Parto e pós-parto

O que você pode planejar na gravidez para ter um pós-parto mais tranquilo

Algumas ideias simples podem ajudar os papais de primeira viagem a se organizarem para os primeiros dias do recém-nascido em casa.

por Alice Arnoldi Atualizado em 4 mar 2022, 18h06 - Publicado em 4 mar 2022 18h04

O puerpério é um dos mergulhos profundos que a mulher vivencia na maternidade. Entre ondas emocionais, cheias de picos e descidas, além de mudanças na psique feminina, a rotina com um bebê recém-nascido demanda muito: privação de sono, dores de amamentação e todo cansaço que este período de ajuste traz. Por isso, tudo que facilite este momento e auxilie a família a se organizar é bem-vindo.

Ainda na gravidez, se possível, busque construir uma rede de apoio e planejar – mesmo que minimamente – uma rotina com o parceiro ou parceira. Isso ajuda (e muito) em um pós-parto (um pouco) menos desafiador, já que alguns detalhes do dia a dia podem trazer mais cansaço e estresse para o período, já tão conturbado.

Uma questão que atrapalha a organização desta dinâmica futura é que a nossa sociedade ainda acredita que a figura feminina deve ser a única responsável pelos cuidados com o bebê e, muitas vezes, a púerpera pode começar a sua jornada materna muito pressionada, achando que precisa dar conta de tudo sozinha.

“Muitas vezes, a dificuldade de pedir ajuda acontece porque esta mulher pode estar com medo de ser criticada – receio de que falem mal dela, do seu jeito de maternar, que ela não está conseguindo amamentar como deveria ou, até mesmo, que seu leite é fraco. Assim, se ela não encontra segurança nesta rede que deveria ser de apoio, a puérpera, muitas vezes, pode acabar preferindo o isolamento”, reflete Juliana Juliatti, psicóloga obstétrica e perinatal.

Com essa consciência de que se descobrir mãe é uma construção de tijolinhos, colocados com calma e empatia dia após dia, é importante que se comece a olhar para o que pode ser trabalhado ainda durante a gravidez para que este período após o nascimento do bebê possa ser um pouco mais tranquilo.

Entre eles, estão ajustes importantes a serem feitos com quem a gestante realmente considera sua rede de apoio, para que as tarefas do dia a dia possam ser dividas de maneira justa e sem que ninguém fique sobrecarregado. Para isso, começamos com um checklist básico pensado para os primeiros dias após o parto, que costumam ser bem cansativos para os papais de primeira viagem. Vamos lá?

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Victoria Daud/Bebê.com.br

Vamos redistribuir as tarefas?

Depois de uma olhada geral no que precisa ser feito, começamos a pensar nas tarefas separadamente. Mais do que nunca, é necessário que se divida as obrigações entre os moradores da casa, com a ressalva de que o companheiro(a) e/ou a rede de apoio precisará assumir mais tarefas neste período, já que a maior demanda do bebê está relacionada a mãe por conta da amamentação. Pensando nisso, veja algumas dicas práticas:

  • Combine como serão as refeições

Durante este período, é preciso que a mãe se alimente bem por causa da recuperação do pós-parto e da amamentação. Por isso, é importante que, ainda durante a gravidez, já se tenha planejado como serão estas primeiras refeições. Isso evita estresse, correria e mais exaustão por ter que pensar num cardápio da semana e cozinhá-lo.

Caso uma pessoa de sua rede de apoio se disponibilize a preparar ou mandar comidas, a ajuda pode ser mais do que bem-vinda. Outra ideia pode ser deixar alguns pratos simples já preparados no freezer, assim é só descongelar quando precisar.

Para quem tem a possibilidade de pedir delivery, vale a pena deixar sempre em mãos o contato de alguns restaurantes que fornecem pratos saudáveis e que entregam rápido na sua região.

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Arte: Victoria Daud/ Foto: Richard Drury/Getty Images
  • Planeje quem irá limpar a casa

Quando o casal já divide as tarefas, a situação tende a ser mais simples. Mas, ainda assim, é preciso conversar para estabelecer quais serão as prioridades destes primeiros dias com o recém-nascido. Por exemplo, manter a pia limpa e a roupa lavada ajuda na sensação de que a casa está organizada e isso diminui o estresse. Outras tarefas, no entanto, podem esperar se não forem urgente. Lembrem-se que não será possível dar conta de cada cantinho neste momento e tá tudo bem.

Já se o orçamento permite que um profissional de limpeza seja contratado, o planejamento precisa ser sobre onde a mãe e o bebê ficarão fora no momento da faxina, ok?

Outra alternativa é um possível combinado entre familiares e amigos. Com um diálogo honesto, em que cada um realmente diz o que pode fazer, é possível uma divisão das tarefas domésticas. Cada um ajuda com um pedacinho e assim, não fica pesado pra ninguém. Por exemplo, um parente pode ficar responsável por lavar a roupa da semana na sua própria casa, enquanto outro auxilia com a limpeza do chão e do quintal.

  • Ajuste quem levará os pets para passear

Pode parecer um detalhe, mas quem tem pet sabe que eles demandam cuidados diários também. É preciso alimentar, trocar a água, dar banho, levar para andar e, neste momento, é natural que a mãe tenha menos disponibilidade física para passeios na rua com o bichinho de estimação, por exemplo. É preciso que outra pessoa assuma esta tarefa – ou, caso a família possa custear, contratar um serviço de passeadores de animais ou “pet sitter” (cuidadores especializados).

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    Primeiras consultas e outros planos: busque amparo nesta fase

    Além da rede de apoio que auxiliará a puérpera com as tarefas do dia a dia, a psicóloga Juliana lembra que também é importante pensar em uma estratégia que envolva as consultas com os profissionais da saúde que ela precisará visitar ainda no primeiro mês do recém-nascido, e outras que podem vir a ser necessárias diante de questões pontuais, como na amamentação ou com a saúde mental.

    • Escolha o pediatra antes do nascimento 

    Como explica a pediatra Márcia Dias Zani, neonatologista na Casa Anama, é recomendado que o recém-nascido seja levado ao pediatra, pela primeira vez, entre quatro a cinco dias após o parto. O especialista avaliará como está a amamentação, sua hidratação, se ele está fazendo xixi e cocô conforme o esperado, além de checar o coto umbilical e refazer alguns exames inicialmente realizados na maternidade. Ufa, quanta coisa, né?

    Como o intervalo entre a saída do hospital e a primeira ida ao pediatra é curtinha, questão de dias, é sempre bom ter em mente ou já ter visitado previamente, o profissional que atenderá o bebê para evitar ter que se preocupar em procurar um profissional nestes primeiros dias conturbados.

    • Programe-se para o retorno ao obstetra

    A mesma organização vale para a ida ao obstetra após o nascimento do bebê. “Não existe um consenso sobre quanto tempo a mãe deve retornar ao médico. Mas é uma recomendação que varia entre sete a 14 dias tanto no parto vaginal quanto na cesárea, lembrando sempre que qualquer intercorrência como sangramento, aumento da dor, febre ou abertura de pontos, a paciente deve procurar imediatamente o pronto-socorro obstétrico”, reforça o obstetra e ginecologista Gilberto Nagahama, consultor do Programa Parto Seguro do CEJAM.

    O especialista lembra que, nesta primeira semana após o parto, a puérpera pode ter dúvidas sobre como cuidar de si e também do bebê. Por isso, a ida ao obstetra é indicada para uma avaliação física, claro, mas também para ser um espaço de acolhimento e diálogo com esta mulher.

    Inclusive, vale ponderar se será necessário levar um acompanhante nesta consulta tão particular. Ao escolher pedir ajuda, não tenha receio em dizer o que você realmente quer desta companhia. Caso você não deseje que ela entre no consultório médico, ela poderá ficar responsável pelos cuidados com o bebê no lado de fora ou, quem sabe, ser o responsável pela locomoção da família até o local da consulta.

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    Arte: Victoria Daud/ Foto: Milan_Jovic/Getty Images
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    • Tenha o contato de uma consultora de amamentação 

    Assim como é importante ter os contatos do pediatra e do obstetra na agenda do celular e no WhatsApp, outros profissionais de confiança podem ser encontrados ainda na pesquisa feita durante a gravidez.

    É o caso de uma consultora de amamentação, que pode auxiliar a mãe caso surja qualquer dúvida, como a pega correta, posições para dar de mamar e até o acolhimento tão importante neste período.

    Não esqueça que o contato desta profissional precisa ser repassado para pessoas próximas, para que elas entrem em contato caso a mãe não consiga, mas assim deseje.

    • Combine as consultas do puerpério com sua terapeuta ou uma psicóloga de confiança 

    Tendo em mente que o período do puerpério costuma ter muitas mudanças e reorganizações emocionais, ter uma psicóloga de confiança no radar da família é fundamental. Ela pode ser tanto a profissional que já acompanha a mulher antes da gravidez ou, quem sabe, uma especialista em puerpério que a ajudará a entender as subidas e descidas desta fase.

    Ainda na gravidez, converse com a terapeuta e, se houver condição financeira, marque algumas consultas para o período após o nascimento do bebê. A profissional poderá auxiliar estes novos pais – é importante que o homem também esteja atento a sua saúde mental – no exercício recente de sua parentalidade e de suas emoções recentes.

    Por fim, vale ressaltar que cada recomendação deve ser adaptada para a realidade da família, respeitando seus limites, condições financeiras e desejos. A ideia é trilhar uma organização básica que começa na gravidez – para que cada item tome seu tempo de decisão – em busca de um puerpério que não seja sinônimo de sobrecarga.

    Claro que o período, cheio de imprevistos e acontecimentos, não pode ser totalmente planejado com antecedência e pede sim, uma dose de flexibilidade. No entanto, vale ter em mente que é possível tentar medidas para torná-lo menos custoso para as famílias, que afinal, só querem curtir a chegada de seu novo integrante.

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