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Família

Estou grávida!

Ana Castanho Atualizado em 08.12.2011
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Getty Images

Como comunicar essa notícia tão importante, em diferentes situações

 

A mulher descobre que está grávida... Motivo de festa e novidade para contar, imediatamente, a toda a família! Será? E se a gravidez não foi planejada? E se o pai da criança nem imagina essa possibilidade? Como contar para os pais e sogros? Basta um telefonema? Ou é melhor pessoalmente?

Não fossem suficientes as mudanças hormonais que ocorrem no corpo feminino, a gravidez também traz esse tipo de dilema para o casal. Batemos um papo com especialistas, a fim de facilitar o momento da descoberta e da comunicação sobre a espera de um filho.

 

É preciso cautela

De acordo com a ginecologista Tânia Regina Schupp, da Universidade de São Paulo, 20% das gestações evoluem para aborto espontâneo. Por isso, por mais que seja uma grande alegria contar para a família sobre a gravidez – ainda mais quando planejada-- ela aconselha, mesmo depois do resultado positivo do exame, passar em consulta com o ginecologista, verificar se tudo está em ordem, fazer uma ultrassonografia e, aí sim, dar a boa notícia. “Se o casal comunica a família e a gestação evolui para um aborto, uma tristeza coletiva se instala e se torna difícil de ser esquecida pois, vira e mexe, alguém lembra do episódio”, diz.

Ainda segundo a médica, não importa se a gravidez foi planejada ou uma surpresa. Os cuidados antes de sair contando ao mundo devem ser os mesmos. “A maioria das pessoas já aprendeu que deve aguardar o terceiro mês de gestação para espalhar a novidade”, reitera o mestre em Psicologia Social Oswaldo Rodrigues Júnior, de São Paulo.

 

Surpresa

Oswaldo faz questão de ressaltar, aos casais que não pretendem ter filhos, a importância do uso de métodos contraceptivos. “A notícia da gravidez somente será alegre quando for planejada. Se um dos parceiros não desejava essa situação, ela pode ter, como conseqüência, a separação”, avisa.

Já a ginecologista alerta as mulheres que não programaram a gravidez, sejam solteiras ou não: “É muito importante contar logo para o homem. A responsabilidade é dos dois, e a mulher não deve assumir sozinha”.

 

A notícia

Para Tânia, o melhor jeito de contar sobre a chegada de um filho é sempre em uma reunião de família descontraída, como um almoço de domingo. “Essa não é uma notícia para ser dada pelo telefone. Nunca!”, ressalta.

“A diferença do discurso, ao contar uma novidade dessa, implica no foco da atenção e percepção da futura mãe”, explica o psicoterapeuta. “Ao dizer que ‘vai ter um filho’, ela atenta para o futuro e foca na existência da criança. Já ao falar que ‘está grávida’, o foco é em si e no momento que antecede o nascimento do filho.”

Ele reforça que a aceitação da gravidez nem sempre poderá ser controlada pelo emprego dessas frases. E, para tornar esse momento ainda mais especial, vale usar a criatividade. Que tal surpreender a família com o teste de gravidez, ou esconder uma frase que revela a novidade em um biscoito da sorte?

 

Depoimentos

Conheça a história da jornalista Andreza Archangelo: “Minha médica disse que eu não podia engravidar... Hoje, minha filha está com 4 anos (e o pai dela pensava que eu tinha dado o golpe)”

“Quando eu engravidei, estava solteira e tinha 30 anos. Foi um choque porque minha médica havia dito que eu não poderia engravidar...

Eu tinha terminado um relacionamento de pouco mais de um ano. Estava curtindo a vida e conhecendo novas pessoas.

O interessante é que, quando conheci o pai da minha filha, conversamos sobre família, sexo, relacionamentos e eu logo de cara contei que não podia ter filhos. Quando aconteceu, ele ficou muito bravo. Tínhamos ficado juntos apenas dois meses e estávamos separados havia duas semanas. Ele achou que eu o tinha usado para realizar o sonho de ser mãe. Mas não é verdade... Minha médica realmente me falou que eu era estéril.

Quando descobri a gravidez, liguei pra minha mãe e disse: “Estou grávida. Conte para o meu pai”. Mesmo independente, morando sozinha e com 30 anos, não tive coragem de falar para ele.

Minha mãe tomou um tremendo susto, principalmente por ela achar que eu não podia engravidar e por não conhecer o pai da minha filha. Mas, no balanço geral, ela ficou muito feliz. Posso dizer até que foi a melhor notícia que ela já recebeu, uma vez que ela se culpava por achar que tinha ‘me feito com problema’.Hoje minha filha tem 4 anos e somos muito felizes.

Não me casei com o pai dela, mas, pelo menos, ele entendeu que não houve nenhum golpe e, sim, uma vontade do destino.”

Conheça, também, a história da médica Alessandra Sotiropoulos, de 34 anos: “Meu marido me mandou ‘calar a boca’ e passou 24 horas mudo, quando soube que seria pai. Tudo reação de alegria”

“Há dez anos, engravidei pela primeira vez (hoje tenho duas filhotas). Já estava desconfiada e resolvi fazer o teste de farmácia. Deu positivo e logo saí gritando pela casa que estava grávida.

Meu marido teve uma reação, no mínimo, curiosa: ele simplesmente me mandou calar a boca e passou o resto do dia mudo, absorvendo a emoção.

Corri para o laboratório, fiz o teste e fiquei pressionando os médicos – meus colegas – para me passarem logo o resultado.

Confirmada a notícia, liguei para os meus pais, que moram na praia. Todos ficaram eufóricos.Não satisfeita, passei a mão no telefone e liguei para a família inteira. Tanto para a minha quanto para a do meu marido – já que ele estava sem falar.

Em vez de esperar três meses, como geralmente recomendam os médicos, em menos de 24 horas contei para mais de 100 pessoas que ia ser mãe.

Bom, foi uma grande alegria, assim como engravidar pela segunda vez.

E, antes que eu me esqueça, meu marido voltou a falar e é apaixonado pelas nossas filhas!”


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