Os problemas de saúde mais comuns nos bebês prematuros

Por deixarem a barriga da mãe muito cedo, eles estão sujeitos a uma série de complicações de ordem respiratória, cardíaca e até neurológica.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), estima-se que, anualmente, 15 milhões de bebês nasçam antes de 37 semanas de gestação ao redor do globo. Isso significa que todas essas crianças fazem parte do time dos prematuros. No Brasil, a realidade também não é animadora. De acordo com  dados de 2013 da OMS, estamos em 10o lugar no ranking dos países com maior número de nascimentos antecipados – são 279 300 a cada ano. À nossa frente estão nações como Índia, China, Nigéria, Paquistão e Estados Unidos.

A grande preocupação é o fato de que a prematuridade está associada a uma série complicações que podem colocar a vida e a saúde do recém-nascido em risco. E quanto menor a idade gestacional do pequeno ao chegar ao mundo, mais grave a situação. No Brasil, os prematuros extremos – aqueles que nascem com menos de 1.500 gramas e antes da 32a semana gestacional – representam 1,5% dos nascidos vivos, segundo o pediatra Renato Soibelmann Procianoy, professor titular de Pediatria da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Parece pouco? “São 45, 50 mil bebês todos os anos”, calcula.

Todas essas crianças – e também aquelas que deixaram a barriga entre 34 e 36 semanas, conhecidas como prematuros tardios – estão sujeitas a problemas imunológicos, respiratórios, cardíacos, intestinais e neurológicos que podem trazer prejuízos à saúde de curto a longo prazo. A seguir, confira as principais doenças a que os apressadinhos estão sujeitos logo após chegarem ao mundo.

Problemas respiratórios

Eles são a principal preocupação quando se trata dos prematuros. A enfermidade mais comum é a síndrome do desconforto respiratório, antigamente conhecida como doença pulmonar da membrana hialina. Ela atinge com mais frequência os pequenos de muito baixo peso e que nasceram antes da 32a semana de gestação. Neles, devido à imaturidade dos pulmões, há uma produção insuficiente de surfactante, uma substância que permite que o ar passe livremente pelos alvéolos pulmonares. Além de dificultar a respiração, a oxigenação dos tecidos pode ser afetada, o que também abre portas para complicações. E mais: o próprio tratamento dessa síndrome é uma ameaça aos prematurinhos. “Com frequência, eles precisam ser intubados ou ventilados, técnicas de assistência que podem trazer sequelas”, observa Procianoy, que também é presidente do Departamento de Neonatologia da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).

Outra encrenca de ordem respiratória que atinge aqueles que nasceram antes dos nove meses é a taquipineia transitória, mais frequente nos prematuros tardios. “Ela acontece quando há uma retenção de líquido no pulmão do recém-nascido”, explica a pediatra neonatologista Edinéia Vaciloto Lima, do Hospital Pro Matre Paulista, em São Paulo. O tratamento é rápido: com suporte ventilatório, em até três dias o pequeno está curado.

Persistência do canal arterial

É a patologia cardíaca mais comum nos bebês que nasceram pré-termo. O canal em questão liga a artéria pulmonar à aorta. E, dentro do útero, é importante que ele fique aberto para que o fluxo de sangue passe por ali. Contudo, no nascimento, essa estrutura já precisa estar fechada – o que nem sempre acontece com os prematuros, principalmente os extremos. Muitas vezes, devido à imaturidade, eles não estão preparados para que o canal se feche. “Isso pode gerar uma descompensação cardíaca, além de ser um fator de risco para atrasos no desenvolvimento ao longo da vida”, alerta a pediatra Ana Lucia Goulart, coordenadora do Ambulatório de Prematuros da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). O tratamento é feito por meio de cirurgia ou pelo uso de uma medicação que promove o fechamento do canal arterial. No entanto, ela não está disponível na rede pública de saúde brasileira.

Anemia

Por nascerem antes da hora, o organismo dos prematuros pode não ter tempo de produzir ferro o suficiente – fator determinante para a anemia. Além disso, a quantidade de exames a que esses bebês são submetidos na UTI neonatal também contribui para essa doença hematológica. “Cada mililitro de sangue que se retira dessas crianças representa um volume muito grande”, diz Ana Lucia, que também é chefe do Departamento de Pediatria da Escola Paulista de Medicina da Unifesp.

Icterícia

Não raro, a pele dos prematuros fica amarelada – é a icterícia. Ela acontece porque o fígado desses bebês não metaboliza corretamente uma substância chamada bilirrubina. Com isso, ela se acumula no sangue e impregna na pele, dando o tom amarelo. Se não tratada a tempo, a bilirrubina pode atingir níveis tóxicos e chegar ao cérebro do pequeno. Mas graças à fototerapia – aquela luz de alta intensidade que ilumina o recém-nascido dentro de uma incubadora – a icterícia não é mais uma ameaça hoje em dia.

Enterocolite necrosante

Essa é uma doença intestinal séria e bastante comum entre os prematuros. “Trata-se de um processo inflamatório intestinal grave, que compromete, às vezes, todo o intestino e apresenta uma mortalidade bem alta”, informa Ana Lucia Goulart. A inflamação leva a uma necrose do órgão, o que pode fazer com que parte dele tenha que ser retirada. Muitas vezes, é necessário fazer cirurgias e até transplantes. A principal causa é a própria imaturidade do organismo do bebê. “A melhor forma de prevenir a enterocolite é iniciar a alimentação com o leite materno já nos primeiros dias de vida”, destaca a professora da Unifesp.

Problemas neurológicos

O sistema nervoso central dos prematuros também pode ser abalado pelo nascimento apressado. A antecipação do parto é fator de risco para que esses bebês apresentem males como hemorragia intracraniana e leucomalácia, uma isquemia cerebral. “Ambas levam a repercussões tardias de atraso motor e mental”, alerta Ana Lucia Goulart.

Comentários
Deixe um comentário

Olá, ( log out )

* A Abril não detém qualquer responsabilidade sobre os comentários postados abaixo, sendo certo que tais comentários não representam a opinião da Abril. Referidos comentários são de integral e exclusiva responsabilidade dos usuários que escreveram os respectivos comentários.

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s