6 coisas que você precisa saber sobre alimentação da mãe e amamentação

O Agosto Dourado continua. Chamamos especialistas para esclarecer dúvidas e mitos sobre a influência do cardápio da mulher no leite materno.

Quem já amamentou certamente ouviu alguma dica do que comer ou não para melhorar a produção de leite, evitar cólicas e prevenir alergias no bebê. Mas, afinal, quanto disso é verdade? Aproveitamos o Agosto Dourado para investigar com especialistas as principais questões sobre o tema:

1. Há poucos estudos sobre alimentos que aumentam a produção de leite

“Uma canjiquinha quente ajuda!”, alguém mais velha deve ter te dito. No caso de alimentos à base de milho, caso da canjica, o raciocínio é de que eles fornecem mais carboidratos, principal fonte de energia do corpo. “Esse aumento de calorias disponíveis pode colaborar para a produção do leite”, explica Loretta Campos, pediatra consultora em Aleitamento Materno pelo IBCLC.

Já com a cerveja preta, caldos e chás, o que ocorre é que eles fornecem líquido para o organismo. Além da sucção do bebê, a disponibilidade de água é o principal fator a influenciar no leite da mãe, então o ideal é tomar entre 3 e 4 litros ao dia (veja mais dicas para aumentar a produção de leite aqui).

Mas isso não quer dizer que seja preciso abrir mão dos alimentos indicados pela sabedoria popular. “Há uma pressão muito grande nessa fase em cima da mulher, e nenhum destes itens fará mal a ela ou ao bebê, então se ela quiser consumir, não há problemas, só não dá pra dizer que farão efeito”, comenta Luciana da Costa, nutricionista da Maternidade Pro Matre Paulista.

A exceção fica por conta da cerveja. O álcool é contraindicado no período pelo risco de efeitos adversos no bebê. “Se a mãe deseja beber, recomendo que o faça em apenas uma dose, e com um intervalo de três ou quatro horas até a próxima mamada”, aponta Loretta.

2. O que mais importa é o cardápio como um todo

O organismo gasta cerca de 500 calorias a mais por dia. Assim, a amamentação exige mais refeições e nutrientes no corpo da mãe, em especial carboidratos e proteínas, e, quanto mais natural for o cardápio, melhor. No geral, as recomendações são as mesmas de uma alimentação saudável para todos. “Recomendo às minhas pacientes que invistam em um cardápio variado, com bastante vegetais, carnes magras e oleaginosas, e evitem o excesso de açúcar, sódio e de alimentos ultra processados”, ensina Luciana.

3. O que causa gases na mãe não necessariamente dará cólica no bebê

Outro mito. “Isso não é comprovado pela ciência. A cólica é um processo natural do desenvolvimento infantil e cada bebê reage de uma maneira diferente a ela”, comenta Loretta.  “Claro que, se a criança passa mal quando a mãe come um item específico, talvez seja o caso de retirá-lo do cardápio, mas é raro que isso aconteça, e essa possibilidade deve ser avaliada pelo médico. Não recomendamos nenhuma dieta preventiva para cólicas”, destaca a médica.

4. Fazer dietas radicais pode prejudicar a produção de leite

A mãe pode ficar mais debilitada pela falta de energia justamente em uma fase em que ela deve ser abundante. Neste cenário, a produção do leite pode cair. “Retomar o peso anterior à gestação depois do parto é uma preocupação comum, mas nenhuma restrição calórica deve ser feita no período”, aponta Luciana. Confira aqui um cardápio pensado para as lactantes!

Fora que as regras de um regime podem acabar provocando estresse, o que também não é nada bom para o aleitamento. A boa notícia é que, como a amamentação demanda muito do organismo da mulher, os quilos vão embora com facilidade quando ela segue uma dieta equilibrada.

5. A cafeína está liberada, mas em pequenas quantidades

Em altas doses, a cafeína pode ter efeitos estimulantes e prejudiciais ao bebê, fazendo com que ele fique mais irritado. Assim, café, chocolate, chá mate e refrigerantes à base de cola até podem ser consumidos, desde que em pequenas doses. Uma dose de 300mg ao dia do composto é considerada segura pelos estudos já feitos sobre o tema até agora — uma xícara de café pode ter cerca de 100mg.

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6. Tomar leite de vaca não dá alergia à proteína do leite no filho

Em alguns casos, a criança pode manifestar uma alergia à proteína do leite de vaca (APLV) presente no leite da mãe. Mas é mito que o contato com essa substância por meio da amamentação desencadeie a reação. O aleitamento materno exclusivo ajuda inclusive a reduzir o risco de alergias alimentares, e a mãe só deve retirar o leite da própria dieta caso o bebê seja diagnosticado com a APLV, condição que afeta cerca de 5% das crianças e se manifesta com diarreia, dermatite e outros sintomas.

“Mesmo que a criança tenha risco de ter um problema do tipo, não é indicado cortar o leite preventivamente”, destaca Loretta. Isso porque há risco de deficiência de cálcio, componente do próprio leite materno, e de restrições que podem levar a um déficit calórico que atrapalha a produção do leite.

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