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Os problemas de saúde mais comuns nos bebês prematuros

Por deixarem a barriga da mãe muito cedo, eles podem estar sujeitos a complicações de ordem respiratória, cardíaca e até neurológica

Por Da Redação
Atualizado em 11 nov 2022, 17h01 - Publicado em 9 nov 2022, 11h46

Segundo a Organização Mundial da Saúde, estima-se que, anualmente, 15 milhões de bebês ao redor do globo nasçam prematuramente, ou seja, antes de 37 semanas de gestação. No Brasil, a realidade também não é animadora: de acordo com o estudo Born Too Soon, realizado pela ONG americana March of Dimes, nós ocupamos o 10º lugar no ranking dos países com maior número de nascimentos antecipados – são, anualmente, 340 mil (segundo dados do Ministério da Saúde), o que equivale a seis casos a cada dez minutos.

Em 2022, a ONG Prematuridade.com fez um levantamento nacional que mostrou o quanto a desinformação sobre o assunto ainda é grande e preocupante no país. “Aqueles pais de prematuros que responderam a pesquisa e que passaram pela experiência disseram que antes de ter um prematuro tinham pouquíssimas informações a respeito disso. Então, quer dizer que a gente precisa falar mais durante o pré-natal, informar as mulheres em idade fértil, trazer o tema à tona para toda sociedade para que, caso venha a acontecer um parto prematuro, os riscos sejam menores, tanto para mãe quanto para o bebê“, destacou Denise Suguitani, diretora executiva da organização, à Agência Brasil.

A grande preocupação é o fato de que a prematuridade – tanto os casos extremos (com menos de 1.500 gramas e antes da 32ª semana gestacional) quanto os considerados tardios (entre 34 e 36 semanas) – está associada a uma série de complicações de saúde que envolvem problemas imunológicos, respiratórios, cardíacos, intestinais e neurológicos. Além disso, ela é a principal causa global de morte até os cinco anos de idade.

Confira, a seguir, algumas dessas questões, mas lembre-se de que ter dado à luz antes da hora não significa que, necessariamente, o seu pequeno as desenvolverá.

Problemas respiratórios

Eles são a principal preocupação quando se trata dos prematuros. A enfermidade mais comum é a Síndrome do Desconforto Respiratório (SDR), antigamente conhecida como Doença Pulmonar da Membrana Hialina. Atinge com mais frequência os pequenos de muito baixo peso e que nasceram antes da 32ª semana de gestação. Neles, devido à imaturidade dos pulmões, há uma produção insuficiente de surfactante, uma substância que permite que o ar passe livremente pelos alvéolos pulmonares. Além de dificultar a respiração, a oxigenação dos tecidos pode ser afetada, o que também abre portas para complicações. E mais: o próprio tratamento dessa síndrome é uma ameaça aos prematurinhos. “Com frequência, eles precisam ser intubados ou ventilados, técnicas de assistência que podem trazer sequelas”, observa o pediatra Renato Soibelmann Procianoy, professor titular de Pediatria da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Outro problema de ordem respiratória que atinge aqueles que nasceram antes dos nove meses é a taquipneia transitória, mais frequente nos prematuros tardios. “Ela acontece quando há uma retenção de líquido no pulmão do recém-nascido”, explica a pediatra neonatologista Edinéia Vaciloto Lima, do Hospital Pro Matre Paulista, em São Paulo. O tratamento é rápido: com suporte ventilatório, em até três dias o pequeno está curado.

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Recém-nascido-prematuro
(Jill Lehmann Photography/Getty Images)

Persistência do canal arterial

É a patologia cardíaca mais comum nos bebês que nasceram pré-termo. O canal arterial liga a artéria pulmonar à aorta e, dentro do útero, é importante que ele fique aberto para que o fluxo de sangue passe por ali. Contudo, no nascimento, essa estrutura já precisa estar fechada – o que nem sempre acontece com os prematuros, principalmente os extremos. “Isso pode gerar uma descompensação cardíaca, além de ser um fator de risco para atrasos no desenvolvimento ao longo da vida”, alerta a pediatra Ana Lucia Goulart, coordenadora do Ambulatório de Prematuros da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). O tratamento é feito por meio de cirurgia ou pelo uso de uma medicação que promove o fechamento do canal arterial.

Anemia

Por nascerem antes da hora, o organismo dos prematuros pode não ter tempo de produzir ferro o suficiente – fator determinante para a anemia. Além disso, a quantidade de exames a que esses bebês são submetidos na UTI neonatal também contribui para essa doença hematológica. “Cada mililitro de sangue que se retira dessas crianças representa um volume muito grande”, diz Ana Lucia, que também é chefe do Departamento de Pediatria da Escola Paulista de Medicina da Unifesp.

Icterícia

Não raro, a pele dos prematuros fica amarelada. É a icterícia. Ela acontece porque o fígado desses bebês não metaboliza corretamente uma substância chamada bilirrubina. Com isso, ela se acumula no sangue e fica impregnada na pele, dando o tom amarelado. Se não tratada a tempo, a bilirrubina pode atingir níveis tóxicos e chegar ao cérebro do pequeno. Mas graças à fototerapia, aquela luz de alta intensidade que ilumina o recém-nascido dentro de uma incubadora, a icterícia não é mais uma ameaça hoje em dia.

bebê recém-nascido prematuro na incubadora
(Nenov/Getty Images)

Enterocolite necrosante

Essa é uma doença intestinal séria e bastante comum entre os prematuros. “Trata-se de um processo inflamatório intestinal grave, que compromete, às vezes, todo o intestino e apresenta uma mortalidade bem alta”, informa Ana Lucia Goulart. A inflamação leva a uma necrose do órgão, o que pode fazer com que parte dele tenha que ser retirada. Muitas vezes, é necessário fazer cirurgias e até transplantes. A principal causa é a própria imaturidade do organismo do bebê. “A melhor forma de prevenir a enterocolite é iniciar a alimentação com o leite materno já nos primeiros dias de vida”, destaca a professora da Unifesp.

Problemas neurológicos

O sistema nervoso central dos prematuros também pode ser abalado. A antecipação do parto é fator de risco para que esses bebês apresentem males como hemorragia intracraniana e leucomalácia, uma isquemia cerebral. “Ambas levam a repercussões tardias de atraso motor e mental”, alerta Ana Lucia Goulart.

A prematuridade não é determinante

Vale destacar, porém, que embora esses riscos possam ser graves e levar a sequelas, o quanto antes se descobre o problema, maiores são as chances de um tratamento bem-sucedido. Além disso, é importante reforçar novamente que a prematuridade não é, necessariamente, determinante para essas questões, e que muitos recém-nascidos que chegam ao mundo antes do tempo, embora precisem permanecer na UTI neonatal nas primeiras semanas, acabam se desenvolvendo de forma saudável.

Lembrar desses riscos, entretanto, é essencial para informar a população sobre a prematuridade e a importância da prevenção do parto prematuro, objetivos do Novembro Roxo, campanha que visa à conscientização em relação ao tema.

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