É verdade que bebês têm mais cólica no fim do dia?

Se o pequeno começa a chorar excessivamente quando o dia está escurecendo, o motivo pode ser as dores na barriguinha, que são comuns até o 4° mês de vida.

Por Isabelle Aradzenka Atualizado em 26 nov 2021, 14h47 - Publicado em 27 nov 2021, 10h00

Os primeiros dias com o bebê em casa são recheados de novidades para a família e, por isso, pode levar um tempo até os pais distinguirem os motivos por trás de cada chorinho do pequeno. Além das queixas habituais de sono, fome e até frio, existem outras razões, como é o caso das famosas cólicas.

Estas dores na região da barriga podem aparecer já nos primeiros dias após o nascimento, mas o comum é que surjam a partir do 15° de vida e durem até o 3° ou o 4° mês, como explica Silvana Salgado Nader do Departamento Científico de Neonatologia da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).

As causas por trás do desconforto são incertas e individuais a cada bebê, mas a pediatra esclarece que podem ser resultado da adaptação do organismo do recém-nascido à vida extrauterina e até do próprio processo de desenvolvimento do sistema gastrointestinal, ainda imaturo.

O que se sabe é que os pequenos que sofrem com as cólicas são aqueles que choram excessivamente e que não apresentam nenhum outro motivador pela irritação. E tem momento mais comum para toda essa choradeira acontecer, sabia?

Silvana conta que o final da tarde, quando o bebê já está se preparando para o fim do seu dia, é o período mais comum para aparecerem as tais dores abdominais, que podem gerar aquele choro descontrolado do recém-nascido. Somado à outros fatores como cansaço, fome ou outro tipo de desconforto que o bebê queira expressar, este chororô da tarde também ficou conhecido como “hora da bruxa”.

Será que é realmente cólica?

Para entender se as dores na barriguinha são realmente o problema, o primeiro passo é prestar atenção na frequência do choro, e existe até uma regrinha que as mães podem seguir: aquele bebê que fica chorando por pelo menos três horas, em que a situação se repete durante três dias da semana e já dura um período superior a três semanas pode estar sofrendo com as cólicas.

Mas não basta apenas identificar a irritação frequente, a pediatra explica que o diagnóstico das cólicas nos pequenos é feito por exclusão, ou seja, descartando outros motivos ou doenças que possam estar por trás da irritação.

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Então, é essencial encaminhar o bebê a uma avaliação pediátrica para garantir que o pequeno está se desenvolvendo adequadamente e que o problema não é mais sério.

“O pediatra precisa excluir outras causas. Só quando ele descartou todas as doenças e garantiu que o bebê está crescendo bem e ganhando peso é que se pode dizer que é cólica”, esclarece Silvana.

O que fazer na hora do choro…

Bebê-chorando
Kemter/Getty Images

Toda mãe conhece aquele aperto no coração que dá ao ver o bebê chorando repetidamente. Então, existem algumas dicas que podem ajudar a aliviar o desconforto do filho.

Nos momentos de irritação, a pediatra orienta a pegar o bebê no colo e colocar ele em contato com a pele, encostando a barriga da mãe com a barriga do bebê para diminuir um pouquinho aquela motilidade gástrica intestinal e, assim, acalmá-lo.

A mãe pode ainda acalentá-lo e conversar com o pequeno em um tom de voz mais baixinho, segurando-o perto da região do peito para que ele consiga ouvir os batimentos do coração que já escutava intraútero.

Além disso, também é válido flexionar as perninhas do bebê em direção a barriga, usar cobertores para enrolar e aconchegar ele e até dar um banho ou aplicar compressas mornas para acalmá-lo.

E é importante também se preocupar com as questões emocionais do ambiente que o pequeno está. Reduzir o barulho, tumulto e agitação da casa é mais uma maneira de trabalhar a tranquilidade do bebê.

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