Infertilidade secundária: conheça as causas, diagnóstico e tratamento

Casais que já tiveram um filho podem ter dificuldade para engravidar do segundo. Conversamos com um especialista para entender por que isso ocorre.

Por Chloé Pinheiro Atualizado em 15 Maio 2019, 11h14 - Publicado em 15 Maio 2019, 09h26

A atriz Adriane Galisteu, 46 anos, revelou recentemente em um programa de TV que está fazendo tratamento para engravidar do seu segundo filho. Adriane e o marido, Alexandre Iódice, são pais de Vittorio, de 8 anos, e agora passam por um caso de infertilidade secundária, problema relativamente comum, especialmente na gravidez tardia.

Semelhante à infertilidade primária, a secundária ocorre quando o casal já teve um bebê e não consegue engravidar do segundo após um ano de tentativas. O problema pode ser decorrente de alterações no sistema reprodutor da mãe ou do pai. “Hoje em dia muitas pessoas optam por ter o primeiro filho entre os 35 e 40 anos, e, quanto mais o tempo passa, mais difícil será engravidar novamente”, aponta o ginecologista Márcio Coslovsky, membro da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA) e diretor da Clínica Primordia. 

A mulher nasce com um número de óvulos a serem produzidos pré-determinado, que vão sendo utilizados no decorrer do período fértil. “A partir dos 35, há uma diminuição acentuada na quantidade do estoque, e os que sobraram envelhecem”, comenta Coslovski. Não significa que o óvulo não funciona mais, mas fatores como a própria idade, estilo de vida, exposição à radiação e remédios podem diminuir as chances dele ser fertilizado e implantado com sucesso no útero.

No caso dos homens, é um pouco diferente, pois os espermatozoides são produzidos por toda a vida. Só que, com o tempo, essa fábrica vai ficando obsoleta. “Assim, há mais dificuldade de produzir uma quantidade adequada de espermatozoides com qualidade, e maior risco de um espermatozoide provocar uma doença no embrião”, pontua o médico.

Outros fatores

Além da idade, mudanças radicais no estilo de vida entre uma gestação e outra podem influenciar na fertilidade. Fatores como estresse constante, uso excessivo de álcool, tabagismo, consumo de drogas e variações extremas de peso — para mais ou menos — estão relacionados com o problema.

Condições de saúde, como a endometriose e infecções sexualmente transmissíveis, também podem atrapalhar a segunda gestação. Vale destacar que algumas delas passam despercebidas, mas afetam os órgãos internos. É o caso da silenciosa clamídia, provocada por uma bactéria e comum no Brasil entre os jovens. Se não tratada, ela causa uma inflamação pélvica que leva à infertilidade.

Diagnóstico e tratamento

A investigação é praticamente a mesma da infertilidade primária. A mãe passa por exames hormonais, de ovulação e de imagem, que avaliam a estrutura do útero e das trompas. No pai, o teste principal é o espermograma, análise da quantidade e a qualidade do espermatozoide — como eles se movimentam e suas características físicas. Ambos fazem também exames de sangue para verificar a presença de doenças pontuais.

A descoberta da causa faz toda a diferença no tratamento — uma infecção, por exemplo, pode ser tratada — mas Coslovsky adianta que na maioria dos casos relacionados à idade é preciso recorrer à reprodução assistida. “Com mais de 40 anos, recomendo aos meus pacientes irem direto para a fertilização in vitro ou para a inseminação artificial, dependendo dos achados dos exames”, destaca.

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