É verdade que dançar ajuda no trabalho de parto?

Fisicamente, a dança ajuda na descida e no encaixe do bebê, além de liberar uma série de hormônios que ajuda a mãe a relaxar durante o processo.

Por Alice Arnoldi 16 set 2021, 16h57

Se você é uma gestante que adora ficar nas redes sociais, já deve ter se deparado com vídeos que mostram mulheres prestes a darem à luz dançando suas músicas favoritas, acompanhadas de enfermeiras e, às vezes, até por seus obstetras. Por mais que o resultado da gravação fique divertido, o foco não é este: a coreografia faz parte da busca pelo parto humanizado, que usufrui de métodos não farmacológicos para ajudar a gestante a sentir menos dor no trabalho de parto e chegar a dilatação final com mais rapidez.

Quem explica mais sobre os benefícios de movimentar o corpo neste processo é Shirley Rose Silva, enfermeira obstétrica. “A dança, por ser uma técnica lúdica, tem se tornado uma facilitadora durante o trabalho de parto, porque ela é capaz de amenizar a ansiedade, advinda das contrações, e a posição vertical ajuda na descida, encaixe, dilatação e expulsão do bebê”, esclarece a especialista.

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♬ Have Mercy – Chlöe

E como acontece durante toda a gravidez, a dança também está diretamente ligada aos processos hormonais. Shirley detalha que, quando a gestante se movimenta, o coração e os músculos gastam adrenalina e cortisol, enquanto que o cérebro libera endorfina, dopamina e serotonina. Essa cadeia de substâncias leva à sensações de prazer e relaxamento, ajudando a mulher a tirar o foco da dor.

Qual tipo de dança é melhor? 

A enfermeira obstétrica lembra que, assim como em outros momentos do trabalho de parto, o processo deve ser conduzido pela mulher, portanto, qualquer música e coreografia podem ser escolhidas. O mais importante é que os especialistas que irão acompahá-la a oriente sobre a importância de trabalhar o corpo na vertical.

“Com a verticalização e o trabalho de parto, o bebe é “empurrado” através da bacia, há a flexão do polo cefálico e a rotação para a posição de nascimento. Assim, andar, movimentos circulares, de agachamento, de coluna e quadril devem ser ajustados para a necessidade de cada gestante”, explica o obstetra Mário Macoto Kondo, chefe da obstetrícia do Grupo Santa Joana.

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♬ som original – Renansillveira

  • Fim do trabalho de parto, pausa na dança

    Já para quem se pergunta como é possível dançar com as contrações, Shirley explica que cada vivência materna é única. “A percepção da dor deve ser individualizada e respeitada e, por isso, cada parturiente vai dizer qual é o seu limite da dança. Mas a tendência é que, com o final da dilatação e as contrações mais frequentes, ela fique impossibilitada de continuar dançando”, esclarece a enfermeira obstétrica.

    Neste momento, outros métodos não farmacológicos podem ser usados, como exercícios de respiração, aromaterapia e a famosa ducha morna – a água quentinha com a mãe posicionada na vertical fazem com que ocorra a vasodilatação dos membros inferiores, levando ao relaxamento e maior dilatação para o nascimento do bebê.

  • Casos em que a dança não é recomendada 

    Só que, assim como em qualquer outra circunstância materna, existem exceções que impedem a dança no trabalho de parto. Kondo cita que os principais casos são os de sangramento vaginal, em que o motivo precisa ser identificado.

    “Pode ser placenta prévia ou descolamento prematuro de placenta (situações de emergência), bolsa rota com apresentação alta ou pélvica, pelo risco de prolapso do cordão umbilical (posição anormal do cordão) e a condição clínica materna em si, como cardiopatia e pré-eclâmpsia graves e infecções”, lista o obstetra.

    Excluídas estas possibilidades emergenciais, cabe à gestante e sua equipe médica conversar sobre usar a dança como ferramenta para deixar o trabalho de parto mais confortável, desde que, claro, seja desejo da mãe.

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