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Dor lombar na gravidez: causas, tratamento e prevenção

Com as mudanças corporais, a coluna sofre e o incômodo aparece. Se esse é o seu caso, saiba o que pode ser feito.

Por Carla Leonardi
5 jul 2022, 12h31

Se você ainda não passou por isso, certamente já pôde observar aquela clássica cena da grávida com a mão na lombar e feições de dor. Isso é normal, afinal, são muitas as mudanças que acontecem no corpo quando a mulher passa a gestar um bebê, e a coluna sofre conforme a barriga cresce. Mas não é por ser comum que a situação seja pouco incômoda – pelo contrário. A partir do segundo trimestre, as transformações ficam mais intensas e, as dores, mais presentes.

No início, essas mudanças não são tão evidentes e os incômodos na coluna lombar são menos frequentes”, diz Marcelo Amato, neurocirurgião especialista em endoscopia de coluna e cirurgia minimamente invasiva de coluna. “A mudança do centro de gravidade vem não só pelo aumento do abdome, mas também das mamas, que se preparam para o aleitamento. Isso leva à alteração de postura da bacia, acentuação da lordose lombar e consequente tensão da musculatura da região”, explica o médico.

Ele acrescenta ainda outros motivos que agravam a situação, como “a diminuição do fluxo sanguíneo na coluna devido à compressão dos grandes vasos pelo útero gravídico, a retenção hídrica e a frouxidão ligamentar, secundárias às alterações hormonais, que também tornam as articulações da coluna menos estáveis”, detalha.

E se você pensa que a idade será, definitivamente, uma vilã na dor lombar, saiba que dados da literatura médica não apontam diferenças significativas nesse sentido. A grande dica aqui é evitar o ganho excessivo de peso na gravidez e manter uma rotina saudável, com atividades físicas regulares e moderadas, sono restaurador e alimentação balanceada. 

“Se, por um lado, o sedentarismo é um dos fatores de risco para a lombalgia, por outro, atividades físicas exageradas ou feitas de forma inadequada também podem causar dor lombar”, alerta Amato. Ou seja, é sempre interessante buscar a orientação de um profissional antes de fazer exercícios de forma aleatória.

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Grávida com a mão na cintura e com dor
(nd3000/Getty Images)

E quando o problema já apareceu?

Se você já está sofrendo com dores lombares, vale consultar o ginecologista ou obstetra. Terapias como massagens e acupuntura podem ser boas alternativas para aliviar a inflamação muscular e a dor, além do uso mais do que conhecido da bolsa de água quente. Nesse caso, “cuidado com as dores mais agudas, provenientes das articulações, pois o calor pode aumentar a inflamação”, aponta o especialista. Uma orientação geral que ele dá é tentar a bolsa de água quente e, se algum desconforto aparecer, suspender o uso e procurar um especialista.

Outro indicativo de que é hora de buscar ajuda profissional: quando nem o repouso ajuda a aliviar as dores. Aí, pode ser necessário investigar o que está acontecendo por meio de exames de imagem, como a ressonância magnética, que não tem radiação ionizante e é segura para gestantes. A partir dos resultados observados, o tratamento será orientado pelo médico.

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“Para o tratamento das doenças da coluna, alguns medicamentos podem ser utilizados, e muitas técnicas da fisioterapia ajudam a aliviar a dor. Se houver algum sinal de alerta, como irradiação para as pernas, perda de força ou de sensibilidade nas pernas, o neurocirurgião deve ser procurado. Caso [a gestante] apresente dor lombar sem esses outros sintomas, o próprio obstetra deve ser consultado e, se necessário, outros especialistas, como o fisiatra e o ortopedista”, explica Amato.

gestante fazendo alongamento
(vgajic/Getty Images)

Evolução para quadros graves

Em casos mais raros e graves, é possível haver evolução com alguma compressão neural secundária a uma hérnia de disco aguda, por exemplo, causando dores incapacitantes e déficit neurológico. “Nesses casos, uma cirurgia pode ser considerada e precisa ser discutida em conjunto com o neurocirurgião, o obstetra e o anestesista, para a escolha do melhor momento cirúrgico. A cirurgia endoscópica da coluna, por ser um método minimamente invasivo, pode trazer maior segurança à mãe e ao feto. Em outros casos, é possível esperar o parto para a realização do procedimento”, finaliza o especialista.

Vale lembrar, por fim, que o melhor a fazer sempre é prevenir: se você já sofre com dores lombares e pretende engravidar (como em uma segunda gestação, depois de ter sofrido com dores em experiência anterior), é interessante procurar ajuda para realizar um tratamento físico preventivo e minimizar o problema no futuro.

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