Estudo: grávidas têm mais anticorpos com dose de reforço no 3º trimestre

Foram observados níveis mais significativos de anticorpos IGg em mulheres que receberam terceira dose da vacina contra Covid-19 ainda gestando.

Por Alice Arnoldi Atualizado em 5 jan 2022, 15h23 - Publicado em 5 jan 2022, 15h17

A evolução dos estudos das vacinas contra Covid-19 permitiu que se entendesse que a imunização é indicada para grávidas, independente do período gestacional, já que os riscos são maiores delas desenvolverem quadros mais perigosos da doença caso sejam contaminadas. Agora, os levantamentos caminham para entender os benefícios deste público receber a terceira dose ainda gestando.

Uma pesquisa conduzida pela Weill Cornell Medicine e publicada no periódico científico “Obstetrics & Gynecology”, no dia 28 de dezembro, indica que as consequências são positivas para gestantes que tomaram a dose de reforço durante o terceiro trimestre da gravidez, com índices significativos de anticorpos detectáveis tanto no parto quanto no cordão umbilical após o nascimento do bebê.

A análise foi feita com dados de 1.359 gestantes que tiveram o esquema vacinal completo com a Pfizer/BioNTech ou a Janssen/Johnson & Johnson, mais 20 que receberam a terceira dose, e que deram à luz com 34 semanas ou mais. Além disso, houve a coleta também de 1.362 amostras de cordão umbilical. Dentro desse grupo, a primeira dose foi dada entre 16 de dezembro de 2020 e 1 de setembro de 2021; e a segunda entre 5 de janeiro e 22 de setembro de 2021. Já o reforço foi recebido entre 27 de agosto e 14 de outubro de 2021.

“Uma dose de reforço no terceiro trimestre foi associada a níveis maternos de IgG anti-spike maiores do que quando a vacinação foi realizada no terceiro trimestre, em mulheres com ou sem histórico de infecção por SARS-CoV-2”, indica o resultado do estudo.

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Outras descobertas importantes!

Ainda que a presença de anticorpos tenha sido observada em todos os partos, independente da idade gestacional em que a mãe foi imunizada, percebeu-se os níveis eram mais baixos quando a vacinação aconteceu no primeiro trimestre da gravidez e mais altos quando realizada no terceiro. No entanto, o cenário muda quando falamos sobre o esquema vacinal completo.

“Estar totalmente vacinada no primeiro trimestre da gravidez foi associado a níveis estatísticos maternos de IgG e do cordão umbilical significativamente mais altos do que quando a mulher recebeu apenas uma dose da vacina no terceiro trimestre”, pontuou o documento.

Já as mulheres que foram infectadas pela Covid-19, estes índices não apresentaram diferenças significativas quando o estudo comparou gestantes totalmente vacinadas durante os nove meses e aquelas que não tinham completado o esquema vacinal enquanto aguardavam o nascimento do filho – o que tende a estar relacionado com a imunidade natural produzida após a contaminação pelo vírus.

Ainda que os achados sejam importantes para que, cada vez mais, a comunidade médica e a população sejam atualizadas sobre o comportamento da vacina, o estudo reforça que a imunização deve ser realizada independente da idade gestacional.

Malavika Prabhu, coautora do estudo, foi enfática sobre o incentivo à vacinação durante a divulgação da pesquisa. “As mulheres, muitas vezes, nos perguntam qual é o melhor momento para se vacinar em relação ao seu bebê – e de acordo com os nossos dados, é agora!”. Portanto, ao engravidar, não deixe de conversar com seu obstetra para que juntos, vocês possam continuar com o esquema vacinal.

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