Casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave cresce 77% em crianças pequenas

A alta está associada ao Vírus Sincicial Respiratório na faixa dos 0 a 4 anos e acende um alerta, porque pode levar a quadros de bronquiolite e pneumonia.

Por Alice Arnoldi Atualizado em 29 mar 2022, 16h26 - Publicado em 29 mar 2022, 16h22

Sem vacinação contra Covid-19, afetadas pela flexibilização do uso de máscaras e mais suscetíveis às infecções comuns no outono, crianças de zero a quatro anos sofreram um aumento de 77% na média móvel de novos casos semanais de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG).

Os dados são do boletim InfoGripe da Friocruz, divulgado no dia 24 de março, o qual constatou que as ocorrências semanas na faixa etária passaram de 970 para 1.870 casos entre a primeira semana epidemiológica de fevereiro até 19 de março.

O acréscimo também foi observado no público infantil de cinco a 11 anos. “O aumento na média móvel no mesmo período foi de 216%, saindo de cerca de 160 casos semanais para uma média estimada em 506 casos semanais”, completa o documento.

De acordo com Marcelo Gomes, coordenador do InfoGripe, a Covid-19 continua a ser o vírus que mais acusa positivo nos laboratórios quando os testes são realizados entre os maiores. No entanto, o cenário muda entre os menores: o Vírus Sincicial Respiratório começa a chamar atenção, especialmente pelo aumento de casos coincidir com o início do ano letivo.

“Nas quatro últimas semanas epidemiológicas, a prevalência entre os casos com resultado positivo para vírus respiratórios foi de 1,3% Influenza A, 0,3% Influenza B, 15,8% vírus sincicial respiratório, e 73,8% Sars-CoV-2″, destaca o levantamento.

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O que é o Vírus Sincicial Respiratório (VSR)? 

Comum entre o outono e inverno, estima-se que todas as crianças terão contato com o Vírus Sincicial Respiratório até os cinco anos. A maior preocupação se dá quando o pequeno é contaminado entre o sexto mês de vida e o seu primeiro ano, podendo desenvolver quadros de bronquiolite e pneumonia.

Inicialmente, a bronquiolite (inflamação dos bronquíolos) parece um resfriado ou uma gripe comum, com sintomas respiratórios como coriza e tosse. Só que pode evoluir e é comum pais perceberem a presença de um chiado no peito e dificuldade para respirar.

Esta piora costuma acontecer por volta do quinto dia da doença e, neste momento, pode ser necessário recorrer a um hospital pediátrico para que a criança receba o suporte adequado – chegando, muitas vezes, até a internações em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) para estabilizar o quadro

Por ser uma doença respiratória, as medidas de prevenção são semelhantes as reforçadas contra Covid-19, como lavagem constante das mãos, distanciamento social, preferência por ambientes arejados e, se possível, manter o uso de máscara em locais que as chances de transmissão são maiores – como os fechados.

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