Alimentação do pai na gestação influencia a saúde do bebê, afirma estudo

Nova pesquisa sugere que os hábitos alimentares dos parceiros durante a gestação possuem reflexo no cardápio da grávida e, consequentemente, no bebê.

Por Isabelle Aradzenka Atualizado em 20 abr 2022, 13h47 - Publicado em 20 abr 2022, 13h40

Não é recente a discussão sobre o papel do companheiro durante todo o processo que envolve a maternidade, desde a concepção, passando pelo parto até os cuidados com a criança, muitas vezes deixados como únicas responsabilidades da mulher. Pois o novo estudo promovido pelo projeto australiano “Queensland Family Cohort”, em conjunto com a Universidade de Queensland e o instituto Mater Research, vem para acrescentar mais uma informação a este debate: é benéfico que os companheiros estejam presentes até mesmo nas pequenas escolhas do consumo alimentar do dia a dia da grávida.

A pesquisa publicada em 2022 analisou cerca de 194 casais heterossexuais que estavam recebendo cuidados pré-natais na maior maternidade da Austrália entre 2018 e 2021, e o resultado foi surpreendente. Os dados coletados constataram que, apesar de o pai da criança não ter nenhuma relação direta com o desenvolvimento do feto (afinal, é o organismo da mulher que se encarrega desta função), ele ainda influenciará a qualidade da saúde do bebê.

Isto porque, quando acompanhadas por seus parceiros na dieta, as gestantes eram mais prováveis de atender às recomendações de alimentação saudável, responsável pelo melhor crescimento do feto e prevenção de futuras doenças. “Embora seja sabido que a educação, a renda e o Índice de Massa Corporal (IMC) influenciam a forma como as mulheres comem na gravidez, este estudo aborda a lacuna que existe no conhecimento sobre como um ‘parceiro de hábitos alimentares’ influenciará as futuras mamães”, comenta o autor Shelley Wilkinson para o portal de notícias da Universidade de Queensland.

A importância da dieta balanceada

O período gestacional exige a ingestão de diversos nutrientes encontrados em uma dieta balanceada: proteínas, lipídios, carboidratos, fibras, vitaminas e minerais, oriundos de hortaliças, leguminosas, vegetais e produtos de origem animal. Mesmo assim, de acordo com o estudo, apenas 28% das grávidas participantes ingeriam a quantidade necessária de vegetais, e 15% no caso de seus parceiros.

“Nós sabemos que o comportamento durante os primeiros 1000 dias de vida, a começar da concepção, influencia o desenvolvimento do adulto. Uma alimentação saudável durante a gravidez fornece ao feto uma base importante para o futuro do bebê, mas muitas mulheres grávidas não seguem as recomendações”, explicou uma das pesquisadoras, Vicki Clifton, também para o portal de notícias da Universidade de Queensland.

Ser acompanhada por um parceiro quando é preciso começar novas atividades e mudar hábitos (principalmente alimentares) na rotina sempre torna o processo mais fácil. Seja pelo conforto emocional que aquela pessoa conhecida fornece ou pela dose de motivação que a ideia de “compromisso” traz: a parceria, de fato, dará bons frutos. Por isso mesmo, Clifton sugere que uma melhor educação e suporte para os companheiros poderia ajudar a aprimorar os hábitos alimentares das futuras mães. E bem sabemos que, no futuro, a criança também se beneficia ao longo da vida quando os pais possuem uma boa relação com a comida.

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