Crianças podem usar fones de ouvidos? Veja o que dizem os especialistas

Os aparelhos podem facilitar passeios em locais públicos ou as atividades dos pequenos, mas devem ser usados com moderação e com atenção ao volume.

Por Isabelle Aradzenka Atualizado em 5 jan 2022, 11h47 - Publicado em 7 jan 2022, 14h00

Com vídeos, podcasts e até os joguinhos infantis marcando cada vez mais presença na rotina das crianças, não é incomum que os pais sintam a necessidade de regular o som dos aparelhos eletrônicos dentro de casa ou durante um passeio em público.

No entanto, antes de ir oferecendo fones de ouvidos aos pequenos que já utilizam as telinhas, é importante entender que o dispositivo demanda certas precauções quando utilizado pelo público infantil. “Os fones modificam a percepção do ambiente em que estamos de modo proporcional ao volume que eles estão sendo utilizados, e com as crianças isso não é diferente. Elas acabam se fechando para o mundo do lado de fora e ficam ali só focadas naquilo que está sendo reproduzido”, explica Isabela Minatel, psicopedagoga e consultora de família.

Permitir o uso dos fones de ouvido para a criança focar em um filme, nas aulas ou atividades que demandam maior concentração pode ser positivo, pais, mas a especialista complementa que é preciso sempre estar atento para a eventual exposição a conteúdos inadequados. 

Fones de ouvido só com supervisão!

Quando os pequenos estão imersos com os fones, é natural para os pais perderem a noção do que está sendo consumido pelo filho ou o que ele está recebendo de informação, principalmente em canais que contenham reprodução automática dos conteúdos da própria plataforma ou jogos que permitem interação por voz.

Sendo assim, é importante encarar o dispositivo como uma ferramenta que, para ser proveitosa e adequada aos pequenos, deve ser utilizada com consciência e acompanhamento dos responsáveis.

Indo para além da questão sobre a segurança, que é indispensável quando estamos falando das crianças no ambiente online, limitar a exposição aos fones apenas às situações essenciais – como em reuniões ou saídas em público – também é uma forma de se conectar melhor com os gostos e as atividades do filho.

“É importante deixar para usar os fones de ouvido somente em casos específicos, não como o habitual, tanto para que os pais saibam que tipo de conteúdo as crianças estão acessando, quanto para que eles participem da vida delas de uma maneira direta, ouvindo o que elas ouvem, entendendo as suas afinidades e os interesses em comum. É assim que os vínculos se desenvolvem e se fortalecem”, esclarece a psicopedagoga.

garotinha e pai com fone de ouvido
Pexels/Pexels

Cuidado com o volume!

Além das ressalvas em relação à forma que os pequenos utilizam os fones de ouvido, há outra questão que deve ser levada em conta: o volume.

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Maura Neves, Otorrinolaringologista pela Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF), explica que volumes altos em fones de ouvido são mais prejudiciais à saúde do que os provenientes de caixas de som, por exemplo. Isso porque os aparelhos entregam o áudio diretamente à membrana timpânica, ou seja, há menor dispersão do barulho para o ambiente.

“A exposição crônica a volumes elevados pode trazer consequências como a perda de audição em faixas de frequência específicas e presume-se que os danos à criança ocorrem nos mesmos níveis dos adultos”, explica Maura.

Junto à preocupação com a altura do volume nos fones, o tempo de uso dos aparelhos também deve ser monitorado de perto, visto que lesões auditivas são frutos de uma relação entre tempo e intensidade de exposição ao som. Portanto, a criança não deve ser submetida a ruídos acima de 70 a 80 decibéis por 8 horas ou mais ao dia.

“Perdas auditivas na fase infantil trarão reflexos na audição no decorrer da vida. Sendo assim, é preciso limitar o volume máximo do aparelho para evitar que a criança seja exposta a alturas excessivas. Além de controlar o tempo de uso dos fones e, portanto, das telas, que não deveriam ser indicadas aos pequenos abaixo de dois anos”, esclarece Maura.

Se for usar, escolha o modelo adequado!

Se depois de refletir sobre o uso dos fones, os cuidadores decidirem que eles podem ser proveitosos para a criança, está na hora de escolher um aparelho que seja apropriado para os pequenos.

Saramira Cardoso Bohadana, otorrinolaringologista do Sabará Hospital Infantil, explica que os fones de ouvido no estilo concha são os mais indicados para o público infantil. Além disso, é essencial que o modelo tenha controle máximo de volume, para que ele não aumente acidentalmente.

Por fim, a dimensão do aparelho também não deve ficar de fora na hora da compra. Maura complementa que o tamanho do fone deve ser compatível ao da criança. 

As consequências não são apenas para a audição…

Outro ponto considerado pela especialista é que a exposição a ruídos ambientais, ou melhor dizendo, os barulhos cotidianos de carros, aparelhos eletrônicos e até os industriais, mesmo que isolados, já estão ligados a alterações de concentração, sono, estresse e capacidade de aprendizado nos adultos.

E as crianças também não escapam, podendo sofrer com redução da função cognitiva, incapacidade de concentração, aumento da ativação psicossocial, nervosismo e desamparo.

“Se somarmos tudo isso ao uso de fones, a exposição global a ruídos será bastante elevada e os problemas não serão apenas auditivos. Viver em ambientes lotados e barulhentos está associado a riscos para a saúde das crianças, incluindo aumento do estresse”, complementa Maura.

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