É verdade que criança não pode beber água com gás?

A resposta não é um consenso entre as especialistas e, por isso, é preciso ponderar os benefícios e malefícios da bebida para cada família.

Por Alice Arnoldi 24 jun 2021, 16h53

Mais do que dividir opiniões sobre ser gostosa ou não, a água com gás ganha outras considerações quando relacionada ao público infantil. A principal delas é sobre o líquido gasoso poder ser ofertado aos menores, e a verdade é que não existe um veredito entre os especialistas, mas pontos a serem considerados dentro de cada cenário familiar.

“A questão da água com gás tem referência com o tipo de gaseificação: existe a mineral naturalmente gaseificada e tem aquela que é artificialmente gaseificada com a adição de dióxido de carbono. Os pontos são a quantidade a ser oferecida e como a criança é. Por exemplo, se ela tem algum problema gastrointestinal, como gastrite ou diagnóstico de refluxo, a decisão tem que ser discutida com o médico dela”, explica a pediatra neonatologista Flávia Oliveira, membro da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).

  • Possíveis prejuízos de oferecer água com gás à criança

    O mesmo é defendido pela nutricionista materno-infantil Jéssica Souza Ribeiro, da Clínica Ochoa. A especialista explica que a água com gás pode, inclusive, atrapalhar o processo de hidratação. “As crianças menores podem começar a recusar a água natural, sem contar que o gás pode causar desconfortos como gases devido ao sistema digestivo infantil ainda estar em desenvolvimento”, pontua Jéssica.

    Já para Danielle Andrade (@meunutri), nutricionista infantil e comportamental, o líquido gaseificado tem mais relação com desconfortos temporários do que danos nutricionais. “A água com gás pode ser oferecida porque não é prejudicial para a criança. Mas no começo, ela pode estranhar essa borbulha que dá quando ela toma”, destaca a especialista.

    Estas sensações seriam como cócegas na garganta e a impressão do gás estar saindo pelo nariz, trazendo incômodos momentâneos ao tomá-la. “Portanto, não há contraindicação, mas não há necessidade de oferecer água com gás por conta destes “efeitos” que a criança pode sentir”, completa a nutricionista infantil.

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    Ao balancear estas possíveis desvantagens do consumo da água gaseificada, Jéssica orienta os pais a ofertá-la a partir dos dois anos, caso eles desejem e tenham o costume na família. “Nesta idade, a criança já formou seu paladar, está com hábito de consumir água natural, além de seu sistema digestivo estar mais maduro, portanto, é mais difícil causar algum desconforto com o gás”, detalha.

  • Água com gás X refrigerante

    Só que para além das questões fisiológicas que dividem opiniões, há também a relação da água com gás e o refrigerante. Danielle orienta para, caso a família tenha a prática de consumi-lo, é preciso prestar atenção se o paladar adaptado à gaseificação desde cedo não facilitará o caminho para a preferência infantil por refrigerante em vez de outras bebidas mais saudáveis.

    “Se a família tem o hábito da água com gás e do refrigerante, é um sinal de alerta. Isso porque crianças que não têm o costume de tomá-lo, quando o consomem pela primeira vez depois dos dois anos, acabam estranhando por conta do alto teor de gás que faz cócegas na garganta e elas não sabem reagir. Mas se a água com gás é ofertada desde sempre, ela pode ser uma porta para o público infantil gostar do refrigerante e acabar trocando o suco natural ou a própria água por ele”, explica a nutricionista infantil.

    Agora, se o pequeno estiver desenvolvendo o hábito de preferir o refrigerante por ter experimentado antes do tempo ou por ser um hábito da família tomá-lo com frequência, a água com gás pode tornar-se uma aliada. “Eventualmente, podemos fazer a sua substituição por água gaseificada com suco natural para retirarmos o hábito da criança de tomar refrigerante”, esclarece Jéssica. Só que, mais uma vez, esta decisão precisa ser ponderada com o pediatra e nutricionista que está acompanhando a criança.

    Danielle também reforça que é importante estar atento às águas com sabores. “Hoje, temos vários refrigerantes com baixa quantidade de gás e que até parecem água gaseificada, mas são refrigerantes por conta do açúcar, adoçante e outros itens adicionais além do gás e eles não são recomendados em nenhuma idade – nem diet, light ou com baixo sódio”, reforça a nutricionista infantil.

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