Filha recebe transplante de útero da mãe e dá à luz dois anos depois

Deborah, de 36 anos, nasceu sem o órgão devido a uma condição rara chamada Síndrome de Rokitansky e, por isso, precisou do transplante.

Por Alice Arnoldi 18 fev 2021, 15h50

Mais um passo foi dado pela ciência! Na sexta-feira (12), em território francês, Deborah (o nome completo não foi divulgado), de 36 anos, deu à luz sua primeira filha gerada por meio de uma fertilização in vitro feita a partir da doação do útero da sua própria mãe, de 57 anos.

Na França, o conceito de barriga de aluguel é oficialmente proibido. Assim, o transplante do órgão feminino de mãe para filha foi a saída que a família encontrou para contornar o fato de Deborah ter nascido sem o útero, devido a uma condição rara chamada Síndrome de Rokitansky, que atinge em média uma mulher a cada 4.500. Este foi o primeiro transplante de útero realizado em território francês.

Até o momento, as informações passadas pelo professor e obstetra Jean-Marc Ayoubi, responsável pelo caso, é de que tanto a mãe quanto a filha passam bem e que a bebê veio ao mundo por meio de uma cesárea na 33ª semana de gestação. O nascimento precisou ser antecipado devido ao desenvolvimento de pressão alta durante a gestação.

  • Como foi o processo do transplante do útero  

    Em uma entrevista ao France Inter, o especialista contou com detalhes como transcorreu o caso de Deborah. Em 2019, no hospital Foch, na comuna francesa Suresnes, Jean-Marc realizou o transplante do útero que anteriormente pertencia a mãe da paciente.

    Para saber se o órgão seria bem aceito pelo corpo de Deborah, foi preciso esperar um ano e o resultado foi positivo. Isso levava ao próximo passo do tratamento que era implantar os embriões no útero resultado do tratamento de fertilização in vitro.

    Só que em decorrência da pandemia, Jean-Marc explicou que as atividades médicas voltadas à fertilidade na clínica ficaram suspensas até junho. Portanto, foi apenas em julho que sua paciente pode ter seus embriões transferidos e a boa notícia é que, já na primeira tentativa, Deborah engravidou.

  • Ela poderá ter outros filhos?

    Ainda de acordo com o especialista, um dos critérios estabelecidos é que a paciente venha a passar por duas gestações ao receber o transplante de útero, com o intervalo necessário entre as gravidezes. Mas, logo após a segunda, o órgão seja retirado do seu corpo.

    O médico esclarece que esta decisão ocorre para que a paciente não passe muito tempo por um tratamento com imunossupressores, isto é, uma combinação medicamentosa que diminui as chances de rejeição do órgão implantado ao atacar as células de defesa do organismo. Portanto, a longo prazo, isso poderia ser prejudicial para a imunidade da tentante.

    E para que todos os envolvidos recebam o acompanhamento completo, já que a doadora do útero era a própria mãe da paciente, há também o cuidado de que uma psicóloga faça a assistência de cada membro da família para que a saúde mental seja mantida.

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