Dietas restritivas na gravidez e no pós-parto: qual é o limite?

Especialistas falam sobre os riscos de restringir o cardápio durante a gestação e após o nascimento do bebê.

O medo de engordar demais durante a gestação – e nunca mais voltar ao peso anterior – assombra muitas grávidas. Ansiosas para perder os quilos adquiridos, muitas mulheres recorrem a dietas restritivas logo após o parto – algumas chegam a cortar calorias até mesmo na gravidez. Recentemente, um caso que virou polêmica foi o da atriz Deborah Secco, após ela ter revelado em uma entrevista que, para controlar a balança depois dos 19 Kg que ganhou na gravidez, chegou a comer de 23 em 23 horas – um método conhecido como jejum intermitente. Conversamos com especialistas para saber o que é ou não seguro (para a mãe e o bebê) quando o assunto é recuperar a forma após a chegada de um filho.

Na gravidez

A alimentação da gestante deve ser rica em nutrientes para garantir o bom desenvolvimento da criança. Isso não significa que, ao descobrir que tem um bebê a caminho, a mulher possa comer absolutamente tudo – ou pior, em dobro! “Aquele mito de que é necessário comer por dois durante a gestação não existe. O que deve ter é o equilíbrio”, alerta Diogo Toledo, nutrólogo do Hospital e Maternidade São Luiz Itaim. Vale lembrar que o recomendado é que a futura mãe consuma cerca de 1800 a 2800 calorias por dia, pratique exercícios físicos e faça um acompanhamento médico frequente. “O ideal é que a mulher engorde de 12 a 16 quilos na gestação – dependendo da massa corpórea”, afirma Ana Lúcia Beltrame, ginecologista e obstetra, membro efetivo da Sociedade Americana e Europeia de Medicina Reprodutiva. “Se a grávida já praticava atividades físicas, ela pode comer a mesma quantidade que estava acostumada antes, mas sempre acompanhando todas as peculiaridades com profissionais”, destaca Ana Luiza Vilela, nutróloga especialista em emagrecimento da Clínica Slim Form, de São Paulo.

O problema é que, por diversos motivos, algumas grávidas acabam ganhando mais peso do que deveriam (e gostariam). E as consequências desse excesso vão desde um maior risco de desenvolver diabetes gestacional a um aumento na probabilidade de parto prematuro – daí a importância de se manter hábitos saudáveis antes e durante a gestação. Correr atrás do prejuízo carregando um bebê na barriga pode trazer grandes impactos para a mãe e, especialmente, para o feto ainda em formação. “Não é recomendado fazer dietas de baixas calorias na gravidez, pois a criança pode nascer com baixo peso. A gestante que segue um regime rígida compromete a sua saúde e o desenvolvimento do bebê”, esclarece Giselle Barone, nutricionista especializada em nutrição funcional, da Clínica Harmonia Corpo & Alma, de São Paulo.

Restringir o cardápio durante a gestação ainda pode acarretar outros danos bem sérios. “A mãe pode ter anemia, trabalho de parto prematuro, baixa imunidade. Também há aumento na incidência de abortamento, restrição de crescimento do bebê e alterações de circulação da placenta”, ressalta Ana Lúcia Beltrame. Isso porque todos os alimentos consumidos pela gestante são digeridos e suas vitaminas e minerais são absorvidos, entrando na corrente sanguínea: “A placenta possibilita um intercâmbio entre a circulação sanguínea da mãe e do filho, disponibilizando os nutrientes também para o bebê, que irá utilizá-los de acordo com suas necessidades”, explica Gisele Carvalho, nutricionista da Clínica MedPrimus, também na capital paulista.

E os problemas não param por aí. Segundo a educadora física e nutricionista Natasha Barros, membro do Instituto Brasileiro de Nutrição Funcional (IBNF), a má alimentação da mãe pode prejudicar a programação metabólica da criança no futuro, fazendo com que ela tenha maior predisposição a doenças como diabetes e obesidade. “Se a gestante não comer corretamente ela também enfrentará desequilíbrios – entre eles a disfunção de glândulas, como a da tireoide, e baixa produção hormonal”, afirma Natasha.

Não tem segredo: o importante é manter uma dieta balanceada, com carboidratos, proteínas e alimentos fontes de cálcio, ferro, vitamina A, vitamina D, zinco, entre outros elementos. Alimentar-se de maneira fracionada também é outra orientação dos especialistas. De acordo com a nutricionista Giselle Barone, a futura mãe deve fazer cinco refeições ao dia e ingerir bastante líquido. Ela também deve retirar frituras, açúcar, sal e comidas industrializadas do cardápio, optando por produtos frescos e naturais – sempre bem higienizados.

Outros itens que não pode faltar no prato das gravidinhas são os ácidos graxos, como o ômega 3, que contribui para o desenvolvimento cognitivo do pequeno, e o ácido fólico – cuja deficiência está ligada aos defeitos do tubo neural do recém-nascido. “Os nutrientes presentes em diferentes tipos de alimentos auxiliarão na multiplicação das células do bebê, possibilitando a formação de órgãos e tecidos, de seus ossos e contribuindo para que seu sistema nervoso seja adequadamente construído e funcione da melhor maneira possível”, diz a nutricionista Gisele Carvalho.

No pós-parto

Jose Luis Pelaez Inc./Thinkstock/Getty Images Jose Luis Pelaez Inc./Thinkstock/Getty Images

Após o nascimento do filhote, a preocupação com o peso torna-se ainda maior para algumas mulheres, mas é imprescindível emagrecer com saúde. “Com orientação médica, a mãe pode fazer dietas a partir do momento em que ela não amamenta mais, porque existe um vínculo nutricional entre ela e o bebê durante o aleitamento materno. Se ela diminui a diversificação dos alimentos, isso vai interferir na qualidade e na produção do leite”, revela a obstetra Ana Lúcia Beltrame.

E o próprio ato de amamentar contribuirá para que a nova mamãe reduza medida aos poucos, pois consome muitas calorias – dependendo do índice de massa corpórea da lactante, o gasto pode ser de 500 a 800 calorias por dia. “A dieta materna influencia diretamente nos componentes nutricionais do leite. Quando a mãe mantém uma alimentação balanceada e cuida da sua saúde, o leite materno será adequado e ela recuperará o peso de maneira saudável”, observa a nutricionista Giselle Barone. Ela afirma, ainda, que uma dieta restritiva neste período pode causar desnutrição tanto na mãe quanto no bebê, já que há carências de vitaminas e minerais importantes.

Por isso o combo alimentação equilibrada, exercícios físicos e acompanhamento médico é a melhor maneira de não ganhar quilos além da conta, manter uma gestação saudável e diminuir os ponteiros da balança de forma natural, sem cobranças ou recorrendo a dietas que não são seguras – como o jejum intermitente. “Essa técnica tem validações para alguns tipos de pacientes específicos. É um protocolo que funciona, mas somente em alguns subgrupos avaliados por especialistas. Na gestação e na amamentação, as mulheres devem evitar restrições extremas”, avalia o nutrólogo Diogo Toledo.

O essencial é respeitar a transformação pela qual o corpo passou durante nove meses e ter o vínculo com o recém-nascido como prioridade. Afinal, tudo tem seu tempo e querer emagrecer a qualquer custo pode fazer com que a mulher deixe de lado o principal: o contato com o novo membro da família.

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