Estudo comprova que avós têm mesmo uma conexão especial com os netos

Já sabemos que avós têm um jeito único de dar carinho. Mas, segundo um estudo da Emory University, essa relação vai muito além do que imaginamos...

Por Isabelle Aradzenka Atualizado em 26 nov 2021, 16h09 - Publicado em 28 nov 2021, 14h00

Os abraços, a comida e tudo que vem das avós parecem que carregam um carinho extra, não é mesmo? Não é à toa que a vovó é muitas vezes encarada como confidente ou amiga pelos olhos dos pequenos.

Por isso, nem é de se espantar que essa conexão especial das avós com os netos agora seja comprovada cientificamente, como constata um estudo conduzido na universidade americana Emory e publicado na revista científica The Royal Society em novembro.

A pesquisa analisou a atividade cerebral de 50 avós enquanto elas olhavam algumas fotografias, entre elas os retratos de seus netos. O mesmo experimento já havia sido conduzido com os pais das crianças anteriormente e, ao comparar os resultados, a conclusão foi surpreendente.

Os cientistas verificaram que, quando batiam os olhos nos pequenos, as avós ativavam de modo mais intenso, em paralelo aos pais, áreas do cérebro relacionadas à empatia emocional, ou seja, a porção que favorece o compartilhamento de sentimentos e a criação de conexões emocionais.

“Isso sugere que as avós são orientadas a sentir o que seus netos estão sentindo quando interagem com eles. Se o neto está sorrindo, elas estão sentindo a alegria do filho. E se seu neto está chorando, elas estão sentindo a dor e angústia da criança”, explicou o autor do estudo, James Rilling, ao portal da Emory University.

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E quanto mais novo, maior a conexão!

Mãe, filho e avó em jardim
Vesnaandjic/Getty Images

Rilling ainda percebeu que a atividade cerebral das avós pode se modificar de acordo com a idade dos pequenos. Crianças menores tem o que o pesquisador chama de “características capazes de manipular o cérebro” e, por isso, conseguem despertar respostas emocionais mais fortes nas cuidadoras.

Já os netos adultos estimulam a parte do cérebro relacionada à empatia cognitiva nas avós e, por isso, não estabelecem vínculos emocionais tão fortes quanto os pequenos. “A ativação dessa área do cérebro indica que as avós podem estar tentando compreender cognitivamente o que seu neto adulto está pensando ou sentindo e o porquê, mas não tanto o lado emocional”, explicou James à Emory University.

O papel da avó na criação

O estudo abriu portas para análise da importância da avó para os pequenos, que, segundo Hilling, podem muitas vezes assumir o papel de principal ajudante na criação.

As próprias participantes ainda afirmaram como é bom não estar sob pressão financeira, como quando passaram pela experiência de serem mães, e que, assim, puderam aproveitar melhor a experiência de ser avó.

“Frequentemente presumimos que os pais são os cuidadores mais importantes ao lado das mães, mas isso nem sempre é verdade… Nossos resultados aumentam a evidência de que parece haver um sistema global de cuidado parental no cérebro, e que as respostas das avós aos netos são mapeadas nele”, finalizou James.

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