Como viajar sozinha com um bebê

É perrengue, sim, mas vale cada segundo! Vem com a gente, que temos dicas bem legais pra quem quer viajar pela primeira vez com seu filho.

“Você é louca de viajar com a bebê sem ajuda!”, eu escutei quando disse que toparia uma viagem de avião com a minha filha Cecília, de um ano e dez meses. Opa, em primeiro lugar: nunca chame uma mulher de louca. E como é que a pessoa julga que eu não vou dar conta da minha bebê? Quem poderia ser melhor do que a mãe dela em uma viagem? “Vou sim! Somos meninas corajosas!”, eu respondi sem pestanejar. Ok, passada a raiva do julgamento, posso falar francamente aqui de mãe pra mãe: tá, é perrengue sim. Você está fora da sua rotina, sem poder revezar com alguém quando o cansaço bate e sujeita a imprevisibilidades longe de casa. Vamos dar conta? Vamos, mas é preciso logística, organização e, claro, muita disposição! Algumas dicas podem parecer óbvias para mães que já viajaram muito, mas se for a sua a primeira vez, estamos juntas! E com um pouco de jogo de cintura, deu muito certo. Aliás, vou te contar um spoiler: valeu cada minutinho! Tá preparada? Segura na mão do bebê e vamos lá!

Fazer as malas: o desafio

Regra número 1 de quando se viaja sozinha com um bebê: praticidade. Facilite a sua vida, miga! Fiquei arquitetando como seria carregar uma mala + uma bebê por um aeroporto desconhecido. Para conseguir me locomover bem, sem parecer um clichê atrapalhado de filmes de comédia, decidi usar uma única mala grande (mas não imensa, que excedesse o peso permitido) com rodinhas, e uma mochila – deixei a minha bolsa pra não ser mais uma coisa para carregar. Ficaríamos apenas 4 dias, então não era preciso mais do que isso.

Na hora de montar a mala, vale:

  • Consultar a previsão do tempo antes de ir, claro. Assim você consegue organizar uma mala funcional e se prevenir para eventuais mudanças de tempo.
  • Peças básicas que se combinem entre si e sejam fáceis de vestir facilita muito – para você e para o bebê! Como fomos para um resort em um lugar quente e passaríamos grande parte do dia de biquíni, otimizei. A mesma roupa do café da manhã também servia para ir de um passeio para o outro, já com a roupa de banho por baixo. Pra quê vários sapatos? Um chinelo, uma sandália e um tênis para cada uma já seria o bastante. Ao tentar prever mil situações, a gente sempre acaba levando mais do que necessita, mas quando você viaja sem ninguém, precisa lembrar que carregará tudo sozinha. E peso extra vai fazer diferença, viu?
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  • Parece óbvio, mas não se esqueça da famosa “farmacinha”. Consulte sempre seu pediatra, mas eu costumo levar o antitérmico que a bebê está acostumada, analgésico e um kit de primeiros socorros com spray antisséptico e curativos. A maioria dos hotéis tem enfermaria, mas quanto menos você precisar se arriscar com um medicamento “novo”, melhor.
  • O mesmo vale para protetor solar e repelente que você já tenha testado na pele do bebê. Imagina uma alergia no meio da viagem? Fora que produtos assim costumam ser bem mais caros em lugares turísticos e lojinhas de hotéis.
  • Na mochila, leve apenas o que for preciso ter à mão. Uma mantinha para proteger do ar condicionado do avião, os documentos, uma troca de roupa, fraldas, copinho ou mamadeira com água, snacks, lencinhos umedecidos e um brinquedo querido – ele vai te salvar, pode acreditar! Lembre-se de que a mochila também não pode ficar imensa, porque você vai estar com a criança no colo em alguns momentos. Não se esqueça de deixar os documentos em um lugar seguro, porém, de fácil acesso para evitar ter que ficar revirando a mochila no meio do aeroporto. Vamos diminuir as possibilidades de caos!
  • Um item que parece bobo, mas que pode ajudar quando se viaja sozinha é o tal “pau de selfie”. Vocês vão querer muitas fotos juntinhas, né?
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Tudo empacotado, seguimos para o aeroporto!

Se der pra ser um voo direto e fazer o check-in antes, maravilha! Uma coisa a menos para se preocupar. Viajar com criança é estar aberta a imprevisibilidades – olá, cocô fora de hora! Por isso, tenha em mãos um checklist e chegue com antecedência ao aeroporto para fazer tudo com calma e ter tempo de contornar possíveis imprevistos. Nós despachamos a mala, tomamos café da manhã tranquilas e seguimos para a sala de embarque sem correria. Era a primeira viagem de avião da minha filha!

Mãe e bebê no avião

 (Arquivo Pessoal/Arquivo Pessoal)

Aqui algumas dicas:

  • Não esqueça o RG ou certidão de nascimento do bebê, carteirinha do plano de saúde (cheque a cobertura dos hospitais locais) e, claro, os seus documentos pessoais. Sem eles vocês não embarcam! Nosso voo era nacional, mas se o seu for para fora do país, certifique-se meses antes da documentação de visto e passaporte, além da autorização do pai para a viagem – nos passaportes mais recentes já é possível ter impresso esta permissão para viajar com apenas um dos pais.
  • Muitas mães também optam pelo seguro viagem. Cheque se vale a pena para você.
  • Passar pelo detector de metais pode ser um perrengue quando você viaja com bebê pequeno, afinal, é preciso descalçar sapatos, tirar bijuterias, abrir a mochila… Já tente prever isso, passando pelo detector sem brincos, cintos e calçados com partes metalizadas. Na mochila, lembre-se de não carregar frascos com líquidos acima de 100 ml (para viagens internacionais), objetos cortantes, isqueiros e outros inflamáveis. Se tiver dúvidas, cheque o que é permitido pela ANAC em voos nacionais e internacionais. Ah, e o notebook ou o tablet precisam ser retirados da mochila e colocados nas bandejas, tá?
  • Se for possível, reserve assentos na primeira fileira para facilitar o embarque/desembarque e para ficar perto do banheiro. Os últimos assentos do avião também cumprem bem esse papel – se tiver movimentação pela porta traseira -, no entanto, o espaço entre as fileiras é mais apertado do que na primeira. Vale também consultar os comissários de bordo para ver a disponibilidade de encontrar uma poltrona sem ninguém ao lado. Foi o nosso caso! Como Cecília tem menos de dois anos, ela foi no meu colo, mas encontramos uma fileira livre com a ajuda da comissária e pudemos viajar sem aperto nenhum. Que sorte! Era a primeira viagem de avião da bebê, mas ela não se incomodou com a decolagem ou a aterrissagem, momentos que costumam ser tensos para os pequenos.
  • Com certeza você sabe o que entretém melhor o seu bebê. Livros, jogos, brinquedos e, se for permitido na sua casa, tablets e celulares ajudam muito a passar o tempo durante o voo. Nós levamos livrinhos, snacks e baixei os vídeos musicais preferidos dela. Foi o bastante pra 1h30 de voo até Caldas Novas, nosso destino em Goiás.
  • Retirar a bagagem é mais um drama. E aqui vou contar um perrengue real oficial que passei: as malas estavam atrasadas na esteira e como o aeroporto era pequeno, ficamos esperando durante um bom tempo pra pegar a nossa. No meio da confusão, Ceci fez xixi, a fralda vazou e me molhou toda. Procurei um banheiro e, ops, não tinha fraldário! Pois é, sempre que você desembarcar em um aeroporto, já procure se informar sobre banheiros e trocadores para uma eventual emergência. No meu caso, não tive o que fazer. Respirei fundo, pedi ajuda para puxar a bagagem da esteira – aliás, aceite ajuda! Não dá pra bancar a Mulher-Maravilha e querer resolver tudo sozinha! – e seguimos para o translado. Troquei a fralda no ônibus e ok.
  • Outro ponto importante: cheque se o seu hotel tem translado e se será necessário levar a cadeirinha ou bebê conforto. Se algumas imprevisibilidades podem acontecer, o que der pra planejar é sempre bem-vindo! Ter um transporte garantido, só esperando você desembarcar, ajuda muito a não ficar perdida no aeroporto procurando um táxi com uma criança a tiracolo.
  • Se o seu bebê é pequeno, vale pensar em levar um sling ou canguru. Ter a criança pertinho de você dá segurança. No meu caso, até levei, no entanto, minha filha já anda e foi mais complicado prendê-la no canguru do que segurá-la pela mão e andar pelo aeroporto. Mas tudo depende do seu costume com o pequeno. Só não vale testar o canguru ou o sling no dia da viagem, porque grandes chances de você se atrapalhar e ficar carregando uma peça inútil na mala.
Bebê no Rio Quente Resorts

 (Arquivo Pessoal/Arquivo Pessoal)

Oba, chegamos ao hotel!

Seja qual for o seu destino, pense nas comodidades que ele oferece, já que você precisará se locomover sozinha pelos pontos turísticos e por onde quiser visitar na cidade. Estar bem localizado, com serviço de transporte, ter restaurante no local e quartos seguros para crianças – com camas adequadas à idade do seu filho, por exemplo – são pontos de atenção. Nosso destino era o mais confortável possível para ficar com um bebê: um resort.

Nosso quarto era grande e tinha duas camas padrões. Quando chegamos, depois do jantar, o staff do hotel já tinha empurrado a cama para perto da parede e pudemos dormir bem tranquilinhas sem perigo da Ceci cair. O box do chuveiro também era espaçoso o bastante para que pudéssemos tomar banho juntas. O quarto ainda contava com tv a cabo, onde a bebê conseguiu assistir aos  mesmos desenhos que gosta de ver em casa. Parece besteira, mas isso ajudou nas horas em que precisei arrumar as malas, trocar de roupa com calma e organizar nossa pequena rotina.

De olho nas comodidades!

O resort que eu fiquei conta com um complexo de muitas piscinas naturais de água quentinha e um parque aquático, o que deixou Cecília maravilhada. Também possui uma área kids, com monitores para crianças maiores, mas que não conta com uma berçarista para nenês da idade dela. Eu não vi problemas, já que o intuito era ficarmos grudadinhas mesmo, mas se você espera ter momentos sozinha ou fazer atividades que não comportem um bebê, procure hotéis que tenham serviço de babá. Geralmente é uma comodidade cobrada à parte, então atente-se aos valores antes de fechar o pacote.

Copa da mamãe

 (Rio Quente Resorts/Divulgação)

Fique de olho:

  • Muitos hotéis oferecem uma “copa da mamãe”, área que costuma salvar na hora de preparar a mamadeira da noite, esquentar a comidinha e lavar os pertences do bebê. No nosso caso, o resort oferecia leite, sopa e frutas também. Vale a pena pedir um quarto mais perto desta área.
  • Alimentação é outro ponto que deve ser levado em conta. O restaurante do hotel tem menu diversificado e que atende o cardápio do seu bebê? No café da manhã, vale a pena separar umas frutinhas para levar nos passeios e encher a mamadeira de suco.
Bebê no Rio Quente Resorts

 (Arquivo Pessoal/Arquivo Pessoal)

Jogo de cintura, mamãe!

Antes de ir, trace um roteiro do que você planeja fazer ou compre um pacote. E quer uma dica? Não adianta marcar um monte de atrações ou visitas em horários muito próximos ou fechados. Se antes de ter bebê, eu gostava de sair batendo perna bem cedo do hotel, ver o máximo que eu conseguia durante o dia e voltar só a noite, a realidade agora é bem diferente. Excursões com guias, como foi o nosso caso, é bem bacana porque você fica amparada nos passeios e tem uma rede de suporte que pode te ajudar com o bebê. No entanto, estes pacotes costumam ter uma agenda bem apertada, não valendo a pena pagar antes por atividades que você não sabe se vai conseguir realizar. Lembre-se: viajar com criança é ter maleabilidade! Foi preciso dizer “não” para algumas paradas e voltar para o hotel para minha filha descansar ou optar por uma atividade mais tranquilinha sem o grupo. Aliás, respeitar o tempo da criança é uma grande lição!

Bebê na piscina do Rio Quente Resorts

 (Arquivo Pessoal/Arquivo Pessoal)

Tudo a seu tempo

Legal que você esteja animada pra conhecer todos os lugares com o pequeno. Mas lembre-se de que, quanto mais descansado e confortável ele estiver, mais disposto ficará nos passeios. Respeitar o ritmo da criança é fundamental. Claro que uma viagem tira todo mundo da rotina de casa – e que bom! – mas é preciso estar atenta para que não fuja muito a ponto de desregular as horas de sono e alimentação. Se rolar um cansaço, tudo bem tirar um cochilo no meio da tarde, sabe? Ela vai acordar mais animada. Aqui em casa, temos uma rotina que funciona bem pra Cecília, na qual dormir umas horinhas depois do almoço ajuda a manter o ânimo e humor dela. Na viagem, voltamos para o hotel para um cochilinho e foi bem gostoso pra nós duas.

Carrinho de bebê no Rio Quente Resorts

 (Arquivo Pessoal/Arquivo Pessoal)

Prova máxima de que respeitando o tempo do bebê todo mundo sai ganhando foi um episódio que rolou com a gente na viagem. Uma das atividades do grupo era uma massagem. Claro que eu sabia que não conseguiria fazer por estar com a bebê, então já tinha até desencanado. Enquanto o grupo seguia para o spa, fiquei ninando ela numa área tranquila, no meio das árvores, porque sabia que era o horário que ela costuma ter sono. Ela logo adormeceu, a guia descolou um carrinho e não é que eu consegui fazer a massagem, enquanto ela dormia tranquila pertinho de mim?

Saldo da viagem: vamos repetir!

Bebê na piscina do Rio Quente Resorts

 (Arquivo Pessoal/Arquivo Pessoal)

Pode parecer bobo, mas antes de viajar, eu estava preocupada até com detalhes logísticos pequenos do tipo “como vou pegar comida no buffet com a bebê no colo?”, “e se precisar ir ao banheiro do aeroporto?”. Era nossa primeira viagem sozinhas e vamos ser francas, aqui entre mães: estes pequenos perrengues ninguém ensina, ninguém comenta, exatamente por parecerem tolos demais.

Se eu posso dividir com sinceridade um pouquinho do que aprendi é que a gente não dá conta de tudo mesmo. Mesmo estando aberta e disposta, uma ajudinha pra puxar uma bagagem, um colo que é oferecido enquanto você está arrumando a mochila ou um garçom que faz o seu prato no buffet já alivia e tá tudo bem, ninguém deixa de ser mais mãe ou menos mãe por aceitar ajuda. A viagem continuou sendo a vivência que tivemos juntas e olha, foi inesquecível! Ela experimentou novas comidas, brincadeiras, conheceu novas pessoas. É aventura que fala, né? Nós temos um timing muito nosso e uma sintonia forte no dia a dia, mas eu pude descobrir a melhor companheira de viagem que já tive na vida. Cada mãe conhece o limite do seu filho, que tipo de passeio é possível encarar e como lidar com as situações. Mas pode crer: é possível viajar sozinha e se divertir muito juntas!

Mãe e bebê no Rio Quente Resorts

 (Arquivo Pessoal/Arquivo Pessoal)

Nada do que eu contei aqui exclui eventuais perrengues que você vá passar. E a questão é exatamente essa: nenhuma dica, nenhuma matéria, nada vai te garantir uma viagem perfeita. E quem quer perfeição? Olhar para a criança com atenção, estar aberta às imprevisibilidades e driblar os probleminhas faz parte da vida materna, não só em viagens. Mas também tem conexão, tem diversão, tem beleza, tem coragem, sim. Queria poder te contar quão incrível foi, mas ei, essa é a beleza de passar por uma experiência, não é? Tem coisas que ninguém vai poder te contar. É preciso viver. O mundo é grande, mamãe! Boa viagem!

(*A jornalista viajou a convite do Rio Quente Resorts em maio de 2018)

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