Alergia ou covid-19? Entenda como diferenciar os sintomas em crianças

Nem todo espirro é sinal de coronavírus, mas os pais devem ficar atentos com sintomas como problemas gastrointestinais e febre.

Por Alice Arnoldi Atualizado em 12 Maio 2021, 15h36 - Publicado em 12 Maio 2021, 14h54

Com o atual cenário alarmante, basta um espirro para cogitarmos a possibilidade da pessoa estar contaminada pelo vírus da covid-19. Só que neste momento, quadros respiratórios não são tão simples de serem diagnosticados, especialmente quando falamos de crianças e outono.

O período climático iniciado em 20 de junho é propício para o desenvolvimento de doenças relacionadas a nariz, garganta e ouvido por diferentes motivos. E a pediatra Felícia Szeles, alergista infantil, explica que o problema está para além das temperaturas baixas.

“O tempo seco e frio pioram a qualidade do ar pois dificultam a dispersão dos poluentes da atmosfera, o que leva a uma irritação maior das mucosas respiratórias, podendo piorar os quadros alérgicos (rinite e asma) e até facilitar o surgimento de mais quadros infecciosos”, alerta a especialista.

Outro fator contribuinte para o aumento de doenças respiratórias no outono é a tendência à aglomerações em ambientes fechados devido ao frio. “Muitas pessoas juntas falando, tossindo e espirrando em locais pouco ventilados, criam condições ideais para a disseminação de vírus e das bactérias”, completa Felícia.

Quadros respiratórios alérgicos mais comuns em crianças

Entre os casos alérgicos e infecciosos, a otorrino pediatra Maura Neves, especialista pela Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF), pontua que as mais comuns em crianças de até seis anos são gripe, resfriado, rinite alérgica e asma. Felícia também lembra que a bronquite pode aparecer em alguns prontuários infantis neste período.

Para conseguir diferenciá-las, as especialistas listam quais são os principais sintomas de cada condição:

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  • Resfriado: obstrução nasal, coriza, espirros, tosse, queda do estado geral (cansaço) e até mesmo dor de cabeça.
  • Gripe: é caracterizada pelos mesmos sintomas do resfriado, só que mais fortes e somados a febre.
  • Rinite alérgica: congestão nasal, coceira interna no nariz, nos olhos e na garganta, coriza e espirros.
  • Asma: obstrução dos brônquios, geralmente causada por um processo alérgico, falta de ar, chiado no peito (sibilância), tosse seca e dor no peito.
  • Bronquite: sinais similares ao da asma, apenas com a diferença de que a inflamação dos brônquios, neste caso, geralmente acontece por um processo infeccioso, viral ou bacteriano.

Como diferenciá-las de um caso de covid-19? 

Diante do segundo ano consecutivo de pandemia causada pelo Sars-Cov-2 e suas variantes, pesquisas em conjunto com a comunidade médica reforçam que crianças pequenas são menos suscetíveis à covid-19. Entretanto, elas podem ser contaminadas diante de situações de risco e, para isso, é importante entender o que pode auxiliar em diferenciar a doença pandêmica de outros quadros respiratórios.

Segundo Felícia, o primeiro passo a ser dado pelos pais é olhar com cautela o histórico do filho. Isso significa identificar se ele já foi diagnosticado com algum dos quadros alérgicos anteriormente e ver se o seu comportamento está semelhante ao da época. Já o segundo ponto de atenção é se o pequeno teve contato recente com alguém que testou positivo para covid-19, o que aumenta exponencialmente as chances de ser coronavírus.

Já em relação aos principais sintomas respiratórios que levantam a suspeita da infecção pelo Sars-Cov-2, a pediatra alergista cita a febre, dor no corpo e um mal-estar importante, em que é perceptível que o estado de saúde da criança está prejudicado. Maura também cita dor de garganta e falta de ar como sinais relevantes da covid-19 no público infantil.

As duas pediatras também enfatizam que os fatores secundários auxiliam na separação entre quadros alérgicos e covid-19. Destacam-se principalmente os problemas gastrointestinais, como diarréia e vômito.

O que deve ser feito em caso de dúvida 

Antes de direcionar-se a um pronto-socorro, as médicas ouvidas recomendam que os pais procurem pelo pediatra que acompanha seus filhos. Ele é quem conseguirá analisar cenários passados da saúde do pequeno e se necessário, solicitar o teste para coronavírus.

Neste período de análise, é importante que a família redobre os cuidados de higiene e mantenha o isolamento social para ter por perto apenas quem já estava em contato com os pais e a criança. Isso ajudará a evitar que outros parentes e amigos queridos não sejam contaminados pela doença, caso seja um quadro positivo de coronavírus.

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