Cartilhas ajudam pais e filhos a conversarem sobre emoções da quarentena

Elas trazem recursos visuais para que as crianças consigam expressar como estão se sentindo em meio à pandemia do novo coronavírus.

Sono bagunçado? Sensação de que o comportamento do filho regrediu? E a educação escolar? A pandemia do novo coronavírus que se estende para o segundo semestre do ano ainda tem o isolamento social como medida mais efetiva para o controle da doença. Entretanto, ficar longe de quem amamos e ter uma rotina completamente diferente não são vivências fáceis e o mesmo se aplica para os pequenos, que têm ainda menos recursos para lidar com as emoções do momento.

Com o assunto ganhando cada vez mais atenção entre os especialistas, instituições governamentais e particulares uniram profissionais da saúde para debater sobre os cuidados físicos e psicológicos que o período pede. Uma das formas de fazer com que os resultados cheguem ao público tem sido por meio da produção de cartilhas. Elas são como guias lúdicos que proporcionam um momento de leitura importante entre pais e filhos. Basta clicar no nome da cartilha para acessar cada um dos arquivos, tá?

O que é e como se proteger

A primeira que trazemos é do Ministério de Saúde, chamada “Coronavírus: Vamos Nos Proteger”. Com 24 páginas em formato PDF, a doença é apresentada para as crianças pelos personagens Doutora Carla e Vovô Hermes. O documento ensina aos pequenos sobre o que é o novo vírus, as diferentes formas de transmissão e como se proteger.

Ele também abre o jogo de que sim, o momento fica ainda mais dolorido por não poder ver os amiguinhos da escola e principalmente os avós. Mas reforça que é temporário e está tudo bem sentir medo. Quando não se transforma em pânico, é ele quem nos mantem alerta para os cuidados. Então, atenção para os limites de como o pequeno está se sentindo, ok?

 (Ministério da Saúde/Reprodução)

Criança tristinha? É hora de lidar com as emoções!

Também pensando em meios saudáveis para ajudar as crianças com os sentimentos, o Laboratório de Pesquisa em Neuropsicologia Clinica e Cognitiva (Neuroclinic), da UFABC, criou a cartilha “Cuidando das emoções: Ajudando seu filho em tempos de crise”.

De forma didática, a publicação separa cada uma das perturbações que a criança pode sentir no dia a dia, com uma situação que parece boba, mas é reflexo da quarentena. Por exemplo, se o filho não faz o que os pais pedem e sempre responde gritando ou fazendo algum tipo de birra, a reação exagerada pode ser porque ele está com raiva dentro de si.

“Se a criança está muito nervosa, primeiro, vamos acalmá-la. Você pode oferecer dar um copo d’água, respirar, deitar um pouco (às vezes teremos que fazer isso junto com ela). Quando estiver mais calma, fale com ela sobre o que aconteceu e proponha um novo jeito de fazer o que não conseguiu, de preferência faça primeiro e depois junto com ela”, aconselha o documento.

Também é importante lembrar de reforçar suas atitudes positivas, elogiando-as, e de que ela é capaz de ter uma reação diferente ao que a está chateando.

 (Neuroclinic/Reprodução)

Aprendendo a gerenciar os sentimentos

A mesma atenção foi dada pela cartilha “A Descoberta de Pedro Sobre o Coronavírus”, elaborada pelo Hospital Sírio-Libanês. Como o nome dá a entender, a história é conduzida pelo personagem Pedro. Ele conta sobre o quão assustado estava se sentindo no começo da pandemia, vendo os pais alertas e ligados constantemente nos veículos de notícia pelos aparelhos eletrônicos.

Só que a situação foi se acalmando quando Pedro teve uma conversa sincera com os pais e pôde ouvir sobre o que estava acontecendo ao redor do mundo. É essencial que esse diálogo aconteça em casa, mas é importante também que ele respeite os limites de entendimento da criança. Para saber mais, clique aqui!

O diferencial desta cartilha é que ela traz uma série de exercícios no final, para que os pequenos possam colocar para fora as emoções que estão sentindo durante a quarentena.

Para os que já sabem escrever, há o incentivo para eles definirem em palavras o que estão passando. Mas também tem atividades para aqueles que estão no início da alfabetização e se expressam melhor com desenhos.

 (Hospital Sírio-Libanês/Reprodução)

Os pais também precisam de atenção!

Os pais dos menores também não ficaram de fora. Um grupo de pesquisadores e estudantes de pós-graduação em psicologia das universidade PUCRS e PUC-Campinas montaram a cartilha “Guia prático para pais e cuidadores de crianças pequenas em tempos de coronavírus”.

Com o viés para a saúde mental dos pais, que pode estar profundamente fragilizada pelas mudanças trazidas pela quarentena, o documento é importante para reforçar que: você está fazendo o melhor que pode, com as ferramentas que têm em mãos.

Para isso, os profissionais listaram sete dúvidas possivelmente frequentes neste momento, com respostas do que fazer ou não. Por exemplo: está sentindo as emoções à flor da pele e tem medo de que elas influenciem no desenvolvimento da criança?

Os profissionais respondem: “Não tente ser perfeito. Pais e cuidadores também têm direito a dias ruins e a errar em alguns momentos. Se você acabar se irritando, evite tomar decisões precipitadas e agir por impulso. Tudo bem precisar de um tempo para se acalmar. Somos todos humanos e as emoções fazem parte dessa experiência”.

O exemplo também entra como uma ferramenta importante neste momento. Após acalmar a criança, é importante que você também diga a ela sobre a sua frustração ou tristeza. Começar a nomear sentimentos e mostrar que está permitido sentir-se daquela forma são essenciais para construir um adulto emocionalmente maduro.

Para ajudá-los, há uma sequência de desenhos no final da cartilha com reações comuns que aparece quando uma emoção surge. Elem podem ser usados para ajudar o pequeno a entender melhor cada uma delas!

 (PUCRS e PUC-Campinas/Reprodução)

 

 (Juliana Pereira/Bebê.com.br)

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