Levantamento mostra o que deu certo na reabertura das escolas em 20 países

Distanciamento social, epidemia local controlada e contenção rápida de novos casos se destacam nos países avaliados positivamente

A ONG Vozes da Educação divulgou recentemente um levantamento analisando a situação da volta às aulas em 20 países. O distanciamento social, a comunicação clara do governo e planos de contingência para identificar e isolar rapidamente novos casos de Covid-19 foram decisivos as nações que reabriram de maneira considerada satisfatória – ou seja, sem registros de contaminação que saíssem de controle.

O trabalho foi feito de maneira independente, por meio de consultas em documentos governamentais, notícias de jornais e publicações de institutos de pesquisa locais e internacionais. Sete dos países incluídos tiveram a reabertura bem avaliada: Singapura, Dinamarca, China, Portugal, Alemanha, França e Nova Zelândia.

Todos estavam com a curva de contágio estabilizada ou decrescente, e planejaram um retorno em fases, seja dividido em séries ou em grupos de alunos, a maioria deles de forma voluntária. No geral, eles também adotaram mais medidas para garantir o distanciamento social e evitar aglomerações do que os países que não foram muito bem.

Nenhuma nação que reduziu o número de estudantes em sala teve surtos no ambiente escolar. Para os autores, pode ser um indicativo de que essa medida é uma das mais eficazes no controle do novo coronavírus. Outra alternativa foi a criação de pequenos grupos de alunos, que só interagem entre si, com professores exclusivos para cada “bolha”.

Pontos positivos

Três países com boa abertura, Alemanha, Nova Zelândia e França, ainda enfrentaram fechamento pontual das escolas por conta de surtos isolados, mas isso não impactou toda a rede escolar. Isso porque adotaram medidas rápidas de monitoramento e contenção, com isolamento de casos confirmados e seus contatos, além do fechamento de escolas quando preciso.

Outro ponto que fez a diferença foi a comunicação transparente e assertiva dos governos locais. Entre as medidas avaliadas como positivas, pronunciamentos públicos para responder dúvidas, divulgação de boas práticas de prevenção e critérios de retorno bem divulgados e explicados.

Esse cenário, aliás, melhorou a confiança dos pais. Se, no início, a adesão foi baixa em alguns países, as famílias passaram a enviar mais os filhos à escola depois que a abertura foi implementada sem aumento dos casos.

Máscaras, termômetros e testes

O uso de obrigatório de máscaras parece adequado, mas, sozinho, não é capaz de garantir a contenção da Covid-19. Os países mal avaliados, Israel e África do Sul, até adotaram a medida parcialmente, e mesmo assim enfrentaram surtos da doença.

Por outro lado, alguns dos bem classificados dispensaram o uso dos acessórios faciais. O segredo deles? Dividir as turmas nos pequenos grupos, alternar horários e outras estratégias que reduziram drasticamente o número de alunos em contato uns com os outros.

Já testes em larga escala e a medição de temperatura seguem uma incógnita. Como escrevem os autores do levantamento, não houve testagem em massa para a comunidade escolar em nenhum dos países analisados, apenas a realização de exames em casos suspeitos.

O uso do termômetro como triagem foi adotado tanto nos locais que se deram bem quanto nos que tiveram que rever a política de reabertura. Assim, não é possível calcular a diferença que fizeram no rastreio. De qualquer maneira, especialistas apontam que ele não é capaz de evitar por si só a disseminação do novo coronavírus.

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Escolas reabriram junto com o comércio

Um destaque da pesquisa é que, com exceção de China e Portugal, a maioria dos países com boa avaliação reabriu as escolas praticamente junto com o comércio, sem que isso impactasse negativamente nas taxas de contágio.

Todos estão entre os 24 primeiros colocados no PISA (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes), ranking que indica a qualidade da educação no país. O Brasil, a título de curiosidade, já reabriu o comércio em praticamente todos os estados, e está abaixo da 50ª colocação em todas as disciplinas avaliadas na última edição do PISA, em 2018.

Onde a reabertura deu errado

Dois países se destacaram negativamente no levantamento do Vozes da Educação. Na África do Sul, que ainda estava com a curva de casos ascendente quando reabriu, mais de 700 escolas apresentaram casos de Covid-19 (3% do total do país) – com 1169 professores infectados, ou 69% do total de docentes dessas escolas. Depois disso, o governo precisou decretar um novo fechamento.

Em Israel o número de novos casos por dia até estava baixo no momento da reabertura, mas, por conta de falhas tanto na aplicação de medidas de prevenção quanto na comunicação do governo, quase mil alunos e professores contraíram a infecção. Só foi possível frear o aumento com o fechamento de mais de 240 escolas – e colocando 22.520 alunos e professores em quarentena.

Apesar de implementarem algumas táticas de contenção, como higienização de ambientes e reforço na lavagem de mãos, os dois não reduziram o número de alunos por turma nem a quantidade de dias na escola, medidas tomadas por todas as nações bem avaliadas no levantamento.

 

 

Reabertura das escolas no Brasil

Como elas estão ocorrendo há pouco tempo e de maneira isolada em alguns estados, ainda não há dados para avaliar o desempenho do Brasil.  A Sociedade Brasileira de Pediatria diz que a decisão deve ser tomada com evidências científicas, pesando tanto o risco de contágio quanto os prejuízos da falta da escola para o desenvolvimento das crianças.

O estado de São Paulo, que conta com a maior concentração de estudantes do país, autorizou a retomada das atividades de reforço e acolhimento nas escolas públicas e privadas a partir desta terça (08), mas menos de 20% dos municípios aderiu à data.

O levantamento pode ser conferido na íntegra aqui.

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