Como oferecer verduras cruas para a criança? Veja que cuidados tomar!

Ainda que as folhas verdinhas cozidas possam aparecer a partir do sexto mês, suas versões cruas são indicadas só depois do nascimento dos dentes do pequeno.

Por Flávia Antunes Atualizado em 21 jul 2021, 16h42 - Publicado em 21 jul 2021, 15h30

Acompanhar as reações do pequeno durante a introdução alimentar e a forma com que ele vai desenvolvendo seus gostos e preferências é um processo encantador. E como pais, não vemos a hora de acrescentar as mais diversas texturas, sabores e cores ao prato do filho, né?

Falando em refeições coloridas, não podemos deixar de citar as folhas verdinhas. Aprendemos desde cedo que elas são importantes para uma alimentação saudável, mas pouco se fala sobre a partir de que idade a criança deve ter contato com elas e quais são os principais cuidados com o seu preparo.

Quando oferecer verduras para a criança?

A resposta, à princípio, é que as verduras podem ser oferecidas desde os seis meses, quando começa a introdução dos alimentos sólidos. Contudo, nesta apresentação inicial, o recomendado é que o ingrediente não esteja cru.

“Enquanto a criança não tem dentes, as folhas devem ser cozidas ou refogadas, murchas ou picadas, para facilitar a mastigação do alimento, já que apenas a gengiva não consegue triturá-lo”, explica a nutricionista infantil Camila Garcia.

Por conta dessa variável, Marina Ossicke, especialista em nutrição clínica em pediatria, costuma indicar que as famílias esperem o aparecimento dos dentinhos do filho – cuja idade varia de acordo com o seu desenvolvimento – ou entre o décimo e 11º mês de vida do pequeno, quando a musculatura da face e a mandíbula já estão mais fortes para conseguirem triturar a comida.

Cuidados com o preparo

Pelo perigo de contaminação, é importante que as folhas sejam bem higienizadas antes do consumo. “A higienização correta inclui, além de lavar as folhas em água corrente, retirar sujeiras e partes estragadas. Podemos também deixar as verduras em solução com o hipoclorito de sódio, que serve para reduzir as chances de contaminação por vírus, parasitas e bactérias, que causam doenças como diarreia e hepatite”, detalhe Camila.

A nutricionista ainda reforça que as folhas sejam lavadas individualmente, removendo as impurezas da superfície e, se possível, as famílias priorizem ingredientes orgânicos, livres de agrotóxicos.

Se a dúvida for qual verdura escolher – dentre as tantas opções disponíveis na feira ou no mercado – a dica de Marina é sempre apostar em variedade. “As folhas verde escuras têm uma quantidade maior de ferro, cálcio e outros minerais, mas no cozimento acabamos perdendo um pouco deles, então é bom diversificar. Já o alface traz a crocância, além de ser rico em fibras e água, importante para o crescimento e desenvolvimento em geral“, detalha a nutricionista.

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Pode temperar?

Caso o pequeno não se apeteça com o sabor das folhas cruas, a recomendação das especialistas é utilizar temperos naturais – lembrando que o sal só deve ser incluído no cardápio infantil a partir do primeiro ano de vida do bebê e em pequenas quantidades.

“Os molhos também indico evitar, porque sempre têm algum condimento ou conservante na composição”, pontua Marina. Portanto, o adulto que for cozinhar pode usar um pouquinho de azeite e limão, por exemplo, e temperos frescos ou desidratados, como hortelã e orégano.

Tem perigo de engasgo?

Por conta da crocância e consistência das verduras, é natural que os pais se preocupem com a possibilidade do filho engasgar enquanto come. Mas Camila tranquiliza-os, dizendo que o perigo maior é com líquidos ou alimentos pequenos e duros – o que, claro, não exclui a supervisão dos adultos durante as refeições.

“A introdução alimentar iniciada no momento certo, isto é, quando a criança tem seis meses e todos os sinais de prontidão, não oferece risco de engasgo. Esses indícios garantem que o bebê está pronto para receber os alimentos sólidos e fazer a deglutição”, reforça a nutricionista infantil. 

Antes ou junto com o prato principal?

Entre os mais velhos, existe o hábito de adotar a seguinte ordem: primeiro a salada, depois o prato principal. Já com os pequenos, pode-se até oferecer as verduras junto com as proteínas, por exemplo, desde que os alimentos não sejam misturados.

“Até um ano, o ideal é oferecer os alimentos separados para que o bebê conheça todos eles, identifique os seus sabores e texturas”, indica Camila.

A espera até o primeiro aniversário também vale para os preparos e receitas que juntam as verdinhas com outros grupos alimentares (como verduras no macarrão, em cremes e até no arroz). Neste sentido, Marina lembra que o intuito deve ser sempre de ampliar o repertório da criança, e nunca esconder ou camuflar as folhas.

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