É verdade que existe um “pico de choro” do recém-nascido?

O chororô costuma coincidir com marcos do desenvolvimento do pequeno, como quando começa a rolar, e também possui relação com as cólicas.

Por Flávia Antunes Atualizado em 4 Maio 2021, 19h01 - Publicado em 4 Maio 2021, 15h58

Choro de fome, de desconforto, de dor… Sem o vocabulário desenvolvido, esse é o jeito dos pequenos comunicarem as mais diversas sensações aos pais – que podem ficar bastante agoniados de vez em quando, por não conseguirem decifrar o que o filho deseja naquele momento.

Mas mesmo sendo um comportamento esperado, que acontece desde a saída da barriga da mãe e do qual não dá para fugir, isso não significa que ele aparece de forma igual durante todo esse comecinho de vida.

Como explica a pediatra e neonatologista Patricia Terrivel, existem “picos” de choro do recém-nascido, que coincidem com marcos de seu desenvolvimento. “Quando o bebê descobre alguma coisa nova, ele faz muitas sinapses, que o deixam agitado”, pontua ela.

Para ilustrar, a especialista dá o seguinte exemplo: “imagine-se saindo de uma longa reunião ou de um curso de idiomas, que te deixa com a cabeça cheia. Quando você vai tentar dormir, seu corpo está cansado, mas a mente não para. Comparo isso com cada movimento descoberto pela criança”, diz.

  • Os principais marcos – que podem ocasionar mais choro!

    Para já identificar aí na sua casa quando estiver chegando perto de algum pico de desenvolvimento (e se preparar para eventuais choros mais duradouros do bebê), a doutora elencou os principais deles.

    O primeiro, na quinta semana de vida, coincide com o momento em que o pequeno começa a enxergar melhor e a ver os objetos de forma mais apurada, já que antes disso os enxergava sem cor e com aproximadamente 30 centímetros. “Isso deixa o bebê mais agitado e pode ficar chorando à noite, sem conseguir dormir”, avisa Patricia.

    Em seguida, vem a oitava semana, quando a criança começa a coordenar melhor seus movimentos, a pegar alguns objetos e desenvolve o chamado sorriso social (aquele usado de forma mais intencional, para interagir com os cuidadores). O próximo marco acontece no terceiro mês, período que corresponde ao fim da exterogestação.

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    “A partir daí, o bebê descobre que nasceu, começa a enxergar em 360 graus, seu pescoço fica mais duro e ele percebe que consegue chamar a atenção da mãe através do grito”, explica a pediatra. Já na 19ª semana, a criança começa o processo de rolar e de ficar em quatro apoios.

    “Todos esses movimentos geram saltos no desenvolvimento e a criança acaba chorando mais, principalmente no período da noite. Ela pode não querer mamar ou então pedir para mamar de hora em hora”, acrescenta Patricia. Vale lembrar esses episódios de crises de choro mais intenso costumam durar entre quatro e cinco dias e depois melhoram. 

  • As temidas cólicas também influenciam

    Além dos tantos picos de desenvolvimento, que deixam o recém-nascido mais agitado, há um incômodo que também tem tudo a ver com os episódios mais intensos de choro: a cólica.

    “Na sexta semana, é normal haver um pico de choro, que coincide com episódios de cólicas repetidas”, esclarece a pediatra Thatiane Mahet em sua obra “O Grande Livro do Bebê”.

    Ela ainda pontua que os choros tendem a durar cerca de três horas por dia, em ondas de trinta a quarenta minutos. Já do segundo para o terceiro mês, as crises diminuem para uma hora por dia e permanecem assim até o final do primeiro ano. 

    “Acredita-se que esse declínio se deve ao amadurecimento do sistema nervoso e à manifestação de outras emoções, como a alegria através do sorriso ou a frustração através das caretas”, justifica Thatiane.

    Enquanto a criança não completa o primeiro aniversário, a dica de Patricia é apostar em táticas caseiras para aliviar o desconforto das cólicas, como massagem na barriga no sentido do relógio, o movimento de dobrar e esticar as pernas do bebê, esquentar a barriga com bolsa de água quente e banhos no chuveiro ou ofurô.

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