Os novos curtas da Disney darão visões de mundo importantes ao seu filho

A coleção "LAUNCHPAD" reúne seis produções emocionantes, que falam sobre diversidade cultural e étnica e outros temas da vida dos diretores.

Por Flávia Antunes Atualizado em 3 jun 2021, 17h39 - Publicado em 5 jun 2021, 14h00

Há um bom tempo, as produções infantis estão aprofundando as temáticas sociais e acrescentando aspectos emocionais complexos em suas tramas. Prova disso são as animações e filmes da Disney e Pixar. A cada nova estreia, a marca traz conteúdos que transmitem algum valor de respeito, amizade e sempre pautada pela diversidade – de culturas e etnias, como recentemente em “Raya e o Último Dragão” – ou que representam realidades que nem sempre ganham destaque nas telinhas, como os curtas da Pixar sobre autismo.

A novidade agora é a série “LAUNCHPAD”, uma coleção de seis curtas-metragem dirigidos por uma nova geração de contadores de histórias. Os cineastas foram selecionados entre mais de mil candidatos e tiveram a oportunidade de criar enredos baseados em suas próprias trajetórias de vida.

“O objetivo é diversificar as histórias que são contadas e dar voz àqueles grupos que historicamente não tiveram acesso”, disse a empresa. As produções que tem entre 13 e 20 minutos estão disponíveis no Disney+ desde 28 de maio – se você ainda não tem a assinatura,faça aqui!. E o sucesso foi tamanho que as inscrições para a nova temporada já estão abertas!

Veja um teaser de cada um deles, mas saiba que todos valem o play. E uma boa dica é, depois que o filme terminar, puxar uma conversa com a criança para ver o que ela entendeu do que assistiu. Os curtas podem ser uma boa oportunidade para falar sobre temas importantes ao desenvolvimento do pequeno.

(Ah, a maioria dos trailers ainda não estão disponíveis dublados, mas já servem para matar um pouquinho da curiosidade 😉:)

American Eid

  • O curta fala sobre… respeitar as celebrações de diferentes culturas e religiões e a importância de ter contato e aprender sobre tradições que não as suas.

Ameena é uma imigrante muçulmana vinda do Paquistão que vive um choque de realidade ao descobrir que um dos feriados mais importantes de sua religião – chamado Eid – não é comemorado nos Estados Unidos, seu novo lar. Decepcionada, mas cheia de força de vontade, a menina decide fazer um abaixo-assinado para que sua escola adote a celebração.

Enquanto luta por suas tradições, ela também passa por um processo de se reconectar com sua irmã mais velha e de aceitar a nova cidade. E como todos os curtas da coleção, a história tem tudo a ver com o que a diretora Aqsa Altaf viveu.

“Eu comecei a escrever ‘American Eid’ porque queria ver uma produção da Disney sobre o Eid – um feriado importante para mim como muçulmana que eu nunca tinha visto representado na grande mídia. Eu lembro de questionar, quando era pequena e vivia no Kuwait, o motivo pelo qual não tinham histórias sobre pessoas que se pareciam comigo e que tinham uma vida como a minha”, conta a diretora.

 

  • The Little Prince(ss)

    • O curta fala sobre… autoaceitação, ter orgulho de quem você é e tratar com respeito todos os tipos de identidades de gênero.

    A família de Gabriel, um garoto chinês de sete anos, apoia e valida o seu amor pelo ballet, seu gosto por brincar de bonecas e usar roupas rosa. Mas a personalidade do pequeno não é vista com os mesmos olhos por alguns colegas da escola e pelo pai de seu amigo Rob, que decide intervir na amizade dos dois.

    Baseado em fatos reais, o curta retrata um pouco da infância complicada do diretor Moxie Peng, enquanto explorava sua identidade não-binária e recebia constantemente comentários homofóbicos e cheios de ódio e preconceito. “Apesar de fazer anos desde que o incidente aconteceu comigo, meu processo de cura nunca terminou, e agora eu estou dando o poder de cura aos outros”, disse ele.

    “Eu quero mostrar que está tudo bem em ser diferente e que devemos ser gentis com nós mesmos. Eu espero que essas crianças e jovens aprendam a terem orgulho de quem são, porque autoaceitação e amor-próprio são impulsionadores de um poder que ninguém pode tirar de nós, e que nos faz mágicos”, completou Moxie.

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    Encarando meus segredos

    • O curta fala sobre… diversidade cultural, pertencimento e tratar com carinho sua(s) identidade(s).

    Quantas identidades uma pessoa pode ter? A jovem Val Garcia mal chegou na adolescência e já está descobrindo várias delas: além da descendência mexicana e americana, ela também é metade vampira e metade humana, e precisa manter esse “pequeno” segredo escondido dos dois mundos em que vive.

    Tudo parece ir bem, até que sua melhor amiga humana aparece de surpresa na escola de Val – cheia de monstros! -, e a menina precisará lidar com a verdade de quem realmente é. Mais uma vez, estar entre duas “realidades” é algo que a responsável pelo curta sabe bem. A diretora Ann Marie Pace é bissexual e nascida nos Estados Unidas, filha de pai branco e mãe mexicana, e nasceu em um ambiente culturalmente diverso.

    “Esse conflito de dualidades é o que eu queria explorar com Val. Mas eu queria contar essa história de forma a celebrar os jeitos dela que me faziam sentir envergonhada quando criança. É por isso que achei importante que as ‘partes’ mexicanas e queer fossem normalizadas e celebradas, e por outro lado seu complexo com a identidade gira em torno de ser metade vampira”, contou Ann.

    O Último dos Chupacabras

    • O curta fala sobre… conviver (e celebrar) as heranças culturais e étnicas e achar um equilíbrio entre adaptar-se ao novo, sem deixar de lado as raízes e o que nos torna especiais.

    Mais um curta que põe em pauta a questão étnica e cultural, “O Último dos Chupacabras” junta ficção e comédia para contar a história de uma mexicana nascida nos Estados Unidos que batalha para manter as suas tradições vivas – e acaba convocando uma criatura ancestral que vem para protegê-la.

    De descendência indígena e europeia, a diretora Jessica Mendez cresceu ouvindo de sua mãe que a língua espanhola era um fardo e que precisavam se adaptar aos costumes norte-americanos. “O curta é um vislumbre dos perigos desse tipo de mentalidade quando olhamos para as nossas culturas individuais”, reforçou ela.

    “Enquanto o planeta fica com uma lógica cada vez mais global, é importante pararmos e tirarmos um momento para celebrar o que nos faz únicos”, lembrou Jessica.

    O Jantar está servido

    • O curta fala sobre… conviver em ambientes diferentes, lutar pelos seus sonhos e não abrir mão de sua cultura.

    Ao concorrer para uma vaga de liderança em que nenhum estudante internacional havia se inscrito, um jovem chinês percebe que ser excelente no que faz não basta, já que sua nacionalidade era levada mais em conta.

    Também nascido na China, o diretor Hao Zheng chegou em Nova Iorque para estudar cheio de bagagem cultural, mas suas tentativas de ser bem-sucedido eram interrompidas pelo preconceito dos outros, que riam inclusive de seu sotaque.

    “Nós todos temos experiências parecidas de entrar em um novo ambiente, nos forçando a nos encaixar nele e de tentar nos provar. No entanto, o que realmente precisamos é descobrir quem realmente somos (…) Eu espero que ao ver o personagem cheio de persistência e energia, você também encontre sua própria juventude”, afirmou o diretor.

    Seja um Tigre 

    • O curta fala sobre… lidar com perdas, o processo de luto e achar conforto na companhia de pessoas especiais.

    Depois de perder sua mãe, o mundo de Avalon parece desabar. Mas o seu processo de luto ganha novas formas quando começa a trabalhar de babá de um menino de quatro anos – e encontra na leveza da criança doses de conforto que não esperava.

    A experiência de falar sobre temas delicados com os pequenos foi algo que a diretora Stefanie Abel Horowitz viveu desde cedo quando, cuidando de uma criança de três anos, teve que explicar – com a linguagem adequada à faixa etária – o que a morte significava. Mesmo assim, o tema continua até hoje a rodear sua cabeça e suas produções.

    “Neste curta, um menino pequeno aprende sobre morte enquanto sua babá é confrontada com seu próprio senso de perda. Mas o que são as crianças se não um lembrete de que temos tanto para viver?”, refletiu ela.

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