Mãe decide apagar todas as fotos da filha da internet e este é o motivo

Após um episódio assustador em que a filha foi abordada por uma estranha que sabia sobre sua vida, esta mãe nos convida a repensar o uso das redes sociais.

Por Alice Arnoldi Atualizado em 3 dez 2021, 17h28 - Publicado em 4 dez 2021, 14h00

A internet foi uma ferramenta importante durante a pandemia causada pela Covid-19. Ela permitiu que crianças estudassem à distância, pais dividissem as aflições do isolamento social e famílias ficassem unidas mesmo em casas diferentes. Só que, assim como tudo que há no mundo, não há só pontos positivos em usar as redes sociais, o que significa que elas podem se tornar perigosas sem sequer percebermos.

A mãe norte-americana Jess Kirby desabafou sobre o assunto ao contar o motivo que a levou a apagar todas as publicações que envolviam sua filha, Marin. Durante um passeio no parque, a pequena foi abordada por uma estranha enquanto estava com sua babá. A mulher sabia o nome de toda família e tentou se passar por uma amiga de faculdade da mãe para pegar o seu contato, com a justificativa de que queria marcar um dia para o seu filho e Marin poderem brincar.

“Minha babá logo deixou o parque e me ligou. Além de ficar furiosa, meu estômago ficou revirado. Prontamente apaguei Marin do meu blog e das redes sociais. Como mãe, eu quero proteger minha filha a qualquer custo e há uma parte de mim que sente que falhou nesta missão – e isso quebra o meu coração. A situação parece inocente, até não ser mais”, refletiu Jess em sua publicação no Instagram.

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Uma publicação compartilhada por Jess Kirby (@jessannkirby)

Mais tarde, na comunidade Parenting Team, do TODAY, ela retomou o episódio fazendo uma reflexão sobre o porquê de postar a filha nas redes sociais, convidando outros pais a pensarem sobre a problemática de publicar conteúdos sobre os pequenos na internet e as consequências negativas que isso pode trazer para toda a família.

Qual é o preço da validação na internet? 

Imersa no tema, Jess entendeu que um dos motivos que a levava a postar Marin nas redes sociais era a validação que encontrava no mundo virtual. “Como mães, nós merecemos validação e, em geral, não acho que recebemos o suficiente. Gravidez, parto e se tornar mãe em si são incrivelmente difíceis. Adicione julgamento, pressão e expectativa para ser a mãe perfeita, sem nunca errar e sempre sorrindo e pronto, isso pode esmagar você”, escreveu.

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Uma das saídas acaba sendo dividir todos estes momentos nas redes sociais, até mesmo porque entre um clique e outro, nos deparamos com muita felicidade registrada em fotos e vídeos. No entanto, Jess faz uma pergunta importante que não tem resposta certa, mas merece atenção: “Claro que a minha filha é uma grande fonte de alegria e orgulho na minha vida, então, é natural que eu queira compartilhar isso. Mas a que preço?“.

Não há privacidade nas redes sociais… 

Uma destas consequências que soam inafiançáveis é a falta de privacidade, mesmo quando o perfil é restrito. Jess percebeu isso quando começou a usar a internet com mais frequência durante a pandemia, após dar à luz e precisar viver o luto depois de perder a avó.

“Em muitos aspectos, minha comunidade online parecia um lugar seguro. Estávamos todos passando por este momento assustador e difícil juntos. Na época, compartilhar meu recém-nascido era uma forma de me sentir um pouco menos sozinha. Tudo isso parecia inofensivo, até não ser mais”, escreveu.

Ela percebeu que publicava as fotos da filha com o intuito de que apenas amigos e familiares vissem, mas a partir do momento que as imagens estavam na internet, qualquer um podia acessá-las e usá-las como bem entender. “Também considerei como minha filha se sentiria sabendo que eu postei suas fotos sem o seu consentimento. Pode soar dramático, mas é a verdade…”, defendeu Jess.

Está tudo bem manter a vida offline! 

E se depois de refletir sobre o que esta mãe trouxe e você pensar em ter uma vida menos online ou repensar o uso das suas redes, saiba que isso fez bem para Jess. No início, ela ficou triste pelas fotos que precisou apagar da filha, mas sua saúde mental foi melhorando conforme ela percebia que estava menos imersa na pressão causada pela internet.

“Percebi que a minha ansiedade diante das redes sociais diminuiu. Não tenho que lidar mais com o sentimento de vergonha que afeta as mães e não tenho mais que me preocupar em proteger a Marin de estranhos na internet. Além disso, estou muito mais presente como mãe e me pego menos no celular em geral”, pontuou.

Ela ainda comenta que tira fotos da filha e faz vídeos, como qualquer outro pai, mas registrar os momentos agora parece menos desafiador, já que não há a expectativa de que a foto represente uma realidade em que há apenas instantes felizes. “Me pergunto se mais pessoas (independentemente do que façam para viver) começarão a colocar seus filhos offline. Não tenho uma resposta perfeita, mas sei que estou feliz com o que concluí”, finalizou.

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