Asma: o que você precisa saber sobre essa doença crônica comum na infância

Entre as enfermidades respiratórias, a asma é a mais frequente nos primeiros anos de vida. Se não tratada, ela pode atrapalhar a rotina dos pequenos e de seus familiares. Entenda quais são os sintomas e como funcionam o diagnóstico e o tratamento.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que existem, atualmente, 235 milhões de pessoas asmáticas no mundo. No Brasil, sabe-se que a doença respiratória é responsável por 400 mil internações hospitalares ao ano, o que a coloca em terceiro lugar no ranking de gastos do Sistema Único de Saúde (SUS). Quando se olha para a população infantil, a realidade também é preocupante. “A estimativa é que a asma atinge 25% das crianças menores de 12 anos que vivem nas grandes cidades”, calcula o médico José Carlos Perini, presidente da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (Asbai).

Essa doença inflamatória que afeta os pulmões pode ser classificada de diferentes maneiras: quando aparece de vez em quando, ela é denominada intermitente; se dá as caras com frequência, é chamada de persistente. Neste caso, a enfermidade pode evoluir de forma leve, moderada ou grave. “A gravidade é analisada pela necessidade de recursos terapêuticos. Será considerado com asma grave o indivíduo que não responde aos medicamentos convencionais”, justifica Perini.    

O tratamento inclui broncodilatadores, anti-inflamatórios e corticoides. A forma grave da doença é tratada a partir da combinação dessas medicações. No entanto, há casos – gravíssimos – em que nem a esses combos pesados o paciente responde. Aí, uma opção seria recorrer ao omalizumabe, um medicamento administrado somente em hospitais. “Ele é indicado para quadros muito graves de asma, que a gente não consegue controlar com os remédios habituais”, informa o pneumologista pediátrico Luiz Vicente Ribeiro, do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo.

O omalizumabe pode ser administrado em adultos e crianças a partir de 6 anos de idade. A medicação já foi aprovada pela Anvisa e, nos Estados Unidos e na Europa, é utilizada há mais de dez anos. Agora, especialistas brasileiros brigam para que ela seja incluída na rede pública de saúde. Por isso, no dia 18 de dezembro de 2015, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (CONITEC) abriu uma consulta pública para que a sociedade civil e entidades se manifestem a respeito da adesão do remédio ao sistema público. A data final para contribuir é na próxima terça-feira, dia 2 de fevereiro, e o documento pode ser acessado no site do CONITEC

A seguir, fique por dentro das causas, dos sintomas, do diagnóstico e de como funciona o tratamento da asma infantil.

A doença

Causas

Os pequenos asmáticos já nascem com uma propensão genética para desenvolver o problema. Associado a isso, a exposição a fatores alergênicos – a exemplo de ácaro, mofo, fumaça de cigarro e poeira – também abre portas para essa doença inflamatória. Portanto, a combinação do histórico familiar com o ambiente em que a criança vive é o que vai ser determinante para que a asma dê as caras.

Sintomas

Os principais sintomas da asma são tosse e chiado no peito. “A tosse é o primeiro a aparecer e o último a ir embora. Depois, vem a chiadeira, a criança faz um barulho como se fosse um gatinho”, relata a pediatra Marta Cristina Duarte, professora do Departamento Materno-Infantil da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), em Minas Gerais. Se não tratado rapidamente, o pequeno tende a apresentar também falta de ar. “Isso acontece porque os brônquios entram em espasmo”, esclarece a especialista. Em outras palavras, a inflamação intensa faz com que os tubos que conduzem o ar pelos pulmões comecem a se contrair, o que dificulta a passagem do ar por ali.

Vale destacar que não há idade para que esses sinais surjam. “Há crianças que começam a ter sintomas com 1 mês de vida e outras com 3 anos de idade”, exemplifica a pediatra. Nos bebês, a asma faz com que eles manifestem também irritabilidade, dificuldade para dormir e abatimento. Se o seu filhote se encaixa nessa descrição, procure um médico já!

Asma noturna

É comum que os sintomas piorem no período noturno. A situação acontece por vários motivos. O primeiro é que, à noite, estamos dentro de casa – lugar que concentra muitos ácaros. Além disso, nesse horário, a temperatura tende a cair, o que também propicia a tosse e o chiado no peito. Por fim, há uma questão que diz respeito ao nosso próprio organismo: “À noite, os níveis de cortisol estão mais baixos, abrindo portas para que a asma se manifeste”, diz Marta Cristina. Entenda: o cortisol é um hormônio produzido pelo nosso corpo, que age como um anti-inflamatório. Então, quanto mais ele circula pelo organismo, menos reações inflamatórias apresentamos. E a asma – para quem sofre com a doença – é uma delas.

Diagnóstico

A identificação da asma é feita com base nos sintomas do paciente e na resposta ao tratamento. “Não existe nenhum exame específico para isso”, pontua a professora da UFJF. Inclusive, o diagnóstico nos primeiros anos de vida é difícil, porque muitas crianças apresentam um chiado no peito até os 3 anos de idade. Depois disso, o sintoma desaparece. “Nessa faixa etária, é preciso juntar uma série de critérios para chegar à conclusão de que é asma”, afirma Luiz Vicente Ribeiro.

A detecção costuma ser feita pelo próprio pediatra, que está apto para tratar a doença. No entanto, se o pequeno não estiver respondendo aos medicamentos e os sintomas se agravarem a ponto de atrapalhar a rotina da criança ou da família, é indicado procurar um pneumologista pediátrico, especialista no assunto. 

Tratamento

Não existe uma cura para a asma, mas com o tratamento adequado, a enfermidade tende a desaparecer, em média, até os 10 anos de idade. “Estatisticamente, 50% das crianças que se tornam asmáticas antes dos 6 anos conseguem a remissão da doença até a adolescência”, diz José Carlos Perini. Mesmo assim, há casos em que o problema persiste para o resto da vida. Por isso, a recomendação é tratar meninos e meninas desde cedo.

Na infância, o principal tratamento envolve o uso de corticoides inalatórios e antileucotrienos, que agem impedindo a inflamação. As crianças maiores têm a opção de usar os broncodilatadores de longa ação, as famosas bombinhas. “São chamados assim porque duram mais tempo: 8 ou até 12 horas”, destaca o especialista do Einstein. Todos esses medicamentos são indicados para prevenir as crises. Durante os quadros agudos, são recomendados os broncodilatadores de curta ação, que também têm o formato de bombinhas. Se a crise for muito intensa, o médico pode prescrever corticoides por via oral ou injeção.

Prevenção

Infelizmente, não dá para garantir que a asma nunca vai se manifestar. “Nenhum estudo provou que é possível impedir que crianças com alto risco para a doença deixem de desenvolvê-la ao longo do tempo”, informa Ribeiro. No entanto, além do tratamento convencional, algumas medidas não farmacológicas ajudam a prevenir as crises. A principal é evitar a exposição aos fatores alergênicos que desencadeiam os sintomas. Outro recurso importante para os pequenos asmáticos é a atividade física. Mas, nesse caso, é fundamental que a doença esteja sob controle. “Indivíduos que não estão controlados podem ter episódios de crise durante a prática esportiva”, alerta o pneumologista pediátrico. 

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