Inchaços durante a gravidez: quando são normais e quando merecem atenção

Os edemas são mais comuns nas pernas e extremidades, mas também podem aparecer em outras regiões do corpo. Veja quando podem indicar algo mais grave!

Por Flávia Antunes Atualizado em 21 Maio 2021, 17h22 - Publicado em 22 Maio 2021, 10h00

Sonolência, enjoos, vômitos, mudanças de humor… Dentre os sintomas clássicos que associamos à gravidez, impossível deixar fora da lista os famosos inchaços. E nem estamos falando só do aumento no tamanho das mamas, viu?

Outras partes do corpo podem ser afetadas – e por isso você já deve ter ouvido falar em mulheres que tiveram que comprar calçados maiores durante a gestação ou aquelas que foram salvas pelas sessões de drenagem linfática.

Então vamos ao que interessa? Preparamos um pequeno guia para que você saiba quando esperar que os edemas (nome médico para os inchaços) apareçam, como aliviar o desconforto e quando eles deixam de ser “normais” e merecem uma atenção extra.

Por que os inchaços ocorrem?

Para receber o bebê, logo nos primeiros meses há um aumento no volume de sangue dentro do corpo da mulher e as veias ficam mais distensíveis, como explica a cirurgiã vascular e membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV), Aline Lamaita.

“Por conta disso, e como o sistema circulatório ainda não está tão adaptado, algumas gestantes podem se queixar de tontura e inchaço – principalmente em quem já tem problema de circulação -, mas costuma ser uma fase tranquila”, diz.

O incômodo tente a aumentar no segundo semestre, quando o útero vai crescendo e comprimindo uma veia que fica dentro da barriga, chamada veia cava. “Isso dificulta a drenagem e circulação das pernas, o que pode gerar aumento de inchaço e retenção de líquidos nessa região”, acrescenta a especialista.

O auge acontece no terceiro trimestre, quando a barriga está maior e congestiona o retorno da circulação dos membros inferiores para o coração, levando a uma dilatação do sistema vascular periférico (veja mais aqui). Com isso, o inchaço pode se manter constante, apenas intensificando-se no período da noite.

  • Em quais partes do corpo aparece?

    Os inchaços nas pernas e extremidades (como pés, mãos e até nariz) são os mais comuns, principalmente em gestantes que ficam bastante tempo em pé. “Esses inchaços costumam acontecer depois do segundo trimestre, mais especificamente após as 28 semanas, e vão ficando mais intensos no fim da gestação, por volta das 36 semanas”, reforça a ginecologista e obstetra Larissa Cassiano.

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    Seja por conta desse edema habitual, pelo ganho de peso ou pelo fato dos ligamentos do corpo se tornarem mais elásticos e instáveis para prepará-lo para a chegada do bebê, é possível sim que a polêmica do aumento dos pés se confirme – e que a gestante tenha que investir em calçados maiores por um tempinho.

    Outra área que pode ser afetada pelo edema gestacional é a da vulva e vagina e a região anal, novamente por conta da compressão da veia cava. “O inchaço se agrava ainda mais se a mulher tiver hemorroida, condição comum na gravidez. Ela pode ter a sensação de peso na vulva, que começa progressivamente no decorrer da gestação e piora na fase final. Felizmente, na maioria dos casos, há melhora completa depois do nascimento do bebê”, pontua Aline.

    Eventualmente, é possível que a mulher sinta até seu rosto mais inchado e, claro, suas mamas. Neste caso específico, porém, fica mais difícil de avaliar o que se trata de inchaço e o que é apenas um aumento de volume dos seios – fruto do corpo que se prepara para amamentar o bebê e que acontece por volta da 20ª semana, de acordo com a obstetra.

  • Quando o inchaço é normal…

    Verificar se o edema é “esperado” para a fase ou se está passando do ponto nem sempre é uma tarefa fácil, e por isso a recomendação geral é que seja avaliado em conjunto com o médico. No entanto, alguns sinais podem dar certa tranquilidade para a mulher, como adianta a cirurgiã vascular.

    “Se esse inchaço não está associado a dor, é simétrico (acontece igualmente dos dois lados), não há inflamação e nem está dolorido, e oscila ao longo do dia, consideramos que se trata de uma manifestação ‘normal’ da gestação”, diz.

      … e quando merece atenção extra

      Os principais sinais de alerta acontecem se o edema vier acompanhado de muita dor e desconforto, vermelhidão e calor na região afetada ou então aumento de pressão. Nestes casos, é melhor buscar ajuda médica, já que é capaz que as manifestações anunciem outros probleminhas mais graves.

      “O inchaço pode ser decorrente de algumas condições, como a síndrome hipertensiva gestacional ou pré-eclâmpsia (quando a mulher tem elevação significativa da pressão arterial sem causas conhecidas) e trombose. Nesta última, diferente do inchaço normal, o edema atinge uma perna só e não regride ao longo do dia. Está associado a dor, principalmente na batata da perna”, detalha Aline. 

    • Dicas práticas para amenizar

      Nos casos dos inchaços leves e moderados – e que não estão associados a outras condições – algumas atitudes simples podem ajudar com o desconforto. A cirurgiã vascular lista algumas delas: “a primeira coisa é lembrar de fazer pausas ao longo do dia e elevar o pé na altura do quadril já é o suficiente. Indico também compressa gelada com chá de camomila caseira, para acalmar a pele e ajudar na drenagem; e o uso de meias de compressão (caso liberadas pelo médico)”.

      Larissa acrescenta a drenagem linfática como uma boa alternativa, já que a técnica direciona o excesso de líquidos para os gânglios linfáticos, facilitando sua eliminação pelo corpo; e sugere que a gestante deite-se com as pernas levemente levantadas e virada para o lado esquerdo. Para problemas mais específicos, pode ser que o profissional que faz o acompanhamento da gestante prescreva remédios para a melhora da circulação.

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