Covid-19: Anvisa nega uso da CoronaVac em crianças a partir de 3 anos

De acordo com a Anvisa, os estudos apresentados até o momento não garantem a segurança e eficácia da vacina no público infantil.

Por Alice Arnoldi 19 ago 2021, 12h44

Após a celebração de que adolescentes a partir dos 12 anos poderiam ser imunizados com a vacina Pfizer/BioNTech contra a covid-19, as expectativas rondavam o pedido do Instituto Butantan para a mudança da bula da CoronaVac, incluindo crianças a partir de três anos. Só que, na coletiva de imprensa do dia 19 de agosto, a Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa) negou o pedido de inclusão da faixa etária infantil na prescrição do imunizante.

O anúncio foi feito durante a 15ª Reunião Extraordinária do ano de 2021, após a avaliação do requerimento pela Diretoria Colegiada (Dicol) da Anvisa. Segundo a nota emitida após a reunião, foi concluído que ainda não existem comprovações científicas suficientes para a inclusão segura dos menores no calendário vacinal contra o coronavírus.

“Com as informações apresentadas pelo Butantan no pedido em questão, não foi possível concluir sobre a eficácia e a segurança da vacina nessa faixa etária. Os dados de imunogenicidade deixam incertezas sobre a duração da proteção conferida pelo imunizante”, descreve o documento.

  • Por que a vacina não foi liberada

    A Anvisa também pontuou que os levantamentos apresentados pelo Instituto Butantan, com pesquisas realizadas na China, não conseguem sustentar a segurança do uso da vacina em crianças pequenas, principalmente por não terem um número suficiente de participantes dentro da faixa etária. Vale também saber que a instituição reforça que os estudos apresentados não conseguem calcular a resposta imunológica produzida pelo imunizante nos menores que possuem comorbidades ou são imunossuprimidos. 

    “Para prosseguir com a solicitação de inclusão de crianças e adolescentes na bula da CoronaVac, o Instituto Butantan precisa apresentar as informações pendentes e submeter à Agência um novo pedido”, esclarece a nota.

    Diante desse cenário, o imunizante chinês continua a ser liberado apenas para uso emergencial no país na população acima de 18 anos – com resultados positivos de diminuição de hospitalizações e mortes pela covid-19 – e sem previsão de quando um novo requerimento para a utilização do imunizante em crianças será feito pelo Butantan, principalmente porque a Anvisa orientou a realização de pesquisas de fase 3 para que os resultados sejam mais abrangentes.

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