Saiba quando introduzir farinha na alimentação infantil

O ideal é que alimentos com glúten entrem no cardápio da criança apenas a partir do primeiro ano e que o contato seja feito de forma gradual.

Por Flávia Antunes Atualizado em 10 mar 2021, 14h58 - Publicado em 9 mar 2021, 19h15

Panquequinha, muffin, diferentes tipos de macarrão… você já deve ter se deparado com receitas deste tipo, que levam farinha no preparo, e que parecem super apetitosas para as crianças.

Embora já dê vontade de testar cada uma delas para ver a reação do pequeno, o ideal é que os preparos com farinha não comecem logo no início da introdução alimentar e esperem até pelo menos o primeiro ano de vida do bebê, como explica a nutricionista Adriana Stavro.

“Costumamos deixar os alimentos com glúten para mais tarde, quando a criança estiver com a imunidade mais fortalecida e o funcionamento do intestino mais desenvolvido”, indica ela. O principal motivo é que o ingrediente contém uma proteína chamada gliadina, que possui um alto potencial alergênico.

“Os níveis de enzimas em bebês são cerca de 3% das de um adulto e só atingem seus níveis máximos por volta dos cinco anos de idade. Quanto mais enzimas eles produzem, mais eles são capazes de digerir alimentos. Por isso, alguns alimentos mais alergênicos são indicados apenas a partir de um ano”, detalha Adriana.

A especialista ainda alerta para uma situação frequente em que a farinha é oferecida muito cedo e gera alergia na criança – por conta do seu sistema digestório que ainda não está totalmente formado, o que não significa que ela seja necessariamente celíaca. “Mesmo assim, os pais geralmente se assustam com a reação e acabam excluindo o alimento do cardápio”, conta a especialista.

Como fazer a introdução

Para evitar a confusão da família e reduzir o risco de alergias, a nutricionista indica que o primeiro contato com a farinha aconteça ainda durante o aleitamento. “Isso porque quando a mãe amamenta, tudo o que come vai para o leite materno. Assim, orientamos que ela consuma pequenas quantidades de glúten e mantenha uma alimentação bem variada, para que a criança receba o alergênico em baixas doses”, esclarece.

Essa sensibilização, que acontece a partir dos nove ou dez meses de idade do bebê, pode continuar com a apresentação de outros alimentos alergênicos, como o ovo. Quando completa o primeiro aniversário, a criança já é capaz de ingerir uma quantia maior de glúten, tendo em vista que o seu intestino já foi levemente testado com a alimentação da mãe e está mais amadurecido para digerir melhor as moléculas contidas na farinha.

  • Farinha branca x farinha integral

    Ambas as farinhas são carboidratos e possuem como principal função garantir energia ao corpo. No entanto, em termos de composição nutricional, o alimento integral possui mais benefícios para o organismo da criança, o que faz com que seja priorizado pela especialista.

    “Dou preferência à farinha integral, que tem mais fibras e nutrientes que a branca, além de ser menos alergênica. Porém, às vezes um dos pais está preparando uma receita para toda a família e ninguém mais come a integral, então não teria problema o filho ingerir a branca”, pontua Adriana.

    Ela ainda recomenda que, se possível, os pais façam um rodízio entre os tipos de farinha – para que o pequeno tenha o contato com todas elas, desenvolva suas preferências e teste se possui tolerância ou não. “A de grão-de-bico, por exemplo, tem bastante proteína e é bastante usada pelas famílias vegetarianas ou veganas”, lembra.

    Que alimentos começar oferecendo?

    O glúten está dentro do trigo, da cevada, do centeio e da aveia, mas nem todos os seus formatos são recomendados logo no início. “Normalmente, introduzimos através do macarrão, como prato principal e carboidrato da refeição, ou a partir do pão”, recomenda Adriana.

    Já a aveia, não é recomendada nesta faixa etária e o mesmo vale para os doces, que são liberados apenas a partir dos dois anos de idade – sendo assim, bolos, bolachas e biscoitos devem ser evitados. 

    A nutricionista ainda alerta que existem diversas receitas que levam mais de um tipo de farinha – fazendo uma mistura de trigo com a de aveia, por exemplo -, mas que na introdução alimentar o melhor é oferecer cada uma separadamente. “Para fazer uma receita pela primeira vez, indico colocar uma farinha só, porque se a criança desenvolver reação, será mais fácil de identificar qual delas foi a responsável pela intolerância”, comenta.

  • Confira receitinhas apetitosas: 

    * Indicadas para acima de 1 ano de idade e lembrando que é importante consultar o pediatra para confirmar se os alimentos a seguir estão liberados na dieta do pequeno, ok?

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    1. Panqueca de banana

    Ingredientes:

    • 1 banana bem madura amassada (quando é muito pequena coloque 1 e meia)
    • 1 colher de farinha de trigo
    • 1 ovo caipira

    Modo de preparo:

    Misture todos os ingredientes e leve ao fogo em uma frigideira antiaderente.

    2. Macarrão de carne com legumes

    Ingredientes:

    • 1 batata pequena (cortada em cubos pequenos)
    • 1 cenoura média (cortada em cubos pequenos)
    • 5 vagens (cortadas em pedaços bem pequenos)
    • 1 tomate pequeno (sem pele e sem semente picado)
    • 1 mandioquinha (bem picadinha)
    • 200g de carne patinho bem picada
    • 1 xícara de macarrão padre-nosso
    • 1 pitada de sal
    • 1 colher (sopa) de azeite
    • 1 colher (chá) de salsinha 1 dente de alho bem picado
    • 1 colher (sopa) de cebola ralada

    Modo de preparo: 

    Em uma panela, refogue bem a carne com o azeite. Quando estiver grelhado, acrescente o alho, a cebola e o sal. Junte 1e ½ litro de água fervente e deixe ferver por 15min. Depois, acrescente o restante os legumes e deixe ferver mais 5 minutos. Por fim, despeje o macarrão e, assim que estiverem todos macios, desligue o fogo e aguarde esfriar.

    Corte a carne em pedaços bem pequenos e sirva com os legumes amassados e o macarrão.

    3. Cupcake de espinafre

    Ingredientes:

    • 2 ovos
    • 1 maço de folhas de espinafre picadas
    • 1 dente de alho
    • ½ cebola
    • 1/2 xícara (chá) de aveia em flocos
    • 1 xícara (chá) de farinha de trigo integral ou branca
    • 1 colher (sobremesa) de fermento em pó
    • 1/2 colher (sobremesa) de sal
    • 2 colheres (sopa) de azeite
    • 1 colher (chá) de tempero de sua preferência (orégano, manjericão, salsinha etc)

    Modo de preparo: 

    Em uma frigideira, refogue a cebola e o alho no azeite. Junte o espinafre e refogue-o até murchar. Apague o fogo e deixe esfriar. Depois de frio, bata no liquidificador ou pique bem fininho.

    Lave bem os ovos em água corrente e quebre-os, um de cada vez, em uma xícara. Coloque-os em uma tigela média e bata com um garfo até eles se misturarem. Na outra tigela, coloque a aveia, a farinha de trigo, o fermento e o sal. Depois misture os ovos batidos aos ingredientes secos. Quando os ingredientes estiverem bem misturados, acrescente o tempero e o espinafre.

    Com a ajuda de uma colher de sobremesa, coloque a massa até a metade de cada forminha e leve ao forno a 180° por 15 minutos ou até que os bolinhos estejam assados. Espere esfriar, retire-os das forminhas e sirva.

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