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Cansada, mãe?

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Lia Abbud é jornalista e uma das criadoras do @Fatigatis, um projeto de conteúdo sobre estresse materno que propõe estratégias em direção ao bem-estar físico e mental feminino.

Que presente é útil para uma mulher no puerpério?

Esta pergunta toca em uma grande dor para muitas mães: a solidão no período pós-parto. Daí a importância de ter e de ser rede de apoio

Por Lia Abbud Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 11 ago 2022, 15h17
ilustração de uma mulher de costas, segurando um balão vermelho em formato de coração
 (Malte Mueller/Getty Images)
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Há um tempo, publicamos em uma rede social um post que repercutiu bastante. Ele trazia a seguinte pergunta: “Que presente é útil para uma mulher no puerpério?” Ficamos surpresas com tantos comentários, e, depois de refletir, entendemos que foi porque o post abordava uma grande dor para as mulheres: a solidão da recém-mãe.

Durante a gravidez, todos querem saber como estão a mãe e o bebê, mas após o nascimento, a mulher, além de assumir uma quantidade enorme de responsabilidades e afazeres, também acaba “ganhando” a capa da invisibilidade. Poucos têm noção de quão difícil é essa jornada, e pouquíssimos compreendem quão importante é cuidar de quem cuida, especialmente neste que é um dos momentos em que mais precisamos de apoio.

A ideia do post surgiu de uma conversa com uma amiga, que comentou que nunca leva flores quando visita uma mãe que acabou de parir. Para ela, flor é sinônimo de trabalho, porque exige manutenção diária – tudo o que uma mãe de recém-nascido menos precisa. Para ela, o presente ideal neste momento é um kit de pratos congelados, a garantia de que irá se alimentar bem sem ter trabalho, ou o livro Deixe a Peteca Cair, que pode ajudá-la a organizar a dinâmica doméstica daquele momento em diante.

A maioria das respostas também focou na alimentação. “Refeições já prontas, saudáveis e fáceis de consumir”. Outras sugestões interessantes que apareceram: lavar a louça, se oferecer para ficar com o bebê enquanto ela dorme ou toma um banho bem relaxante, vale-massagem, contratação de serviço de limpeza da casa.

Uma das seguidoras contou que uma tia a presentou na maternidade com um roupão gostoso, pantufas e tupperwares. “Na hora, estranhei demais [não serem presentes para o bebê]. Depois de seis meses, fez todo sentido. Foi meu traje 100% do tempo.”

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A experiência pessoal fez com que essa integrante da nossa comunidade passasse a sempre perguntar para as amigas como poderia ajudá-las nesse momento pós-parto. Isso porque percebeu, no seu próprio puerpério, que as pessoas queriam impor o que achavam que ela precisava, sem de fato saber o que ela queria. “Acabavam atrapalhando. Foi um aprendizado de ouro. É simples, basta perguntar.”

Todos os comentários foram muito empáticos e indicavam real compreensão da importância de ter e ser rede de apoio. A dor de uma não precisa ser a dor de todas. Então, sempre que pudermos oferecer amparo àquelas que ainda passarão pela experiência que já tivemos, façamos isso. A sobrecarga feminina é grande demais, e a carga mental materna pode nos adoecer. Não é justo que todo o trabalho de cuidado recaia sobre nós. Sigamos falando sobre este tema e lembrando que é preciso uma aldeia para cuidar de uma criança.

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