as escolhas do pequeno e até mesmo uma imposição de gênero.

Já a partir da perspectiva médica, a resposta é mais objetiva: não há problemas em se fazer isso após os dois meses de idade, assim o bebê já está protegido do tétano devido à vacinação, como lembra Aniceto.

É preciso apenas tomar cuidado e, dê preferência, levar o pequeno a um lugar já conhecido e com higienização de confiança, já que o furo pode abrir portas para agentes infecciosos, como bactérias e vírus, ocasionando inflamação – no entanto, os casos são raros. “A cicatrização também pode não ser adequada trazendo chances de queloide”, acrescenta Peev.

Então, quando a criança pode usar joias e bijuterias?

Com todos estes pontos expostos, fica o questionamento se há uma idade em que é mais recomendado começar a colocar os acessórios no bebê, entretanto, não há uma resposta única! “Até os dois anos, a criança está na fase oral do desenvolvimento emocional e este é o período em que tende a levar diversos objetos e brinquedos à boca. Seguindo este raciocínio, o momento ideal para o uso de joias acontece após esta idade, com o amadurecimento do período”, considera Renata Aniceto.

No entanto, você pode preferir esperar que seu pequeno entenda melhor os riscos dos objetos, sendo capaz de tomar mais cuidado. “Na minha opinião, acessórios deveriam ser direcionados para crianças maiores de cinco anos”, considera Peev.

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