Meu filho pode fazer o teste de saliva em vez do RT-PCR?

Especialistas explicam que o RT-LAMP só é indicado quando a criança estiver apresentando sintomas da covid-19 e seja coletado na primeira semana da doença.

Por Alice Arnoldi Atualizado em 20 ago 2021, 19h07 - Publicado em 20 ago 2021, 14h05

Espirro de lá, um pouco de tosse daqui, febre, coriza… Será que é covid-19? Viver o segundo ano consecutivo da pandemia causada pelo coronavírus não deixa espaço para apenas monitorarmos tais sintomas sem preocupação. Ainda que o público infantil seja menos suscetível à doença, vê-lo desenvolvendo quadros respiratórios e também gastrointestinais traz a dúvida sobre testá-lo ou não, especialmente para a segurança do retorno presencial à escola.

Só que, se você já passou pela experiência de fazer o RT-PCR, sabe o quão incômodo o exame pode ser e assim o receio de submeter a criança ao processo aparece. Pensando nisso, outro tipo de coleta pode ser indicado, que é o RT-LAMP, conhecido popularmente como o teste de saliva, só que já adiantamos que ele não é eficaz para todos os quadros infantis.

A seguir, listamos as principais dúvidas sobre os testes:

1. Quando o teste de saliva é indicado? 

Diferente do RT-PCR, que é tido como o exame padrão-ouro para o diagnóstico da doença mesmo em pessoas assintomáticas, o RT-LAMP só é indicado às crianças quando há presença de sinais da covid-19, como quadros respiratórios e gastrointestinais.

“Fora do período de sintomas, os outros testes dão ainda mais falso negativo do que o RT-PCR. No entanto, diante de uma dificuldade de coleta, o teste de saliva é uma boa opção”, explica o pediatra e epidemiologista José Geraldo Leite, do Grupo Pardini.

2. Ele é mais confortável para a criança? 

Como esclarece Adriana Paixão, infectologista pediátrica do Hospital do GRAACC, um dos pontos positivos do teste RT-LAMP é que ele realmente é um método menos invasivo do que o swab de nasofaringe, já que é só preciso ter de dois a três mililitros de saliva, coletados em um potinho, para que se faça a análise e a família tenha o resultado.

Entretanto, para os menores que ainda não possuem desenvolvimento motor para produzir o líquido adequadamente, o exame pode-se mostrar inviável. “Para as crianças que não conseguem cuspir ou têm uma produção ineficaz, o teste fica comprometido. Portanto, se ele vier positivo, acredita-se no resultado, porque ele é comparável ao PCR convencional. Mas, ao mesmo tempo, ele pode acabar tendo uma sensibilidade menor e vir negativo, ainda que a criança tenha o vírus”, detalha a especialista.

Um exemplo em que isso pode acontecer é quando hospitais e laboratórios tentam a coleta do teste de saliva em bebês com o uso de seringas. Se ela não for feita da maneira correta ou a solução armazenada adequadamente, a sensibilidade de resposta diminui e o resultado pode vir errado.

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3. Quando o exame deve ser coletado? 

Por ser um teste diretamente ligado à presença dos sintomas da covid-19, o pediatra indica que ele seja coletado no terceiro dia de sinal da doença. “No caso de pacientes sintomáticos, no terceiro dia de sintoma, tanto o RT-PCR comum quanto o de saliva, como até os testes de antígenos, têm alta sensibilidade e especificidade, ou seja, não costumam dar falso positivo”, reforça o epidemiologista.

Os especialistas explicam também que, quando colhido da maneira correta e dentro do intervalo adequado, o teste de saliva apresenta uma alta taxa de eficácia, ficando entre 93% e 95%. Sendo assim, se ele vier positivo, não há dúvidas de que a criança está realmente contaminada.

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Arte: Victoria Daud/ Foto: Images By Tang Ming Tung/Getty Images

4. Pode ser necessário fazer o RT-PCR depois do teste de saliva? 

Só que se o exame for pedido dentro do intervalo incorreto da doença e a criança continuar apresentado sintomas assimilados à covid-19, pode ser necessário refazer o teste e, nesta circunstância, o mais indicado é o RT-PCR.

“Se tiver ainda um caso que tenha quadro clínico compatível ao coronavírus e um resultado negativo com o RT-LAMP, pode-se ficar na dúvida e ter que repetir o exame, fazendo o swab da nasofaringe para ter certeza”, explica o patologista Alex Galoro, do Grupo Sabin. A partir do sétimo dia, por exemplo, já se tem uma queda da carga viral em que o teste de saliva começa a ser menos sensível para diagnosticar a doença.

Neste momento, o conselho de José Geraldo é que os pais tenham calma e estejam em contato com o pediatra, para que o médico possa decidir se vale a pena testar o pequeno de novo e, mais do que isso, escolher a coleta correta de acordo com o período do coronavírus.

5. Existem outras possibilidades de exames? 

Ainda para as crianças que apresentarem dificuldade na coleta do PCR convencional, Alex indica o swab apenas da orofaringe, em que o cotonete coleta o material no fundo da garganta. Entretanto, assim como o RT-LAMP, ele também possui uma sensibilidade menor para a doença dependendo das circunstâncias em que for feito e pode ser necessário realizar outro teste, caso ele dê negativo.

Vale sempre ter em mente que, em ambos os casos, é preciso que a criança esteja apresentando sintomas relacionados ao coronavírus. Se ela estiver assintomática e tiver tido contato com alguém positivo para covid-19, por exemplo, é importante que a testagem priorizada seja a do RT-PCR.

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