Conjuntivite em bebês e crianças: tudo o que você precisa saber

A doença afeta os olhos e parece simples, mas deve ser acompanhada sempre por um profissional de saúde. Entenda!

Os olhos incham, coçam, ficam vermelhos e lacrimejam sem parar… Há grandes chances de você, pai ou mãe, conhecer bem esse quadro. Ora, estamos falando da conjuntivite, inflamação corriqueira da conjuntiva, tecido que recobre os olhos.

A doença é mais comum na primavera e em mudanças bruscas de temperatura — tanto que esse ano os médicos notaram um aumento dos casos durante o outono — e pode trazer incômodos importantes, mas é autolimitada. Ou seja, o corpo dá conta sozinho do problema em até duas semanas.

Só que, especialmente no caso dos pequenos, o ideal é procurar o médico para descobrir o tipo de conjuntivite e acompanhar o caso depois com o oftalmologista.

“Se a infecção for grave, pode deixar cicatrizes na córnea da criança, e qualquer coisa que prejudicar a visão da criança antes dos seis anos de idade poderá ser permanente”, explica Luciene Barbosa, membro do Conselho Brasileiro de Oftalmologia. Para garantir proteção à prole, aprenda a seguir um pouco mais sobre as características das principais conjuntivites.

Conjuntivite infecciosa

Ela pode ser viral ou bacteriana. A primeira, e mais comum, é transmitida especialmente pelo adenovírus, que se espalha fácil pelo contato entre os baixinhos e pode inclusive causar sintomas de resfriado. “Ela geralmente é acompanhada de um quadro respiratório, com coriza e espirros”, explica Raquel Muarrek Garcia, infectologista do Hospital São Luiz Morumbi, de São Paulo.

O acometido pode inclusive ficar com febre e gripado e não há um remédio específico contra o vírus, os oftalmologistas apenas acompanham a evolução da infecção e, se preciso, dão medicamentos para combater sintomas como a inflamação.

Já a bacteriana, geralmente causada pelos pneumococos, o mesmo grupo de bactérias por trás da pneumonia, é um pouco menos contagiosa, mas pode ser mais perigosa. “Ela exige um maior cuidado, pois pode ser intensa e evoluir até para uma perfuração ocular, quadro que ameaça a visão”, aponta Minoru Fujii, oftalmologista do Hospital Cema, em São Paulo.

As duas têm sintomas parecidos, mas a secreção da conjuntivite bacteriana é mais amarelada, purulenta, enquanto a viral tem uma secreção um pouco mais esbranquiçada. Há também uma diferença no tempo de duração do incômodo. “A bacteriana costuma melhorar em 5 dias com o uso de antibióticos, já a viral pode deixar os olhos vermelhos por até 21 dias e ser transmissível até o 12º dia da doença”, destaca Fujii.

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Quando a causa é outra

A conjuntivite também pode ser alérgica, desencadeada por poeira e pólen ou mesmo atópica, quando não há uma causa muito estabelecida. Crianças com alergias respiratórias tendem a ter crises do tipo. “Na alérgica, o sintoma mais importante é a coceira intensa, além do olho vermelho, dificuldade de olhar para a luz e formação de edema local”, conta Luciene.

Como o quadro costuma ser crônico, com episódios recorrentes, os alérgicos precisam ser acompanhados de perto. “O olho não foi feito para coçar, e a coceira pode levar a consequências mais sérias, como alterações na forma da córnea da criança que só serão percebidas mais tarde”, alerta a médica.

Por último, há as conjuntivites químicas, provocadas pelo contato de algum produto com o olho. Nos recém-nascidos, que recebem gotinhas de nitrato de prata nos olhos para evitar a transmissão de doenças infecciosas pela mãe na hora do parto, essa reação é relativamente comum. A boa notícia é que em poucos dias a vermelhidão e a secreção vão embora.

Dá para evitar?

Embora seja difícil prevenir a doença, dá para reduzir o risco tomando as medidas básicas de higiene, especialmente em locais com aglomeração e alta circulação de pessoas, como banheiros públicos e escolas. E ensinando o filho desde pequeno a não colocar a mão no olho diretamente. Para prevenir as alérgicas, procure possíveis agentes causadores e, por via das dúvidas, limpe bem o ambiente onde o filho passa mais tempo e as superfícies com álcool.

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O que fazer se o filho pegar

Se a conjuntivite for infecciosa, deve-se tomar cuidado com a transmissão, especialmente a da viral, que é mais contagiosa. Por isso, a primeira recomendação é afastar o filho da escola e de outras atividades em grupo. “A família também deve tomar medidas para não contrair a doença, o que ocorre com frequência, e separar roupas de cama, toalhas, travesseiros e lavar bem as mãos depois de ter contato com a criança infectada”, ensina Luciene.

Para aliviar o incômodo do pequeno, limpe o olho frequentemente com soro fisiológico gelado — água filtrada e fervida também fazem esse papel — e faça compressas colocando o líquido gelado em saquinhos. “Não use água boricada ou receitas caseiras, que podem irritar mais o olho e piorar o quadro”, orienta Fujii.

Além da compressa, o único produto que os médicos recomendam para todos os tipos de conjuntivite são as lágrimas artificiais à venda nas farmácias, que lubrificam os olhos e podem amenizar os sintomas. “Mas mesmo eles têm orientações de uso específicas. Por exemplo, algumas não podem ser pingadas mais de seis vezes ao dia”, ressalta Luciene.

O mais importante é procurar o médico. “Na maioria das vezes ela será inofensiva, mas para um leigo é difícil dizer qual tipo de conjuntivite e o uso do remédio errado pode piorar a evolução da doença, por isso a pessoa não deve decidir sozinha”, reforça Fujii.

Se a conjuntivite for viral, como adiantamos, normalmente o jeito é esperar passar e, em casos especiais, usar anti-inflamatórios tópicos. No caso da bacteriana, o médico prescreve antibióticos tópicos e, nas alérgicas, o tratamento pode envolver o uso de corticoides. No mais, os pais devem estar preparados, pois pegar conjuntivite uma vez não garante imunidade permanente.

 

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