Quem são e como proteger as crianças no grupo de risco da Covid-19

Crianças com câncer, cardiopatas e portadoras de outras doenças crônicas podem estar mais suscetíveis a versões graves da doença.

A Covid-19, doença provocada pelo novo coronavírus, tem baixa incidência em crianças — menos de 2% dos casos ocorre nesse público, segundo uma revisão chinesa com mais de 70 mil pessoas infectadas. A maioria destes é leve ou moderado, mas estima-se que cerca de 6% desenvolvam versões mais graves da doença.

Os números também incluem crianças até então saudáveis, mas se sabe que algumas condições aumentam a vulnerabilidade às infecções virais. “Não temos muitos estudos especificamente no caso da Covid-19, mas se ela tem uma doença de base é mais provável que esteja em maior risco”, explica Wylma Hossaka, pediatra da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo. 

Precisam de atenção especial durante a pandemia portadores de certas cardiopatias congênitas, hipertensão arterial, doença renal crônica, imunodeficiências, asma e pneumopatias, males que atingem os pulmões. Também entram na lista crianças com obesidade grave, que realizaram transplantes, fazem uso de medicamentos imunossupressores, corticoides ou que estão tratando um câncer. 

Vale ressaltar que, como os estudos focam nos adultos, público mais atingido, não dá para dizer com certeza qual criança terá uma versão mais grave da doença. Em todo caso, os médicos recomendam reforçar as medidas preventivas e cuidados específicos quando for necessário sair para realizar algum tratamento. 

Manutenção do tratamento

Primeiro, é muito importante não abandonar nenhuma terapia por conta própria. “No caso do câncer, por exemplo, nem sempre dá para esperar a pandemia passar para continuar, pois a doença evolui rápido”, explica Fabianne Carlesse, infectologista pediátrica do GRAACC.

Se a criança é portadora de doenças reumatológicas autoimunes, vale checar com o médico que a acompanha se é preciso alterar o tratamento na presença de sintomas da Covid-19. Esse tipo de doença, que é raro, pode afetar a resposta do corpo a um vírus e bactéria tanto pela própria condição quanto pelos medicamentos utilizados, que costumam suprimir o sistema nervoso. 

Se for necessário sair para realizar algum procedimento 

Quando precisarem sair, adultos e pequenos devem higienizar as mãos constantemente, evitar tocar o rosto e levar o mínimo de acompanhantes possível, de preferência um adulto saudável e fora do grupo de risco da Covid-19. A família, segundo a recomendação do Ministério da Saúde, deve usar máscaras, tomando os devidos cuidados de higiene no manuseio. 

Os hospitais e instituições que atendem crianças para tratamentos já adotaram protocolos que reduzem o risco de contaminação. “No caso do GRAAC, fazemos uma triagem simples na porta, organizamos o tempo de espera e temos entradas distintas para pessoas com sintomas respiratório”, comenta Fabianne. 

O ideal é que o pequeno paciente fique o mínimo de tempo possível na instituição, chegando próximo da hora de atendimento, e todos mantenham o afastamento social nos ambientes onde há circulação, com 1,5m de distância entre uma pessoa e outra. 

Protegendo crianças portadoras de doenças crônicas durante a pandemia

Em casa, os cuidados da prevenção são os mesmos da população em geral: não receber visitas, lavar as mãos frequentemente com sabão e álcool em gel, higienizar bem as superfícies da casa, manter a alimentação e a hidratação em dia e, principalmente, respeitar a quarentena proposta para conter a pandemia. 

“É importante enfatizar que isso não vale só para as crianças, mas o isolamento deve ser adotado por todos que vivem com ela”, destaca Fabianne. Quando os adultos precisarem sair, devem evitar contato próximo com beijos, abraços e apertos de mão, evitar levar a mão ao rosto e higienizar frequentemente as mãos. “Os pais precisam ter cuidado redobrado para não acabarem expondo os filhos”, resume Wilma. 

A Sociedade Brasileira de Pediatra lançou um site especial com documentos atualizados aos médicos sobre o manejo de diversas doenças crônicas  infantis no contexto da pandemia.

 (Juliana Pereira/Bebê.com.br)

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