7 perguntas e respostas sobre catapora na infância

Na maior parte das vezes, ela acomete crianças entre 1 e 10 anos. E é no início da primavera que essa enfermidade costuma dar as caras.

1. O que é a catapora e quem ela atinge?

Trata-se de uma infecção causada pelo vírus varicela-zóster, que tem como principal característica provocar febre e erupções na pele, as chamadas vesículas. A catapora (ou varicela) pode aparecer em qualquer fase da vida, mas é na infância que ela mais se dissemina. Até os 10 anos, é provável que boa parte das crianças seja contaminada – a maioria delas vai ter esse contato com o vírus entre 1 e 4 anos de idade. “Nos primeiros 12 meses, o bebê está protegido pelos anticorpos passados pela mãe durante a gravidez”, esclarece a pediatra Sandra de Oliveira Campos, do departamento de infectologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Vale lembrar, contudo, que a proteção materna nesse período só acontece se a mulher teve a doença ou foi vacinada. Caso contrário, o seu pequeno estará imune apenas quando tomar a vacina ou manifestar a enfermidade. Isso porque, uma vez exposto à varicela, ele estará protegido pelo resto da vida. Segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia, 90% das pessoas já estão imunes a esse agente infeccioso na idade adulta.  

2. Como é a evolução da doença?

A fase de incubação do vírus no corpo da pessoa infectada varia de 7 a 21 dias. Esse é o tempo que leva entre o contato com o varicela-zóster e o surgimento das vesículas. “Nessa etapa, a criança pode ter febre e ficar apática – principalmente nos três dias antes de aparecerem as primeiras manchas”, informa a infectologista pediátrica Marina Kinoshita, chefe do serviço de infectologia do Hospital Pequeno Príncipe, em Curitiba. As bolinhas vermelhas que causam uma baita coceira tendem a ser mais numerosas no tronco, mas também podem atingir mucosas, como a boca e a área genital. Ao longo de uma ou duas semanas, as lesões se transformam em bolhas cheias de líquido e, depois que estouram, viram machucados, que vão formar uma casquinha e sarar, sumindo aos poucos.

3. Como ocorre a transmissão do vírus?

Altamente contagioso, o varicela-zóster é transmitido de pessoa para pessoa, principalmente por meio de secreções respiratórias (como gotículas de saliva e espirro) ou pelo contato direto com o líquido das bolhas. O período de transmissão leva, em média, 10 dias – ele inicia até 3 dias antes de a primeira bolinha surgir e vai até o momento em que começam a se formar crostas na lesão. “É nesse ponto que a criança está liberada para ter contato com outras pessoas”, diz Sandra de Oliveira Campos.

Com caráter sazonal, a principal época do ano em que o vírus se dissemina é no início da primavera, entre os meses de setembro e outubro. “O clima dessa estação propicia que ele se multiplique mais rápido”, justifica Marina Kinoshita. Também pode ocorrer um maior contágio durante o inverno, em razão de as crianças ficarem mais concentradas em ambientes fechados.

4. Como é feito o tratamento?

Não há um tratamento específico para a catapora. Em geral, o que se faz é uma terapia sintomática, com medicamentos para baixar a febre e aliviar a coceira das feridas. Fora isso, recomenda-se cuidados como cortar as unhas da criança (para evitar infecções secundárias) e higienizar a pele com água e sabão durante o banho. Métodos antigos, como os banhos de permanganato e de aveia, são contraindicados.

E lembre-se: nada de dar remédio por conta própria. Isso porque drogas que contêm ácido acetilsalicílico (AAS) são perigosas para o paciente com catapora. “Associado ao vírus da varicela, o AAS pode levar a uma insuficiência pancreática, a chamada síndrome de Reye”, adverte Marina Kinoshita, do Hospital Pequeno Príncipe. Portanto, siga apenas as orientações do pediatra.

5. A catapora pode ter complicações?

Em geral, a catapora não causa problemas além da coceira e da febre. Mas os pequenos com uma imunidade defasada podem ter sérias complicações. A mais comum é a infecção de pele, que ocorre quando a criança coça demais as lesões e contamina a região. Mas não é só isso! “O vírus também atua na parte brônquica dos pulmões, o que aumenta o risco de pneumonia“, alerta a médica do Pequeno Príncipe. Em casos raros, o sistema nervoso central pode ser comprometido, levando a quadros de meningite ou encefalite, um tipo de inflamação do cérebro.

6. De que maneira deve ser feita a prevenção?

É claro que uma das formas de se manter longe da catapora é evitando o contato com pessoas infectadas. Mas a melhor maneira de se prevenir é por meio da vacinação. A recomendação da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) são duas doses: a primeira aos 12 meses e a segunda entre 15 e 24 meses de idade. “A vacina com duas doses garante uma proteção de 95 a 98%”, estima a médica Flávia Bravo, presidente da regional do Rio de Janeiro da SBIm.

Em situações de surto na região de moradia, na creche e na escola ou mesmo quando um membro da família está com a doença, a vacina pode ser aplicada a bebês a partir dos 9 meses. Nesses casos, essa dose será desconsiderada no futuro e a criança deverá tomar as duas doses de rotina, depois do primeiro aniversário.

É importante ressaltar que não são apenas os pequenos que devem marcar um encontro com a seringa. Adultos que têm contato com uma criança e nunca tomaram a vacina ou não tiveram a doença devem ser imunizados. Isso vale para o pai, o irmão, a babá, a avó…

7. Mulheres grávidas podem tomar a vacina?

Não. “Por ser uma vacina composta por vírus vivos enfraquecidos, ela não é recomendada durante a gravidez, porque pode causar a doença no bebê”, explica Flávia Bravo. Segundo a médica, nenhum estudo comprovou esse efeito até hoje, mas evita-se administrar imunizantes desse tipo ao longo dos nove meses. “É um risco teórico”, resume.

O ideal é se vacinar antes de engravidar, no mínimo um mês antes da concepção. Até porque, se uma gestante for infectada pelo vírus da varicela, ela pode transmitir a catapora para o bebê. E, nesses casos, a situação é grave. Se a mulher não foi imunizada no período pré-gestacional, o indicado, então, é tomar a vacina apenas depois do parto.

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