Coronavírus e as crianças pequenas: tudo que os pais precisam saber

Veja o que é verdade, o que é mito, e como proteger os filhos.

Desde os primeiros casos, diagnosticados em dezembro em Wuhan, cidade da China, o coronavírus (Covid-19) está se espalhando pelo mundo com uma rapidez avassaladora. No dia 11 de fevereiro, apenas 24 países estavam no radar da Organização Mundial de Saúde. Um mês depois, já se contabiliza mais de 132 países e este número só cresce – assim como a preocupação dos pais. 

Conversamos com especialistas para entender como o coronavírus se manifesta em crianças pequenas e o que fazer para se proteger. 

O que é o coronavírus (Covid-19)?

Coronavírus é o nome de uma família de vírus que causa de resfriados à diarreias. Recentemente, um novo membro dela foi descoberto na China, o SARS-CoV-2, que gera a doença batizada de Covid-19. Ele provoca uma infecção respiratória com sintomas similares ao da gripe que, em 20% dos casos, evolui para uma versão mais grave. A mortalidade, contudo é considerada baixa, atingindo entre 2 e 3% dos infectados. 

Suas manifestações mais comuns são tosse e febre (raramente dores no corpo) e, nos quadros mais severos, insuficiência respiratória e cansaço. Outros vírus da família surgiram nas últimas décadas com manifestações parecidas e assustaram, mas foram contidos. Entre 2002 e 2003, a síndrome respiratória aguda grave (SARS) e, em 2012, a síndrome respiratória do Oriente Médio (MERS). 

Crianças pequenas estão mais sujeitas às complicações do coronavírus? 

Pelo contrário. “O acometimento tem sido muito menor nas crianças do que os adultos, principalmente nas versões mais graves”, explica Livio Dias, infectologista da Maternidade Pro Matre Paulista. Esta espécie de “proteção” já havia sido notada nas epidemias de SARS e MERS. 

Não é que elas não contraem, mas são menos atingidas pelos sintomas. “Provavelmente isso ocorra por conta de uma resposta melhor do sistema imune das crianças a quadros iniciais de infecção, que impede o agravamento da doença”, explica Dias. O paciente médio é homem e está na meia idade.

Ou seja, mesmo que chegue por aqui, é provável que esse padrão se mantenha. A exceção fica por conta dos bebês abaixo dos seis meses de vida, que têm as defesas mais frágeis e, por isso, estão mais vulneráveis às infecções no geral. 

Como o coronavírus é transmitido? 

Faltam estudos para dizer com certeza, mas até agora a transmissão parece se dar por gotículas de secreções respiratórias, expelidas em menor quantidade quando respiramos, e em maior quantidade ao espirrar e tossir. O contágio ocorre quando outra pessoa respira essas gotículas ou encosta em uma superfície contaminada e leva a mão a uma mucosa – olhos, boca e nariz. 

É preciso um contato próximo, de menos de um metro, para contrair o agente. Isso por si só já diminui um pouco a velocidade com a qual o vírus pode se espalhar. Estima-se que uma pessoa consiga transmitir o vírus para outras 3 – no sarampo são até 18, para se ter ideia. 

O que fazer para proteger meu filho? 

“Para crianças que voltam às aulas agora, o ideal é ter a carteirinha de vacinação em dia, orientar desde cedo sobre a importância de higienizar as mãos e não compartilhar utensílios que vão à boca, como copos e talheres”, orienta Dias. 

A higienização deve ser feita com água e sabão – na ausência de pia, o álcool gel também é indicado – constantemente, principalmente depois dos passeios, ao chegar em casa, antes de comer, ir ao banheiro e ao ter contato com animais. É preciso esfregar as mãos por pelo menos 20 segundos. 

Outro ponto fundamental para impedir o avanço dos vírus respiratórios é manter os ambientes bem ventilados e respeitar a chamada etiqueta da tosse: cobrir nariz e boca sempre que for espirrar e tossir. 

O coronavírus pode ser mais perigoso para gestantes? 

Provavelmente sim. Nas epidemias de SARS e MERS, as gestantes acometidas tiveram complicações ligadas à saúde fetal, como restrição de crescimento fetal, abortos espontâneos e partos prematuros. “Não temos informações ainda sobre o coronavírus, mas pelo seu comportamento é bem possível que ele provoque um quadro semelhante”, explica Dias.

Durante a gestação, o sistema imunológico da mulher sofre alterações que a deixam mais vulnerável à infecções. “Além disso, SARS e MERS geram comprometimentos respiratórios importantes, que limitam o fornecimento de oxigênio e nutrientes pela placenta, o que afeta o bebê”, aponta Dias. 

Grávidas devem fazer um acompanhamento pré-natal adequado e ter preocupação extra com doenças transmissíveis. “O ideal é evitar situações de maior risco, grandes aglomerados de pessoas ou ter contato com pessoas que estão sabidamente doentes”, ensina Dias. 

Devo reforçar a imunidade com vitaminas extras? 

Atenção: muitos boatos estão circulando as redes sociais dizendo que é preciso reforçar a imunidade para impedir o contágio pelo coronavírus. Mas não há nenhuma comprovação de que chá de erva-doce, superdose de vitamina D, C, alho, óleos essenciais e outros produtos diminuam o risco de contrair a doença.

“Como em qualquer quadro infeccioso, um sistema imune saudável pode evitar casos mais graves. Neste sentido, manter uma boa alimentação, com frutas, legumes e verduras é uma medida recomendada, mas não existe um nutriente específico recomendado contra o coronavírus”, destaca Dias. 

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