Tudo sobre a gravidez de mulheres com obesidade

Os quilos a mais oferecem riscos para mãe e bebê, mas com alguns cuidados é possível manter uma gestação saudável. Entenda!

Quando uma mulher com obesidade engravida, além das comemorações surgem as preocupações. Será que minha gravidez será saudável? O bebê será mais gordinho? As respostas para essas questões podem assustar, mas a boa notícia é que medidas relativamente simples já diminuem o perigo.

“Há riscos maiores, mas se a mulher for bem orientada e controlar a ingestão de calorias, o cenário muda”, explica Alberto d’Auria, obstetra do Hospital e Maternidade Santa Joana, em São Paulo. Isso porque os exageros no cardápio aumentam o peso e as chances de algum problema dar as caras.

Falando nisso, não são poucas as encrencas associadas ao excesso de peso durante esse período. “Gestantes obesas têm até 40% de chances a mais de ter pré-eclâmpsia, a hipertensão que ocorre durante a gravidez”, aponta d’Auria. Se não controlada com medicamentos, a condição ameaça a vida de mãe e filho.

Outro vilão é o diabete gestacional, quando o corpo temporariamente não dá conta de processar o açúcar que ingere. É que o acúmulo de gordura vai dificultando a ação da insulina, hormônio responsável por colocar a glicose para dentro das células. “Se ela já desenvolveu resistência à insulina antes de engravidar, é uma forte candidata a ter diabete na gestação e também um aviso de que poderá desenvolver a forma crônica depois se não continuar controlando a dieta”, alerta o obstetra.

Trombose e disfunções da tireoide são outros perigos relacionados à obesidade na gestação, assim como a deficiência nutricional. “Verificamos na prática que cerca de 40% das gestantes obesas apresentam deficiência de ferro, 20% apresentam carência de ácido fólico e 5% apresentam deficiência de vitamina B12”, expõe Indiomara Baratto, nutricionista da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Mulheres que não estão com o IMC (Índice de Massa Corpórea) acima de 30, o que configura a obesidade, mas que tem sobrepeso também devem ficar alertas. A probabilidade de problemas do tipo existe, ainda que seja menor.

E o bebê, como fica?

A carência de nutrientes é preocupante porque, como frequentemente a obesidade atrasa ou interrompe o ciclo menstrual, algumas mulheres descobrem tarde demais que estão grávidas. Ou seja, o ácido fólico pode faltar bem no período em que o bebê mais precisa dele, no primeiro trimestre da gestação.

Assim, a malformação fetal é um dos principais riscos, junto com a probabilidade de que o filho também tenha excesso de peso. Há outros efeitos negativos já observados e atualmente em investigação pela ciência, como baixas na imunidade, maior risco de parto prematuro e até associações com o autismo.

Mas isso não quer dizer que o pequeno será necessariamente obeso ou terá problemas de saúde. “Hoje sabemos graças à epigenética que, se a mãe controlar a dieta, pode mudar a expressão dos genes relacionados à obesidade que transmitiu ao filho”, pontua d’Auria. Vamos, então, às mudanças!

O peso ideal

“O certo é perder peso antes de engravidar para controlar doenças metabólicas que causam alterações na pressão e na glicose”, orienta Rossana Pulcineli, ginecologista da Associação de Ginecologia e Obstetrícia do Estado de São Paulo.

Segundo a Associação Americana de Ginecologia e Obstetrícia, até uma redução de peso pequena nesse período, entre 5 e 7%, já ajuda a melhorar o cenário. Isso geralmente equivale à faixa de 4 a 9 quilos a menos. Mas a recomendação muda quando o bebê já está crescendo na barriga. “Não é um momento para restrições intensas porque a mãe precisa do consumo de todos os nutrientes para o desenvolvimento adequado da gestação”, destaca Indiomara.

Isso significa que o certo é que o ponteiro da balança suba mesmo, mas com limites de tolerância diferentes. “Enquanto no geral as mulheres podem engordar entre 11 e 16 quilos, quem tem obesidade deve ganhar entre 5 e 9 quilos”, orienta d’Auria.

Alimentação e atividade física, os melhores remédios

O cardápio deve ser estabelecido por um nutricionista, que identifica as carências nutricionais e os alimentos certo para supri-las, assim como o limite diário de calorias. “O aumento do aporte calórico deve ocorrer somente no segundo e terceiro trimestres, no primeiro não existe essa necessidade”, explica Indiomara.

A dieta é personalizada, mas algumas regras valem para todas. Alimentos ricos em gordura saturada e açúcar, frituras e refrigerante devem ser evitados – e os industrializados e embutidos reduzidos. Se a vontade de doce é grande, não apele para o adoçante exceto que haja recomendação médica para isso – a ciência ainda estuda seus efeitos no organismo a longo prazo.

E, é claro, investir em refeições coloridas, variadas e equilibradas, com cereais integrais, carnes magras e laticínios pobres em gordura. Frutas, legumes e verduras são mais do que bem-vindos em todas as refeições do dia, que aliás devem ser feitas de três em três horas, em pequenas porções. Carboidratos podem e precisam ser ingeridos, em quantidade menor e de preferência nas versões integrais e em tubérculos como a batata.

Exercícios físicos também são importantes para manter a saúde de mãe e filho em ordem. Eles auxiliam na manutenção do peso e da pressão arterial e ainda melhoram a ação da insulina. Atividades físicas de menor impacto, como a hidroginástica são as mais indicadas para as sedentárias.

A hora do parto

A cesariana não é obrigatória, mas ocorre com frequência. “A gestante costuma ter condições de fazer o parto normal, mas os bebês frequentemente apresentam macrossomia, ou seja, um peso maior do que quatro quilos”, aponta Rossana.

Se não é o caso, o melhor é que a gestação siga seu curso natural até o fim. Até mesmo porque a obesidade aumenta o risco de complicações como infecções e hemorragias durante o parto cirúrgico. “Há ainda uma chance maior de nascimentos prematuros no caso das gestantes obesas por conta de problemas correlatos, como o diabete gestacional”, finaliza d’Auria.

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