Estudo identifica quais crianças são mais propensas a contrair Covid longa

Ao acompanhar crianças com Covid-19, pesquisadores canadenses identificaram características de pacientes com tendência a ter o quadro longo da doença

Por Isabelle Aradzenka 3 ago 2022, 16h13

Desde outubro de 2021, a Covid longa está classificada como doença pela Organização Mundial da Saúde (OMS). No entanto, nem todas as características do quadro foram descobertas. Em um dos achados mais recentes sobre como o distúrbio se comporta em crianças, pesquisadores da Universidade de Calgary, no Canadá, conseguiram listar que aspectos podem favorecer o desenvolvimento da condição nos pequenos.

O estudo – publicado no final de julho pela revista científica JAMA – avaliou mais de 1.800 crianças testadas positivo para Covid-19 e que passaram por atendimento de emergência em prontos-socorros de oito países, entre março de 2020 e janeiro de 2021. Os pacientes, com a média de idade de 3 anos, foram acompanhados pelos cientistas por 90 dias (tempo estimado para o surgimento da doença) após a infecção pelo SARS-CoV-2.

Dentro deste período, cerca de 10% dos que precisaram ser hospitalizados e 5% dos que foram dispensados das unidades de emergência apresentaram sintomas de Covid longa. Os efeitos mais comuns observados foram complicações respiratórias (como tosse, falta de ar e dificuldade para respirar), fadiga e fraqueza.

Estudo identifica quais crianças são mais propensas a contrair Covid longa

Ao estudar as crianças que contraíram a doença até 3 meses pós-Covid-19, os pesquisadores ainda conseguiram identificar aqueles que são mais propensos a desenvolver a Covid longa:

  • Crianças que passaram por internação no hospital por 48 ou mais;
  • Presença de quatro ou mais sintomas da Covid na primeira visita à emergência (entre os mais comuns, febre, tosse e congestão nasal);
  • Pacientes com mais de 14 anos.

No entanto, os cientistas ressaltam que o achado referente à idade também pode ser um reflexo do fato de que crianças menores, e com menos habilidades verbais, são menos propensas a relatar os sintomas, em comparação aos adolescentes. Ainda assim, um dos principais investigadores da doença, Nathan Kuppermann, reforçou que “as taxas de Covid longa em adultos são substancialmente mais altas do que as encontradas em crianças”, em nota ao centro médico da Universidade de Calgary.

“A descoberta de que as crianças que tiveram vários sintomas da Covid-19 estão em maior risco da Covid longa é coerente com os estudos em adultos. No entanto, infelizmente, não há terapias conhecidas para a condição em crianças e mais pesquisas são necessárias nessa área”, completou o co-principal pesquisador, Todd Florin.

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