Tudo que você precisa saber sobre os testes de gravidez

Será que estou grávida? A partir de quando posso testar? Existe falso positivo? Respondemos todas as questões sobre o assunto

Por Suzana Dias (colaboradora) 8 jun 2015, 11h22 | Atualizado em 27 jan 2023, 17h21
Entenda o que pode causar um falso positivo em testes de gravidez
 (Letizia Le Fur/Getty Images)
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Exame de sangue, teste de tira, digital… Quando se desconfia de que há um bebê a caminho – seja a gestação planejada ou não – as informações parecem ficar ainda mais confusas que o usual. Para te ajudar a entender tudo (e a manter a calma), reunimos aqui as respostas para as principais dúvidas em relação aos testes de gravidez. Veja a seguir!

Testes de farmácia

1. Quais são os principais tipos de teste de gravidez vendidos na farmácia?
Existem várias marcas, mas os testes de gravidez vendidos em farmácias e drogarias têm o mesmo princípio. O método utilizado nos kits é sempre o da detecção do hormônio gonadotrofina coriônica humana (que tem como sigla hCG) na urina. Esse hormônio só é produzido pelo organismo da mulher quando há gestação. Além dos testes básicos, de fita, há os digitais, que são mais modernos e apontam até a semana gestacional.

2. O que devo considerar na hora da compra?
Fique atenta à validade do produto e observe se ele está armazenado corretamente no local onde é vendido. É importante que a embalagem esteja lacrada, pois o contato com a umidade e o calor pode alterar as características do teste e afetar o resultado. Também pode haver uma variação na sensibilidade de um teste para o outro.

3. Quanto custa? Vale a pena apostar em uma marca mais cara?

Em média, os preços variam de R$ 10 a R$ 40. Apostar em uma marca mais cara não é garantia de maior eficiência. Alguns testes simplesmente têm um custo menor para o fabricante e podem ser vendidos mais barato sem que isso comprometa sua qualidade. O que pode fazer diferença no preço é a tecnologia – testes digitais ou com alta sensibilidade tendem a ser mais caros.

4. É preciso esperar o atraso na menstruação? De quanto tempo?
Para os testes tradicionais, sim, pelo menos um dia, mas o ideal é aguardar de uma a duas semanas para que o resultado tenha maior precisão. Alguns testes mais modernos, porém, prometem altíssima sensibilidade e podem ser feitos até seis dias antes do atraso menstrual (ou seja, cinco dias antes do recomendado tradicionalmente).

5. Quanto tempo depois da relação sexual o teste de gravidez é capaz de apontar uma gestação?
O parâmetro não deve ser a data da relação sexual, já que, nesse dia, a mulher pode nem estar ovulando. Deve-se considerar sempre o atraso da menstruação. Mas, se você tem o ciclo regular, é provável que ovule por volta do 14º ou 15º dia do ciclo. Se tiver relações nessa época, terá que aguardar pelo menos mais duas semanas e um dia para verificar o atraso menstrual e realizar o teste.

6. Como devo proceder na hora de realizar o teste de gravidez?
O mais importante é ler, com atenção, a bula antes de realizar o teste e seguir à risca suas instruções. As bulas costumam ser bem explicativas, com texto claro e ilustrações que mostram o passo a passo. Os kits, normalmente, têm um pequeno recipiente para colocar a urina, com uma linha demarcando o nível em que deve ficar o líquido. Depois, é só mergulhar a fita do teste no copinho e aguardar o tempo recomendado pelo fabricante. Não espere nem mais nem menos. Providencie antes um relógio que marque segundos, assim você não corre o risco de se enganar. Observe, também, em que posição o teste deve ficar enquanto você aguarda o resultado.

7. Quais os erros mais comuns que podem comprometer o resultado?
O primeiro erro é não esperar o atraso da menstruação para fazer o teste. Se você tiver uma relação sexual em que ache que ficou grávida e realizar o teste três ou quatro dias depois, o resultado será negativo de qualquer modo. Outro erro comum é não seguir à risca as instruções da bula, o que pode levar a um resultado equivocado. Vale ressaltar, novamente, que alguns testes modernos são mais sensíveis e podem ser feitos antes do atraso menstrual – nesse caso, o aviso estará no rótulo e nas instruções.

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8. Existe um melhor horário do dia para se submeter ao teste?
Algumas marcas pedem que o teste seja feito com a primeira urina do dia, já que, após uma noite inteira sem ir ao banheiro, o hormônio hCG (se houver) estará mais concentrado e fácil de ser detectado. Embora nem todo produto faça essa exigência, se você realizar o teste com a urina da manhã, poderá ficar mais segura quanto ao resultado.

9. Qual a porcentagem de precisão?
A precisão varia de 95 a 99%, dependendo do produto e segundo os fabricantes.

10. É possível que o método acuse um resultado falso positivo?
É difícil, mas não é impossível. Isso pode acontecer se houver alteração do kit devido a mau acondicionamento, validade vencida ou se a realização do exame ocorrer de maneira errada. Em algumas situações médicas raras, o organismo da mulher pode produzir hCG sem que haja gravidez. Ainda existe a possibilidade de haver uma gravidez, mas, entre a realização do primeiro teste e de um segundo para confirmação, ocorrer um aborto espontâneo, o que daria a impressão de um falso-positivo.

11. E falso negativo? Quando isso acontece?
Sim, falsos negativos podem acontecer. A maioria dos produtos cos indicar a gravidez a partir do primeiro dia de atraso menstrual. Porém há algumas grávidas que apresentam pouca concentração de hCG na urina nos primeiros dias de gravidez. Por isso, realizar o teste precocemente pode levar a um falso negativo. O ideal é aguardar uma ou duas semanas de atraso para fazer o teste. Sem contar que algumas mulheres têm os ciclos muito desregulados e, nesses casos, nem há como precisar a data em que a menstruação deveria vir.

12. A compra requer a prescrição médica?
Não. Basta escolher um kit e comprar.

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13. Vale a pena repetir o teste? Quantas vezes e em que casos?
Se o primeiro teste deu negativo e sua menstruação não desce, você pode repetir o procedimento. Porém, aguarde pelo menos mais uma semana. Se novamente o resultado der negativo, procure seu ginecologista para fazer um exame de sangue, que é mais sensível e preciso. Caso não esteja mesmo grávida, ele irá pesquisar a causa da ausência de menstruação.

14. Como se faz a leitura do resultado?
A fita que você mergulha na urina é toda branca. Após os minutos de espera especificados na bula, você deve fazer a leitura do resultado. Em geral, se aparecer apenas uma linha colorida na fita, o resultado é negativo. Surgindo duas linhas, é positivo. Caso não apareça nenhuma linha, significa que o teste falhou e você deve comprar outro kit e repetir o procedimento. Em testes digitais, pode aparecer “não grávida” ou “grávida” – nesse caso, até com a indicação de semanas (1-2; 2-3; 3+).

15. Como garantir que ele foi realizado corretamente?
A linha colorida que surge na fita é a garantia de que o teste foi realizado corretamente. Ela fica numa área que serve para controlar a reação química. Se não surgir nenhuma linha, o teste foi falho.

16. Em caso de resultado positivo, o que fazer?
Marque uma consulta com seu ginecologista para iniciar o pré-natal.

17. Medicamentos de uso contínuo, de venda livre ou contraceptivos podem alterar o resultado?

Não. Apenas mulheres que se encontram em tratamento para engravidar, sob a supervisão de um especialista, em reprodução assistida, podem ter um resultado falso positivo. Isso acontece porque algumas pacientes recebem hCG injetável como parte do tratamento.

18. Se a mulher tomou a pílula do dia seguinte, isso pode interferir no resultado?
Não, pois o hormônio existente no contraceptivo de emergência não interfere no resultado.

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Como funcionam os testes de gravidez de farmácia

Exame de sangue

19. Para se submeter ao exame de sangue, é necessária uma prescrição médica?
Geralmente, sim, embora alguns laboratórios de análises clínicas aceitem fazer o exame sem o pedido médico. Mas, para a correta avaliação do estado da paciente, é importante que o especialista seja consultado tão logo saia o resultado.

20. É preciso agendar no laboratório com antecedência?
Normalmente, não, pois a maioria dos laboratórios não faz agendamento para a coleta de sangue. De todo modo, o ideal é checar antes.

21. Quais os parâmetros avaliados na amostra sanguínea para detectar a gestação?

Existem dois tipos de exame de sangue para gravidez: o qualitativo e o quantitativo. Ambos avaliam uma fração do hormônio hCG no sangue, chamada de Beta (BhCG). Enquanto o resultado do primeiro aponta simplesmente positivo ou negativo, o do segundo informa um valor sobre a quantidade de hormônio encontrada na amostra. Esse valor ajuda o médico a determinar o tempo de gestação, embora apenas com um exame de ultrassonografia ele possa obter, mais precisamente, essa informação.

22. Por que o hormônio hCG se altera após a fecundação?
A gonadotrofina coriônica humana (hCG) é um hormônio que, normalmente, não está presente no organismo, mas na gestação ele é produzido pela placenta do embrião. Sua função é estimular o ovário a manter a produção de outro hormônio, a progesterona, necessária para a continuidade da gravidez. Com o avanço da gestação, a própria placenta passa a produzir progesterona.

23. Qual a porcentagem de acuidade desse teste?

A precisão é de cerca de 99%.

24. Que informações o exame de sangue para detectar gravidez fornece?
O exame de sangue qualitativo para gravidez informa apenas se a mulher está ou não grávida. O quantitativo dá uma noção do tempo de gravidez, mas é vago, pois o período é muito abrangente. Um exemplo: o resultado de 26.000 indica um tempo gestacional entre quatro e 12 semanas. Apenas o médico, de posse de outros exames, consegue definir melhor em que fase a gravidez se encontra. Em alguns casos, como quando há sangramentos, o médico pode solicitar dosagens em série do hCG quantitativo para acompanhar a evolução da gestação.

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25. Quanto tempo leva para ficar pronto?
Depende do laboratório, mas pode ficar pronto no mesmo dia, poucas horas após a coleta do sangue.

26. A mulher pode acessar o resultado ou só o médico?
A paciente pode acessar o resultado, embora isso não seja aconselhável, já que o diagnóstico sempre deve ser feito pelo médico. Existem situações raras em que o hormônio aparece no sangue e não se trata de gravidez, como na presença de alguns tipos de tumores ovarianos. A interpretação correta do exame pelo especialista depende da análise de outros sintomas apresentados pela mulher.

Na foto, há uma mulher tirando sangue para exame. É possível ver apenas parte do corpo dela, que tem o braço esquerdo sobre um apoio. Nele, outra pessoa coloca uma seringa para coletar o sangue, usando luvas azuis. Ambas têm pele branca.
(kasto80/Getty Images)

Exame pélvico

27. O ginecologista consegue saber se a mulher está grávida durante o exame de toque?
Existem alguns sinais que levam o ginecologista a suspeitar de gravidez quando examina a paciente. Na grávida, há alteração na coloração da vulva, no tamanho e no formato do útero e na textura do colo uterino. Além de ajudar a confirmar o diagnóstico, o exame no consultório é importante para detectar gestações tubárias precocemente.

28. Que mudanças no corpo da mulher podem ser sinais de gestação?
Além do atraso menstrual, seios aumentados e doloridos, enjoos matinais e vontade de urinar a toda hora são sintomas comuns à maioria das grávidas no início da gestação.

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29. Em caso de suspeita de gravidez, devo fazer, primeiramente, o teste de farmácia, recorrer ao de sangue ou consultar o médico antes de tudo?
Como o teste de farmácia é acessível e tem um bom índice de acerto, se sua menstruação estiver atrasada alguns dias e você observar outros sintomas, vale a pena comprar um kit e tirar a dúvida. Em caso positivo, marque uma consulta com seu médico, que deve pedir o exame de sangue para a confirmação. Se der negativo, aguarde mais uma ou duas semanas e repita o teste de farmácia. Claro que, se houver algum mal-estar, procure o serviço de saúde diretamente.

Fontes:

Médico Cássio Sartorio, ginecologista especializado em reprodução assistida do Vida – Centro de Fertilidade da Rede D’Or, no Rio de Janeiro; médico Paulo Inácio da Costa, professor livre-docente em Imunologia Clínica da Faculdade de Ciências Farmacêuticas/Campus de Araraquara-SP da Unesp, em São Paulo.

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