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Infecção urinária na gravidez: causas, sintomas e tratamento

A cistite é comum na gestação e, se não houver o cuidado correto, as bactérias podem chegar aos rins. Saiba quando procurar o médico!

Por Gabriela Agustini (colaboradora)
28 jun 2023, 14h49

A bexiga parece estar mais do que cheia e, na hora “H”, saem apenas alguns pinguinhos, acompanhados de ardência… Os sintomas parecem familiares? Então, preste atenção, porque esse pode ser um sinal de infecção urinária.

A disfunção é comum durante a gravidez e, se não for tratada, pode causar complicações na gestação, levando até a um parto prematuro. “Estima-se que de 15% a 20% das mulheres grávidas terão ao menos uma vez a infecção durante o período”, alerta o ginecologista e obstetra do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, Alexandre Pupo.

Por que a cistite é comum na gestação?

A infecção, também conhecida como cistite (quando acontece na bexiga), na maior parte dos casos é provocada pela bactéria Escherichia coli, integrante da flora intestinal. “Durante a gravidez, o aumento da circulação sanguínea na região pélvica faz a umidade vaginal aumentar, facilitando a passagem das bactérias do ânus para a uretra. A umidade acaba se estendendo tanto de uma região a outra que cria um canal de passagem para as bactérias”, explica Pupo.

Vale lembrar que o organismo feminino está mais suscetível que o masculino à infecção, porque a uretra – canal que leva a urina da bexiga para fora do corpo – das mulheres é mais curta, facilitando a entrada de organismos indesejáveis no aparelho urinário.

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Beatriz Galbiatti, obstetra do Hospital São Luiz, também em São Paulo, aponta ainda outro fator para a alta incidência da infecção nas gestantes: “O aumento do volume do útero causa a compressão dos ureteres (vias do aparelho urinário). Com isso, a urina pode ficar acumulada no canal, e como ela é cheia de bactérias acaba facilitando a infecção”, explica.

O problema pode aparecer em qualquer período da gestação. Segundo Pupo, ela é mais comum na segunda metade da gravidez e merece atenção especial no último trimestre. A bexiga tem um contato íntimo com o útero, portanto, se a infecção urinária não for tratada, as bactérias podem liberar substâncias que causam contrações, levando ao trabalho de parto antes da hora.

Pernas de mulher sentada em vaso sanitário com a calça xadreza branca e rosa abaixada. Ela tem pele clara e há um rolo de papel higiênico no chão.
(gpointstudio/Thinkstock/Getty Images)

Sintomas de infecção urinária na gravidez

Um dos principais sinais é o aumento da frequência de idas ao banheiro para fazer xixi. E aí é que está o problema. “Como durante a gravidez a mulher naturalmente urina mais (já que a bexiga fica apertada pelo útero que cresce), a infecção pode passar despercebida”, diz Galbiatti.

É preciso ficar atenta aos outros sintomas da infecção: sensação de peso no baixo ventre e de bexiga cheia, alteração da cor e/ou odor da urina, desconforto e ardência ao urinar. Pupo ressalta que a dor, nesse caso, é constante. “Quando ela aparece só no final, quando o xixi está terminando de sair, pode ser sinal de infecção vaginal (candidíase, por exemplo) e não urinária”, alerta.

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Febre e dor na lombar (região dos rins) também estão associadas aos sintomas acima. Nesse caso, a procura pelo médico deve ser imediata. “Na gravidez, é mais comum que a infecção progrida para os rins, necessitando de tratamento urgente”, diz Pupo. Quando atingem esses órgãos, as bactérias levam à pielonefrite, que é a inflamação renal.

Por isso, ao sinal de qualquer um dos sintomas – desde os primeiros – o melhor é procurar o médico para fazer o exame de urina. A bactéria que causa o problema será identificada a partir de uma urocultura.

Como tratar a infecção urinária

O tratamento da infecção urinária na gravidez é o convencional:  feito com antibiótico. Porém, o ginecologista e obstetra Igor Padovesi ressalta que nem todos os medicamentos são seguros na gravidez. “Os da classe das quinolonas, por exemplo, que são comumente usados para infecção de urina, podem gerar problemas no desenvolvimento do feto”, explica.

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Portanto, é preciso seguir a orientação do médico. Além da medicação, beber bastante água é importante para aumentar a frequência urinária e não há necessidade de repouso, mesmo na gestação.

Em casos de pielonefrite, em que a infecção já atingiu os rins, aí, sim, é necessária a internação hospitalar para administração do medicamento de forma endovenosa, ou seja, diretamente pelas veias. “Os antibióticos permitidos para gravidez que são tomados por via oral não são adequados para tratar a pielonefrite. As opções para esse tratamento na gestação são todas endonevosas”, pontua.

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Pequenas medidas que ajudam a prevenir o problema

Pode parecer contraditório, mas quanto mais você for ao banheiro, mais estará contribuindo para o seu organismo ficar livre dessa infecção. “Fazer xixi é uma grande defesa, já que a urina lava o canal urinal”, reforça Alexandre Pupo. O médico alerta que o hábito de “segurar o xixi” não é saudável e pode provocar uma infecção.

Urinar após as relações sexuais também é uma medida preventiva. Assim, as possíveis bactérias que estiverem por ali podem ir embora rapidinho. Cuidar da higiene pessoal é imprescindível para a futura mãe. “É importante passar o papel higiênico seguindo sempre a direção de frente para trás. E nunca ficar de biquíni ou roupas molhadas por muito tempo”, aconselha o especialista.

A escolha da calcinha também pode contribuir. O algodão tem maior poder de absorção, então, é preferível optar por esse material. “E sempre que possível, é bom ficar uns intervalos sem ela”, finaliza.

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