Estudo com mais de 650 mil crianças comprova: vacina não causa autismo

O levantamento analisou a tríplice viral, que protege contra caxumba, rubéola e sarampo. E reforça a queda do mito que ainda protagoniza muitas fake news.

Vacinas não causam autismo. É um fato conhecido, mas notícias falsas sobre o assunto ainda circulam pela internet. Um novo estudo acaba de desmentir mais uma vez essa relação, desta vez com dados de centenas de milhares de crianças dinamarquesas. O trabalho foi conduzido pela Universidade de Copenhagen e pela Escola de Medicina de Stanford, nos Estados Unidos.

A pesquisa incluiu 657.461 nascidos entre 1999 e 2010, e analisou informações de saúde do grupo entre o primeiro ano de vida e agosto de 2013. Durante o período avaliado, 6.517 crianças foram diagnosticadas com autismo. E a distribuição de casos entre vacinados e não vacinados com a tríplice viral — a mais associada ao transtorno nos boatos — foi semelhante.

Ou seja: a incidência não foi maior em quem recebeu a tríplice viral, que protege contra rubéola, sarampo e caxumba. Para ter certeza da afirmação, os pesquisadores analisaram ainda subgrupos, como crianças que haviam tomado outras vacinas ou que tinham mais risco de ter autismo — calculado via histórico familiar e outros fatores que favorecem o aparecimento do quadro.

De onde vem essa história

Em 1998, um estudo publicado no periódico The Lancet, um dos mais respeitados do mundo, afirmou que a vacina tríplice viral provocava autismo. O trabalho investigou 12 crianças autistas que haviam tomado a tríplice viral e alegou que elas tinham vestígios do vírus do sarampo no corpo.

Em 2004, descobriu-se que a afirmação era falsa, e o único autor do trabalho que não desmentiu a história teve sua licença médica cassada. O The Lancet se retratou, mas o mito ganhou fôlego, especialmente com a onda de fake news que corre pelo mundo. Depois, outro mito surgiu, apontando o timerosal, composto utilizado em vacinas, como causador do transtorno. A informação também foi derrubada com estudos.

Os boatos se multiplicam, mas a segurança das vacinas é comprovada.

O preço da boataria

Mais de 80 mil casos de sarampo foram diagnosticados na Europa em 2018, com 72 vítimas fatais — em sua maioria crianças. O movimento antivacina é mais barulhento no velho continente, e a incidência da doença aumenta há anos. Mesmo no Brasil, onde a população geralmente confia nas vacinas, vivemos a menor taxa de cobertura vacinal desde 2002.

As fake news também chegam aqui, mas em menor escala. Para os especialistas, um dos principais fatores para a queda na cobertura é a sensação de que a proteção não é necessária. Isso ocorre porque várias das doenças que são prevenidas com a vacinação já estão erradicadas no país há décadas. É o caso da poliomielite, que causa paralisia cerebral e até morte, e do sarampo, que ameaçaram voltar a circular em território nacional no ano passado.

Como muitos pais não viveram essas doenças e suas consequências na pele, a noção de que elas são importantes cai. Outros fatores dificultam o cumprimento do Calendário Nacional de Vacinação, considerado referência no mundo: a quantidade de doses, que não é pequena, e o acesso aos postos de saúde, que só funcionam em horário comercial e de segunda à sexta, na maioria das vezes.

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