Estudo: gestantes podem transmitir anticorpos contra a covid-19 aos bebês

Uma pesquisa publicada recentemente pode ajudar (e muito!) na estratégia de vacinação das grávidas no mundo todo.

Por Fernanda Tsuji Atualizado em 3 fev 2021, 16h30 - Publicado em 3 fev 2021, 16h22

Depois de tanto tempo convivendo com o coronavírus, nós já entendemos que uma descoberta puxa outra e assim, a ciência consegue ir desvendendo o vírus e nos orientando como proceder com a doença.

Se até o momento a transmissão materno fetal ainda é uma incerteza, mais um capítulo foi adicionado ao tema gravidez e covid-19. Um recente estudo publicado no dia 29 de janeiro, na revista médica JAMA Pediatrics, aponta que grávidas que foram diagnosticadas com o vírus transmitiram anticorpos para seus bebês. Esta descoberta é uma boa notícia, uma vez que os recém-nascidos já chegariam ao mundo protegidos contra a covid-19.

Conduzido no Pennsylvania Hospital, na Philadelphia (EUA), o estudo considerou 1471 parturientes (inclusive de gêmeos) com idades de 28 a 35 anos, brancas, negras, hispânica e asiáticas, em sua maioria. Vale aqui pontuar que 60% estava assintomática para a doença e foi feito, através do teste PCR e dos sintomas, uma estimativa de quando foram infectadas. 

Destas, 83 testaram positivo para o SARS-CoV-2 no momento do parto e 72 transmitiram ao bebê o IgG, conhecido como o anticorpo de longa duração, através de análise do sangue do cordão umbilical. Já o IgM, anticorpo que aparece poucos dias após a contaminação, não foi detectado na análise sorológica dos casos mais críticos, levantando a hipótese de que a transmissão materno-fetal da doença em si seja rara. Os autores também observaram que os bebês cuja as mães só tiverem o IgM detectado (sem o IgG), testaram negativo pro coronavírus no nascimento.

Vale ainda ressaltar que quanto maior fosse o tempo entre a contaminação da mãe e a data do parto, maior era a quantidade de anticorpos encontrados em seus filhos. E nos casos dos recém-nascidos com coronavírus, foi preciso observar se o contágio não foi externo, com a mãe infectada ou com outra forma de contaminação

  • A descoberta ajuda na estratégia de vacinação em gestantes

    A hipótese geral é que os anticorpos foram transmitidos via placentária, já que foi detectado níveis de transferência tanto entre mulheres assintomáticas, quanto nas que apresentarem níveis leves, moderados ou severos da doença. Fatores diversos como comorbidades, idade da mãe e saúde da placenta também podem alterar o resultado final.

    “Nossas descobertas estão alinhadas com as evidências atuais que sugerem que, embora a transmissão placentária e neo natal de SARS-CoV-2 possa acontecer, não são eventos comuns”, pontua o estudo, que também reconhece ser limitado em suas amostras – poucos casos de prematuros foram analisados – e não busca ser conclusivo a respeito da doença em relação à gestantes. 

  • O resultado, ainda que inconclusivo, é mais uma pecinha para o entendimento da doença e pode ajudar muito em estudos posteriores para nortear as estratégias de vacinação em mulheres gestantes ao redor do mundo, como bem pontua o editorial “Podemos proteger grávidas e crianças da covid-19 através da imunização materna?”, também da mesma revista científica. Isso porque ajudaria a determinar em que mês da gestação seria mais interessante vacinar a grávida para que o corpo tenha tempo para produzir os anticorpos e possa transmiti-lo ao bebê.

    Os pesquisadores ainda deixam abertos dois temas para futuros estudos: será que os anticorpos encontrados serão mesmo efetivos na proteção da infecção neonatal e, se sim, em qual concentração? E, será que os anticorpos que foram transferíveis de uma mãe vacinada para um bebê serão similares aos anticorpos naturais produzidos por uma gestante infectada? Estamos aqui aguardando as próximas descobertas!

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